Liga dos Campeões

Em dia estratosférico de Ronaldo, Juventus se impôs e eliminou o Atlético de Madrid

A Juventus nunca tinha feito um gol no Atlético de Madrid em jogos válidos pela Liga dos Campeões. Na fase final da competição, foram raros os casos de times que viraram após um 2 a 0 sofrido fora de casa. Cristiano Ronaldo, até então autor de apenas um gol na Champions, nunca tinha marcado em uma partida em que Oblak, Giménez e Godín foram escalados como titulares. Mas tudo tem uma primeira vez, e o português mostrou exatamente porque foi contratado pelo time de Turim: estratosférico, voou mesmo alto e, graças à sua tripletta, a Juve fez 3 a 0 e protagonizou uma das maiores reviravoltas dos tempos recentes na competição. Uma virada que a própria equipe italiana não obtinha desde 2005-06.

A Velha Senhora fez uma partida irretocável, que começou pelo planejamento de Massimiliano Allegri e nas suas consequentes vitórias sobre Diego Simeone, antes e durante o jogo. A hegemonia da Juventus no Allianz Stadium passou ainda pela recuperação defensiva de Bonucci e Chiellini, algozes na ida e soberanos na volta, pelas atuações impecáveis de Cancelo, Can, Pjanic e Bernardeschi e, por fim, pelo show de Cristiano Ronaldo, que só havia marcado uma vez nesta Champions League. A sua primeira tripletta pelo clube italiano veio no melhor momento possível da temporada.

Superior desde o início, o time da casa surpreendeu com a dupla função de Can pela direita. Entre a primeira e a segunda linha, o alemão ajudava Bonucci e Chiellini nas recuperações e na saída de bola, permitindo a Cancelo e Spinazzola avançarem. Essa movimentação trouxe Bernardeschi e Cristiano Ronaldo para posições interiores e impulsionou a aproximação de Pjanic à área adversária. Sem a bola, Can também defendeu o jogo direto com Morata, deixando os visitantes acuados em seu campo, sem condições de saírem qualquer fosse a circunstância da jogada.

Com o time controlando a bola e o campo, foi em uma das recuperações ainda no centro do gramado que saiu o primeiro gol da Juventus. Na inversão dos pontas, Bernardeschi recebeu a bola na esquerda e levantou na medida para Cristiano superar Juanfran na segunda trave e abrir o placar em um momento importante, quando o Atlético de Madrid começava a estar mais presente no campo adversário e a somar passes com Koke e Griezmann.

A jogada também foi um divisor de águas para Bernardeschi, que estava participativo, mas colecionava erros na tomada de decisões. A partir dali, o camisa 33 virou a chave. A noite se mostrou realmente favorável para os anfitriões quando, no último lance da etapa inicial, Morata cabeceou alto na chance mais perigosa dos colchoneros.

No segundo tempo, o jogo continuou com o mesmo cenário: a Juventus dominava o espaço e o Atlético se mantinha acuado na sua área. Logo após o intervalo, o 2 a 0 de Madri foi devolvido em outro gol de Ronaldo, que novamente cabeceou com potência e completou cruzamento vindo do outro lado, do seu compatriota Cancelo. O lateral, inclusive, deixou uma bonita mensagem após o jogo, ao homenagear sua avó e o pai do amigo interista João Mário, recém-falecidos.

A vantagem deixou o time de Allegri mais confortável para controlar o jogo em busca do gol da classificação. As alterações de Simeone contribuíram mais ainda com a tarefa, já que abriram espaços para contra-ataques. Kean, que substituiu Mandzukic, logo na primeira oportunidade deixou avisado que o terceiro gol estava maduro – no entanto, após receber lançamento de um gigante Chiellini, em seu jogo de número 500 pela Juve, errou o chute cruzado de canhota.

A segunda descida nas costas de Arias, contudo, foi fatal. Bernardeschi partiu em alta velocidade e, empurrado por Correa, sofreu o pênalti do terceiro e definitivo gol. Sem piedade, Ronaldo cobrou com perfeição e, aos 86, pode extravasar junto à torcida. Na melhor atuação juventina na temporada e numa das piores do Atlético sob a batuta de Simeone, houve uma inversão de polos em relação à partida de ida e venceu a melhor.

Juventus 3-0 Atlético de Madrid
Cristiano Ronaldo (Bernardeschi), Cristiano Ronaldo (Cancelo), Cristiano Ronaldo (pênalti)

Juventus: Szczesny; Cancelo, Bonucci, Chiellini, Spinazzola (Dybala); Can, Pjanic, Matuidi; Bernardeschi, Mandzukic (Kean), Cristiano Ronaldo. Treinador: Massimiliano Allegri

Atlético: Oblak; Arias (Vitolo), Giménez, Godín, Juanfran; Koke, Rodri, Saúl, Lemar (Correa); Griezmann, Morata. Treinador: Diego Simeone

Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Local: Allianz Stadium, em Turim, Itália

1 comentário

  • Terceiro parágrafo é o excelente retrato tático do jogo.. tirar Ronaldo e Berna das alas e trazê-los para zona interior é sucesso na certa.. e a função de Can foi mesmo determinante para isso, pois possibilitou a Spina e Cancelo dar muita profundidade ao jogo pelos flancos, fazendo subir também de nível Pjanic, que distribuía o jogo como um limpa para-brisa hahaha.. excelente análise!

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