Brasileiros no calcio

Zé Elias ganhou uma Copa Uefa pela Inter, mas parou cedo por causa de seguidas lesões

Volante voluntarioso, técnico e muito aguerrido, Zé Elias surgiu muito bem nos anos 1990 e fez seu nome com boas passagens por Corinthians e Inter. Nestes clubes, foi adorado pelos torcedores graças a sua inegável raça. Contudo, o jogador acabou atravessando problemas físicos, que comprometeram a regularidade de suas atuações, em especial no final de carreira.

Zé Elias foi um dos principais nomes da geração brasileira revelada em meados da década de 1990, que também contava com Athirson, Emerson, Alex, Beto, Denílson, Adaílton e Caio Ribeiro. Com apenas 17 anos, o volante apareceu no time principal do Corinthians em 1993 e na temporada seguinte já era um dos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro. Vice-campeão com o Timão, Zé figurou na seleção da Bola de Prata de 1994.

As primeiras oportunidades na Seleção começaram a surgir depois do tetracampeonato mundial conquistado pelo time de Carlos Alberto Parreira. O Zé da Fiel, assim apelidado em referência à torcida organizada do Corinthians, passou a fazer parte do grupo preparado por Zagallo para a Olimpíada de 1996. O time do Velho Lobo era liderado por Ronaldo e ainda tinha nomes como Bebeto, Aldair, Roberto Carlos, Flávio Conceição, Rivaldo, Juninho Paulista, Dida e Zé Maria.

Titular em toda a campanha em Atlanta, o volante acabou ficando apenas com o bronze, mas saiu valorizado da competição e foi vendido ao Bayer Leverkusen. Apesar de não ter sido titular absoluto na formação alemã, Zé Elias encontrou seu espaço na equipe vice-campeã da Bundesliga e continuou no radar da Inter, que já o acompanhava no Corinthians. Desde a chegada de Massimo Moratti, o clube se notabilizou por acompanhar jovens sul-americanos e não fechou os olhos para o paulista.

No verão de 1997, Zé Elias chegou em Milão como a terceira contratação mais cara de uma janela que trouxe o melhor jogador do mundo para a Pinetina. Além de Ronaldo e Zé Elias, o clube ainda assinou com Diego Simeone, Álvaro Recoba, Taribo West, Benoît Cauet, Francesco Moriero e Luigi Sartor. Juntamente a Simeone, Cauet e Moriero, o ex-volante corintiano teria a responsabilidade de completar o meio-campo interista com Aron Winter e levaria o clube para o primeiro título da segunda Era Moratti.

Inicialmente, Zé Elias não foi titular e somente a partir de novembro de 1997 é que começou a ganhar realmente um espaço considerável no setor. Na época, foi bastante elogiado pelos jornalistas por dar consistência e eficácia para o time de Gigi Simoni, que brigava pelo scudetto e também disputava as copas. Além da combatividade e da forte marcação, o brasileiro mostrou qualidade técnica para ajudar a distribuição do jogo e contribuir no ataque.

Zé Elias ficou dois anos na Inter e levantou uma Copa Uefa (Getty)

Não à toa, foi dos seus pés que saíram os gols da vitória contra o Neuchâtel Xamax na primeira fase da Copa Uefa. Na ocasião, Zé Elias deu uma assistência para Ronaldo e marcou o segundo. Foi seu também o importante gol da vitória no San Siro sobre o Spartak Moscou no primeiro jogo semifinal da competição europeia. O tento e a boa atuação lhe garantiram um lugar no time titular da final contra a Lazio, vencida por 3 a 0 em Paris. Esta foi a conquista mais relevante do volante brasileiro no futebol europeu.

A sorte não foi a mesma no campeonato, e o time perdeu o título para a Juventus nas últimas rodadas, numa reta final cercada de polêmicas. Zé Elias também não conseguiu voltar para Paris para disputar a Copa do Mundo e foi ignorado pelos treinadores da Seleção até receber sua última convocação, em 1999. Na Inter, o volante acabou perdendo espaço com a saída de Simoni, a contratação de Paulo Sousa no inverno de 1998 e o caótico ano vivido pela Beneamata na temporada seguinte.

Buscando ter mais minutos de jogo, Zé Elias se mudou para o Bologna em 1999. Eles vieram no começo da temporada, mas diminuíram ao decorrer do ano, especialmente depois da chegada de Francesco Guidolin. Novamente sem espaço, o brasileiro foi vendido para o Olympiacos, onde conseguiu recuperar a forma e conquistar títulos. Formou a dupla de volantes da equipe com Christian Karembeu: ambos deram sustentação a uma equipe que tinha como destaques Stelios Giannakopoulos, Predrag Djordjevic e Giovanni.

Na Grécia, Zé Elias ganhou o campeonato nacional três vezes em três disputas. Em 2003, decidiu voltar para a Itália para defender o tradicional Genoa, então na Serie B. Com apenas 27 anos, estava no período da carreira em que deveria viver o auge, mas os problemas físicos atrapalharam a sua carreira: ocasionaram a saída do Olympiacos e lhe fizeram perder metade de uma temporada em Gênova. O grande legado do volante para o time genovês acabaria sendo o estabelecimento de contatos para que seu irmão fosse contratado pelos rossoblù. O goleiro Rubinho é um dos ídolos recentes dos grifoni.

Zé retornou para o Brasil em 2004, acertado com o Santos. Na Vila Belmiro, o ex-jogador do Corinthians fez parte do grupo campeão nacional, apesar de ter sido reserva. A partir de então, seu tempo em campo diminuiu ainda mais. Zé Elias teve uma rápida passagem pela Ucrânia em 2006 e emendou contratos curtos por Guarani, Omonia Nicósia (Chipre) e Londrina. Perto de se aposentar, assinou por um ano com o austríaco Rheindorf Altach e optou por parar de jogar profissionalmente em 2009.

Hoje contratado dos canais ESPN, até poucos meses atrás Zé Elias era um dos comentaristas mais frequentemente escalados para as transmissão dos jogos da Serie A. Em suas participações, sempre recordava suas passagens pelo país, contava histórias de bastidores e trazia curiosidades sobre o futebol italiano.

José Elias Moedim Júnior, o Zé Elias
Nascimento: 25 de setembro de 1976, em São Paulo, Brasil
Posição: volante
Clubes: Corinthians (1993-96), Bayer Leverkusen (1996-97), Inter (1997-99), Bologna (1999-00), Olympiacos (2000-03), Genoa (2003-04), Santos (2004-06), Metallurg Donetsk (2006), Guarani (2006), Omonia (2006-07), Londrina (2008) e Altach (2008-09)
Títulos: Campeonato Paulista (1995), Copa do Brasil (1995), Bronze Olímpico (1996), Copa Uefa (1998), Campeonato Grego (2001, 2002, 2003) e Campeonato Brasileiro (2004)
Seleção brasileira: 10 partidas

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