Liga dos Campeões

O bom início não bastou: Inter e Napoli caíram na Champions e disputarão Europa League

Com Juventus e Roma já garantidas nas oitavas de final da Liga dos Campeões, a última rodada da competição poderia ser de êxtase para a Itália. Afinal, Inter e Napoli ainda tinham boas chances de se classificarem à próxima fase, o que faria o futebol italiano ter quatro representantes no mata-mata do maior torneio continental pela primeira vez na história. No entanto, interistas e napolitanos acabaram terminando a terça com enorme frustração e uma vaga na Liga Europa como consolo.

A Inter foi eliminada de forma dramática e vexatória. Enfrentava o eliminado PSV, em San Siro, e só ficou no empate por 1 a 1 – um resultado que até lhe garantia a vaga, até os 85 minutos de jogo, mas que fora construído de forma extremamente tosca. Para o Napoli, a falta de o sorte e os requintes do absurdo novamente marcaram presença em uma campanha de Champions League. A equipe abriu a rodada na liderança de um dos grupos da morte, com 9 pontos, e mesmo assim acabou fora da próxima fase. A missão em Liverpool era dura e a equipe não foi páreo para Mohamed Salah, autor do gol do 1 a 0 que classificou os Reds em detrimento dos azzurri – e por causa do sexto (!) critério de desempate no confronto.

No Grupo B, a Inter terminou sua participação com a mesma pontuação que a do classificado Tottenham: 8 pontos. Porém, o time londrino levava vantagem na briga por uma vaga nas oitavas de final graças ao gol de Christian Eriksen em Milão, que abriu o placar na derrota inglesa por 2 a 1 – o troco em Wembley, com um magro 1 a 0, bastou para consolidá-la. Portanto, os nerazzurri deveriam pontuar mais do que os Spurs na última jornada: tarefa factível diante da tabela, que punha a Beneamata como anfitriã do PSV e o seu adversário como visitante do classificado Barcelona.

Em busca do objetivo, Luciano Spalletti precisou muitos desfalques no meio-campo. Vecino (lesionados), João Mário e Gagliardini (ambos não-inscritos) eram ausências certas, enquanto Nainggolan, sem condições físicas de aguentar uma partida intensa em sua integralidade, ficou no banco. Dessa forma, o treinador atribuiu a Candreva a função de jogar como meia central, pelo lado direito – mau sinal, visto que o camisa 87 não disputou os 90 minutos de partida alguma nesta temporada e vinha perdendo cada vez mais espaço no grupo. Em boa fase, Keita ficou no banco e só foi utilizado na etapa final.

Logo aos sete minutos, uma boa notícia para a Inter chegava de Barcelona: Dembélé abriu o placar contra o Tottenham e a torcida nerazzurra celebrou, já que a combinação entre derrota inglesa e empate no Meazza era suficiente para a classificação. A Beneamata, porém, teria de fazer a sua parte. A grande pressão anfitriã nos momentos iniciais deixou espaços para os visitantes contra-atacarem: em jogadas reativas, os jovens Bergwijn e Lozano conseguiram assustar, mas foi graças a um erro grave de Asamoah que saiu o gol holandês. O lateral-esquerdo perdeu a bola para o ponta holandês cruzar para o mexicano marcar, aos 13. De volta à terceira posição, a equipe nerazzurra perdeu a calma e a organização para buscar o empate, desperdiçando minutos preciosos.

O time de Spalletti voltou do intervalo mais sóbrio e ordenado. Icardi seguiu liderando a equipe em busca do resultado, embora seus companheiros continuassem imprecisos nas definições das jogadas. Depois das entradas de Keita e Lautaro nos lugares de Candreva e Asamoah – o que levou Perisic à lateral esquerda –, a equipe chegou ao empate. Mas pelo flanco oposto, com Politano: o camisa 16 cruzou na segunda trave para o capitão interista deixar tudo igual. Em sua partida de número 200 pelo clube, o argentino se tornou o primeiro jogador nerazzurro a marcar em todos os jogos em casa na fase de grupos da LC.

Nos dez minutos seguintes, os nerazzurri continuaram pressionando pela vitória, embora o empate lhe bastasse naquele momento. O segundo gol não aconteceu e Politano, exausto, foi substituído por Vrsaljko, que reorganizou a defesa. A alteração, que reforçava o sistema defensivo e era a última de Spalletti, teve o pior timing possível: dois minutos depois da troca, Lucas Moura empatou no Camp Nou, recolocando o Tottenham na segunda posição do grupo.

O clima de desespero tomou conta do San Siro mais uma vez e novas chances desperdiçadas tornaram a eliminação interista ainda frustrante – afinal, o time nerazzurro venceu os dois primeiros compromissos em sua volta ao torneio, do qual ficou afastado por seis edições. Desde que a Champions League passou a ter oitavas de final após a fase de grupos, em 2003, a Inter acumulou 12 participações na competição e apenas na primeira delas havia caído tão cedo quanto agora. Agora, a Beneamata terá de se contentar com a Liga Europa, que disputará pela quarta vez desde a extinção da Copa Uefa. Nas outras vezes em que competiu no certame, foi no máximo até as oitavas.

Despedida amarga: Napoli terá de jogar a Liga Europa por causa do sexto critério de desempate com o Liverpool (Foto Mosca)

Inglaterra. Ouvir o nome do maior país do Reino Unido causa calafrios nos torcedores do Napoli. Afinal, o time da Campânia nunca venceu uma partida em solo inglês por competições europeias. Triunfar, portanto, seria uma missão que beirava o impossível para os partenopei, considerando que ainda que o Liverpool raramente perde em Anfield. Como o Paris Saint-Germain enfrentaria o virtualmente eliminado Estrela Vermelha (que ainda tinha remota chance de se classificar para a Liga Europa), os partenopei não poderiam contar com um tropeço dos parisienses. Ao time de Carlo Ancelotti, então, só interessava ter a vantagem no confronto direto contra os Reds, o que aconteceria, sem maiores contas, com um empate.

Apesar da pressão sofrida, a tarefa por um momento pareceu factível para os napolitanos, que não perderam a calma com o domínio anfitrião e também tiveram suas oportunidades. O Napoli até conseguiu criar volume de jogo com a dupla Mertens e Insigne. Do outro lado, porém, estava Salah. Ou melhor, o Salah da temporada 2017-18. Vivendo momento irregular após o período dourado de sua carreira, o egípcio recuperou a forma no último mês e, nesta noite, mostrou que é mesmo um dos melhores do mundo.

Aproveitando a enésima falha de Mário Rui, o atacante conseguiu o que poucos são capazes: passar por Koulibaly. Com o senegalês superado, Salah contou também com a imperfeita saída de gol de Ospina, que fechou mal o ângulo e deixou a bola chutada pelo adversário passar por entre suas pernas, já na reta final da primeira etapa. Duro golpe para os comandados de Ancelotti, que continuaram sendo dominados e não foram capazes de tomar o controle da partida na etapa final. A equipe italiana, porém, continuou viva no duelo por causa de Ospina, que se redimiu do lance do gol com defesas importantes.

Ainda assim, nas poucas oportunidades em que conseguiu chutar a gol, o Napoli deu de cara com outro jogador que teve desempenho brilhante na última temporada: Alisson, autor de defesa decisiva no final do jogo. O empate teria sido um bálsamo para o Napoli em qualquer momento da peleja, mas àquele ponto praticamente lhe garantiria a vaga – e evitaria sua oitava derrota na Inglaterra.

Como os times terminaram empatados com 9 pontos e cada um deles venceu em casa por 1 a 0, a classificação foi decidida pelos critérios de desempate seguintes. A equipe de Jürgen Klopp avançou pelo sexto deles: marcou mais gols durante a fase de grupos (nove contra sete). Ou seja, um placar mais elástico no San Paolo contra o Estrela Vermelha, azarão da chave, poderia ter sido suficiente para que o Napoli continuasse na Champions League.

Até então invicto na competição, o Napoli também vivenciou sua segunda eliminação seguida na fase inicial da Liga dos Campeões, o que ainda não tinha acontecido na história do clube. Fato raro também para Ancelotti, contratado principalmente por seu sucesso e experiência na LC, já que Sarri não conseguiu fazer os azzurri terem bons resultados fora da Itália. Em toda a sua carreira, somente duas vezes Carletto não conseguiu classificar seu time para o mata-mata: nas suas duas primeiras participações, por Parma e Juventus. Uma marca de 18 anos ficou pelo caminho.

Embora a participação italiana na Liga dos Campeões tenha caído pela metade, o país ainda terá (muito provavelmente) seis representantes em torneios continentais. A Liga Europa já tem três equipes do Belpaese confirmadas na fase de 16 avos de final, uma vez que a Lazio já está classificada e tem lugar garantido, ao lado de Inter e Napoli. Na quinta, o Milan deve se juntar ao grupo, já que é favorito no confronto direto contra o Olympiacos: apenas derrotas por 2 a 0, 3 a 1 ou por qualquer placar com três gols de diferença eliminaria os rossoneri.

Deixe um comentário