Liga das Nações Seleção italiana

No último jogo da Itália em 2018, Politano mostra que merece mais atenção de Mancini

Nesta terça, a Itália disputou sua última partida em 2018 e fechou um ano de poucos gols e emoções. O amistoso realizado contra os Estados Unidos em Genk, na Bélgica, teve mais destaque por causa da festa que os torcedores fizeram nas arquibancadas durante os 90 minutos e não apresentou grande nível técnico. O único gol foi marcado no último lance, já aos 94, quando Politano finalizou boa jogada com Verratti e Gagliardini.

Depois de perder Pellegrini por lesão e dispensar Chiellini, Florenzi, Jorginho, Insigne e Immobile, Mancini deixou clara a sua intenção de testar, contra os EUA, novos jogadores para sua formação. Assim, promoveu as entradas de Acerbi, Emerson, Sensi e Lasagna no time titular e deu mais minutos aos jovens Barella e Berardi. Politano, cotado para jogar no lugar de Chiesa, ficou inexplicavelmente no banco. Por sua vez, os americanos, treinados pelo interino Sarachan, entraram com um time bastante modificado em relação ao que perdeu para a Inglaterra, e recheado de jovens.

Em Genk, principalmente a partir de Sensi e Verratti, a Itália facilmente controlou a bola e por consequência dominou a partida, se impondo no campo adversário e girando a pelota com muita qualidade com o regista neroverde. Estreante, Sensi foi revelado no Cesena e apareceu justamente como “o novo Verratti”. Já o regista do Paris Saint-Germain era responsável por levar o time para o último terço do campo, onde encontrou bastante Berardi e Chiesa.

As jogadas, contudo, foram mal finalizadas e, como nas últimas seis partidas, o time de Mancini mais uma vez foi para o intervalo sem ter balançado as redes. Apesar da imprecisão na finalização dos ataques, o goleiro americano Horvath também teve trabalho e fez defesas importantes, frustrando Bonucci, Berardi e Verratti na primeira etapa, além de Lasagna e Grifo na etapa final. O meia-atacante do Hoffenheim, nascido na Alemanha e filho de imigrantes do sul do Belpaese, foi um dos estreantes da jornada.

O terceiro deles foi Kean, o primeiro jogador nascido depois de 2000 a jogar pela seleção principal. Filho de marfinenses, o jovem atacante da Juventus foi convocado de última hora, após a dispensa dos “veteranos” e acabou não se integrando bem ao esquema do time. Participou pouco do jogo e perdeu uma grande oportunidade depois de ser lançado por Verratti.

O primeiro semestre de Mancini à frente da Itália teve saldo positivo (EPA)

Em má fase, Lasagna também não deixou grande impressão e foi substituído no final por Politano. Mesmo com pouco tempo em campo (entrou aos 42 do segundo tempo), o ponta da Inter teve impacto imediato e decidiu o jogo após passe de outro interista – Gagliardini. Pelo que tem jogado em seu clube e com a disposição e a eficiência mostradas pela Nazionale, o atacante romano deixa um claro recado: merece ser melhor aproveitado por Mancio.

Entre os jogadores que acabaram não sendo aproveitados, as ausências mais sentidas foram as dos jovens Mancini, zagueiro da Atalanta, e Tonali, volante do Brescia, especialmente porque o treinador Mancini realizou apenas quatro de seis substituições possíveis. O homônimo do comandante vem atuando de maneira sólida em Bérgamo, ao passo em que o “novo Pirlo” bresciano, de apenas 18 anos, foi um dos destaques do mês na Serie B.

Além da vitória, para fechar um ano com tranquilidade, outra boa notícia para a Itália foi o fato de que a seleção não foi vazada pelo terceiro jogo seguido, o que não acontecia desde março de 2017, ainda com o intragável Gian Piero Ventura. Ainda que os EUA tenham finalizado apenas três vezes, vale destacar o número – até porque, quando exigido, numa cabeçada de Zimmermann, Sirigu respondeu bem.

Com quase 800 passes trocados e 74% de posse de bola, a Itália também registrou suas melhores marcas nesses quesitos com Mancini. O ponto negativo foi, novamente, o baixo aproveitamento nas finalizações: a equipe manteve a média de um tento a cada 17 arremates. Na Bélgica, o chute vencedor de Politano foi o 17º e último dos azzurri.

Nos bastidores, o clima voltou a ser bom – o que nunca aconteceu com Ventura. Verratti, por exemplo, dedicou vários elogios a Mancini. O meia, que hoje é um dos líderes da equipe, voltou a ser o melhor em campo após a ótima exibição contra Portugal. “Eu nunca tinha me sentido tão bem assim na seleção”, disse o jogador do PSG. “Agora jogamos bem e nos divertimos enquanto isso. Méritos para Mancini, que conseguiu deixar todos em condição de jogar bem. Sofremos muito para abrir o placar, mas jogamos bem. O importante é criar, porque assim os gols chegarão”, finalizou.

Itália 1-0 Estados Unidos

Itália: Sirigu; De Sciglio, Bonucci, Acerbi, Emerson; Barella (Gagliardini), Sensi, Verratti; Berardi (Kean), Lasagna (Politano), Chiesa (Grifo). Técnico: Roberto Mancini
Estados Unidos: Horvath; Cannon (Villafaña), Carter-Vickers, Zimmerman, Long, Moore; Delgado (Trapp), Adams, Acosta (Lletget); Pulisic (Gall), Sargent (Wood). Técnico: Dave Sarachan
Local: Luminus Arena, em Genk, Bélgica
Árbitro: Cüneyt Çakir (Turquia)

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