Serie A

Retrospectiva da Serie A 2018-19, parte 2

Ontem, publicamos a primeira parte da retrospectiva da Serie A 2018-19. Na ocasião, analisamos as campanhas dos times classificados na parte mais baixa da tabela e agora iremos falar dos 10 primeiros do campeonato. Confira os feitos da Juventus, octacampeã inédita da competição, da excepcional Atalanta e dos times que brigaram pelas vagas em competições europeias.

Publicado também na Trivela.

Bologna

A campanha: 10ª colocação, 44 pontos. 11 vitórias, 11 empates e 16 derrotas.
No primeiro turno: 18ª posição, 13 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Juventus.
Ataque e defesa: 48 gols marcados e 56 sofridos
Time-base: Skorupski; Mbaye (Calabresi), Danilo, Helander (Lyanco), Dijks (Mattiello); Pulgar, Poli (Dzemaili); Orsolini, Soriano (Svanberg, Nagy), Palacio (Krejci); Santander (Sansone).
Artilheiros: Federico Santander (8 gols), Riccardo Orsolini (8) e Erick Pulgar (6)
Técnicos: Filippo Inzaghi (até a 21ª rodada) e Sinisa Mihajlovic (desde então)
Os destaques: Erick Pulgar, Riccardo Orsolini e Rodrigo Palacio
A decepção: Diego Falcinelli
A revelação: Mattias Svanberg
Quem mais jogou: Lukasz Skorupski (38 jogos), Riccardo Orsolini e Danilo (ambos com 35)
O sumido: Godfred Donsah
Melhor contratação: Federico Santander
Pior contratação: Diego Falcinelli

Analisar o Bologna de 2018-19 é o equivalente a julgar duas equipes diferentes. Afinal, o time comandado por Inzaghi nem parece o mesmo que Mihajlovic fez decolar e chegar à metade superior da tabela – ainda que com 10 pontos a menos que o décimo colocado de 2017-18. Quando o sérvio chegou, a formação bolonhesa tinha apenas duas vitórias, 14 pontos e 16 gols marcados em pouco mais de um turno: era um elenco capaz de levar 4 a 0 em casa do Frosinone. Inclusive, foi esse resultado que derrubou Pippo e fez o presidente Saputo repatriar Sinisa.

Naquele momento, o Bologna ocupava a zona de rebaixamento havia oito rodadas. Mihajlovic estreou com uma vitória em Milão, contra a Inter, e fez o bom elenco começar a jogar futebol – o que mal havia conseguido no paupérrimo trabalho de Inzaghi. O elenco tinha peças de características ofensivas e um meio-campo de boa chegada à área adversária, mas o ex-atacante se limitava a incentivar contra-ataques e chuveirinhos a Santander. Miha passou a utilizar o incisivo Orsolini com maior frequência, adaptou Soriano e Sansone à nova realidade, trouxe Dzemaili e Pulgar para o centro das ações e tirou o máximo do veterano Palacio. Assim, os veltri viraram a página, começaram a somar pontos e deixaram a zona de rebaixamento de forma definitiva na 31ª rodada. No returno, o Bologna somou 31 pontos, anotou 33 tentos e teve a sétima melhor campanha da competição: um verdadeiro capolavoro do técnico.

Sampdoria

A campanha: 9ª colocação, 53 pontos. 15 vitórias, 8 empates e 15 derrotas.
No primeiro turno: 7ª posição, 29 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Milan.
Ataque e defesa: 60 gols marcados e 51 sofridos
Time-base: Audero; Bereszynski (Sala), Colley (Tonelli), Andersen, Murru; Praet, Ekdal, Linetty; Ramírez (Jankto, Saponara); Quagliarella, Defrel (Caprari).
Artilheiros: Fabio Quagliarella (26 gols), Grégoire Defrel (11) e Gianluca Caprari (6)
Técnico: Marco Giampaolo
Os destaques: Fabio Quagliarella, Emil Audero e Dennis Praet
A decepção: Jakub Jankto
A revelação: Emil Audero
Quem mais jogou: Fabio Quagliarella (37 jogos), Emil Audero e Grégoire Defrel (ambos com 36)
O sumido: Júnior Tavares
Melhor contratação: Emil Audero
Pior contratação: Júnior Tavares

A temporada 2018-19 da Sampdoria foi parecida com a 2017-18, mas com viés de alta no nível das atuações. Assim como na campanha anterior, a equipe doriana chegou a dar a impressão de que brigaria por vagas europeias, por seu rendimento no primeiro turno, mas acabou se acomodando depois de que os favoritos abriram vantagem. Apesar de tudo, esse contexto até favorece o vistoso futebol proposto por Giampaolo, sem muitas preocupações defensivas – tanto é que a sua Samp empata pouquíssimo.

A constante da equipe de Gênova foi Quagliarella, que vive o melhor momento da carreira. Segundo artilheiro mais velho da Serie A, o campano marcou de todas as formas, esteve muito bem fisicamente e ainda reconquistou uma vaga na seleção italiana. O veterano foi o líder de um time bastante dinâmico e com valores individuais já afirmados, como Praet, Defrel, Ramírez e Linetty, e outros mais jovens – Murru, Andersen e, sobretudo, Audero – que ainda trilharão caminhos positivos no futebol europeu.

Lazio

A campanha: 8ª colocação, 59 pontos. 17 vitórias, 8 empates e 13 derrotas. Classificada para a Liga Europa por causa do título da Coppa Italia.
No primeiro turno: 4ª posição, 32 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Coppa Italia e eliminada na fase de 16 avos de final da Liga Europa pelo Sevilla.
Ataque e defesa: 56 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Strakosha; Luiz Felipe (Wallace, Patric), Acerbi, Radu (Bastos); Marusic, Parolo, Lucas Leiva, Milinkovic-Savic, Lulic; Luis Alberto (Correa, Caicedo); Immobile.
Artilheiros: Ciro Immobile (15 gols), Felipe Caicedo (8), Joaquín Correa e Sergej Milinkovic-Savic (ambos com 5)
Técnico: Simone Inzaghi
Os destaques: Lucas Leiva, Francesco Acerbi e Joaquín Correa
A decepção: Sergej Milinkovic-Savic
A revelação: Pedro Neto
Quem mais jogou: Francesco Acerbi (37 jogos), Ciro Immobile (36), Thomas Strakosha e Senad Lulic (ambos com 35)
O sumido: Valon Berisha
Melhor contratação: Francesco Acerbi
Pior contratação: Valon Berisha

O título da Coppa Italia salvou a Lazio de encarar uma temporada fadada ao fracasso, com aparência de fim de ciclo para Simone Inzaghi. Os baixos investimentos do presidente Lotito, o envelhecimento de parte do elenco, a queda de rendimento de suas três principais peças e, sobretudo, o interesse de outros clubes no trabalho do técnico, apontam para mudanças em Formello neste verão europeu. Reconstrução à vista.

Embora tenha mantido a solidez defensiva, graças à regularidade de Lucas Leiva à frente do trio liderado pelo incansável Acerbi, a Lazio nem pareceu o mesmo time que flertou com uma vaga na Liga dos Campeões em 2017-18. A equipe que teve o melhor ataque da última temporada encontrou sérios problemas por causa da brusca queda de rendimento de Immobile, Luis Alberto e Milinkovic-Savic. O resultado: 33 gols a menos e dificuldades de se impor. Correa, volta e meia, driblava esses obstáculos, mas ainda assim os celestes só venceram dois jogos contra os seis primeiros e passaram a campanha sem bater o fraquíssimo Chievo.

Torino

A campanha: 7ª colocação, 60 pontos. 16 vitórias, 15 empates e 7 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 27 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pela Fiorentina.
Ataque e defesa: 52 gols marcados e 37 sofridos
Time-base: Sirigu; Izzo, Nkoulou, Moretti (Djidji); De Silvestri, Baselli, Rincón, Meïté, Aina (Ansaldi); Falque (Benreguer, Zaza), Belotti.
Artilheiros: Andrea Belotti (15 gols) e Iago Falque (6)
Técnico: Walter Mazzarri
Os destaques: Salvatore Sirigu, Armando Izzo e Andrea Belotti
A decepção: Vittorio Parigini
A revelação: Ola Aina
Quem mais jogou: Andrea Belotti, Armando Izzo (ambos com 37 jogos), Nicholas Nkoulou e Salvatore Sirigu (ambos com 36)
O sumido: Bremer
Melhor contratação: Armando Izzo
Pior contratação: Simone Zaza

Escalar o Torino dessa temporada era relativamente fácil: 10 jogadores fizeram 30 ou mais partidas na Serie A. Ter encontrado rapidamente um time-base foi um dos trunfos para que Mazzarri pudesse construir uma equipe extremamente sólida, que vendia muito caro uma derrota: inclusive, o Toro só perdeu menos do que a Juve neste campeonato. Além disso, nos confrontos diretos com os 10 primeiros colocados, os grenás só não tiraram pontos da Roma.

O principal destaque do Toro foi a defesa, quase intransponível, que acabou como a quinta melhor do campeonato e chegou a passar 15 partidas sem ser vazada. A excelência começava com Sirigu, que foi um dos melhores goleiros da competição graças a atuações seguras e defesas estrepitosas, mas Nkoulou e Izzo também estiveram em estado de graça. Do outro lado do campo, Belotti reencontrou a boa fase e encerrou a Serie A em alta, o que lhe valeu o chamado para a seleção. Apesar de tudo, a equipe do Piemonte deu azar: teve sua melhor temporada na era dos três pontos, mas não se classificou para a Liga Europa. Tem coisas que só acontecem com o Torino.

Roma

A campanha: 6ª colocação, 66 pontos. 18 vitórias, 12 empates e 8 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 6ª posição, 30 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Fiorentina e nas oitavas da Liga dos Campeões pelo Porto.
Ataque e defesa: 66 gols marcados e 48 sofridos
Time-base: Olsen (Mirante); Florenzi, Fazio, Manolas (Juan Jesus), Kolarov; Cristante, Nzonzi (De Rossi); Zaniolo (Ünder), Pellegrini (Kluivert), El Shaarawy; Dzeko (Schick).
Artilheiros: Stephan El Shaarawy (11 gols), Edin Dzeko (9) e Aleksandar Kolarov (8)
Técnicos: Eusebio Di Francesco (até a 26ª rodada) e Claudio Ranieri (desde então)
Os destaques: Nicolò Zaniolo, Daniele De Rossi e Stephan El Shaarawy
A decepção: Justin Kluivert
A revelação: Nicolò Zaniolo
Quem mais jogou: Bryan Cristante (35 jogos), Federico Fazio (34), Aleksandar Kolarov e Edin Dzeko (ambos com 33)
O sumido: Ante Coric
Melhor contratação: Nicolò Zaniolo
Pior contratação: Steven Nzonzi

Os maiores responsáveis pela fraca temporada da Roma não entraram em campo. Monchi, ex-diretor esportivo, e Pallotta, presidente, comprometeram a trajetória de ascensão dos giallorossi, que incluía seguidas classificações à UCL e até mesmo uma participação nas semifinais da competição. Um ano depois de escrever um importante capítulo de sua história, a Loba encerra uma campanha melancólica com chave de merda: praticamente enxotando um ídolo como De Rossi. Anteriormente, a diretoria também já tinha feito questão de se desfazer de Strootman e Nainggolan. Sem falar que substituiu Alisson por Olsen.

Tantos erros de avaliação acabaram ficando encobertos na parte inicial da temporada, quando Kolarov, El Shaarawy e Dzeko resolviam e, sobretudo, por Zaniolo ter roubado a cena. Depois, o alto número de lesões, as muitas falhas defensivas (inclusive individuais, de gente trazida por Monchi, como Olsen, Marcano e Nzonzi) e a dificuldade no encaixe de peças como Pastore e Kluivert falaram mais alto. Di Francesco até sobreviveu ao 7 a 1 aplicado pela Fiorentina na Coppa Italia, mas não à eliminação para o Porto na Champions League. Ranieri chegou para tentar conter danos maiores e levar a equipe no mínimo à Liga Europa. Don Claudio fechou a casinha, deu espaço para Mirante na meta romanista e, com a melhora na defesa, a equipe ganhou um pouco mais de estabilidade. A Roma terá objetivos continentais em 2019-20, mas antes passará por uma severa reformulação.

Milan

A campanha: 5ª colocação, 68 pontos. 19 vitórias, 11 empates e 8 derrotas. Classificado para a Liga Europa.
No primeiro turno: 5ª posição, 31 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeão da Supercopa Italiana, eliminado nas semifinais da Coppa Italia pela Lazio e na fase de grupos da Liga Europa.
Ataque e defesa: 55 gols marcados e 36 sofridos (a 3ª melhor)
Time-base: Donnarumma; Calabria (Abate), Musacchio (Zapata), Romagnoli, Rodríguez; Kessié, Bakayoko (Biglia), Çalhanoglu; Suso, Piatek (Higuaín, Cutrone), Castillejo (Lucas Paquetá, Borini).
Artilheiros: Krzysztof Piatek (9 gols), Suso e Franck Kessié (ambos com 7)
Técnico: Gennaro Gattuso
Os destaques: Krzysztof Piatek, Lucas Paquetá e Gianluigi Donnarumma
A decepção: Gonzalo Higuaín
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Gianluigi Donnarumma, Hakan Çalhanoglu (ambos com 36 jogos), Ricardo Rodríguez e Suso (ambos com 35)
O sumido: Mattia Caldara
Melhor contratação: Krzysztof Piatek
Pior contratação: Alen Halilovic

O Milan começou 2018-19 sonhando com vaga na Champions League, mas raras vezes desempenhou um futebol bom o bastante para se credenciar à competição. Os melhores momentos da equipe rossonera ocorreram no início do segundo turno, logo que Lucas Paquetá e Piatek chegaram e elevaram a qualidade das atuações do Diavolo – até então muito dependente de Suso, que não fez uma primeira metade de campeonato brilhante. Àquela altura, parecia que – mesmo que Gattuso não fosse o técnico dos sonhos –, o time voltaria à tão sonhada UCL. Contudo, Paquetá se lesionou, o Milan passou a ter dificuldades e a Atalanta, mais regular, lhe ultrapassou. A campanha milanista é um poema de Manuel Bandeira: tudo aquilo que podia ter sido e que não foi.

A frustração se dá pelo fato de que Higuaín não se adaptou e logo saiu, Caldara mal entrou em campo e Strinic nem isso conseguiu. Os reforços de verão prometiam se encaixar num time que tinha bons valores, mas no final das contas foram as contratações de inverno e os jogadores que já estavam no elenco que se destacaram mais – com exceção de Bakayoko, que cresceu com o passar dos meses. Pilares de uma forte defesa, Donnarumma e Romagnoli foram duas das garantias do time, juntamente à regularidade de Kessié e Rodríguez. Ainda assim, não se chegou ao principal objetivo da temporada – que permitiria ao clube um rearranjo nas contas e, aos torcedores, um retorno aos velhos tempos. Resta saber como Gazidis irá gerenciar os bastidores, uma vez que terá um projeto a ser reconstruído e recursos limitados à disposição.

Inter

A campanha: 4ª colocação, 69 pontos. 20 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 3ª posição, 39 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Lazio, na fase de grupos da Liga dos Campeões e nas oitavas da Liga Europa pelo Eintracht Frankfurt.
Ataque e defesa: 56 gols marcados e 33 sofridos (a 2ª melhor)
Time-base: Handanovic; D’Ambrosio, Skriniar, De Vrij, Asamoah; Brozovic, Vecino (Gagliardini); Politano, Nainggolan (Borja Valero, João Mário), Perisic; Icardi (Martínez).
Artilheiros: Mauro Icardi (11 gols), Ivan Perisic (8), Radja Nainggolan e Lautaro Martínez (ambos com 6)
Técnico: Luciano Spalletti
Os destaques: Samir Handanovic, Milan Skriniar e Marcelo Brozovic
A decepção: Sime Vrsaljko
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Samir Handanovic (38 jogos), Matteo Politano (36) e Milan Skriniar (35)
O sumido: Andrea Ranocchia
Melhor contratação: Matteo Politano
Pior contratação: Sime Vrsaljko

A temporada da Inter pode ser vista pela ótica do copo meio cheio e pela do copo meio vazio: toda sua conquista tem um porém e vice-versa. A Beneamata começou a Serie A com a expectativa de ser a anti-Juve. Não conseguiu, mas ao menos conquistou seu objetivo mínimo, que era a vaga na Champions League. Um feito que poderia ter sido garantido mais cedo, visto que a equipe entrou na zona-UCL na sétima rodada e ficou lá até Nainggolan marcar, aos 81 minutos do derradeiro compromisso, o gol que assegurou a classificação nerazzurra ao principal torneio do continente. Logo o belga, que passou parte da temporada apagado e envolvido em polêmicas, tal qual Icardi e Perisic. O trio poderia ter rendido mais e com regularidade, mas é inegável que cada um deles ofereceu sua contribuição em momentos decisivos – tal qual Lautaro, que também oscilou.

As menores oscilações se deram na defesa, ainda que Handanovic tenha alternado algumas falhas bobas a partidas monstruosas. O forte sistema defensivo de Spalletti, comandado por Skriniar e De Vrij, foi o segundo melhor da Serie A e passou 17 rodadas sem ser vazado, obtendo a primazia no quesito. A Inter também foi soberana em posse de bola e teve bons números em arremates e toques na pelota na área adversária. Parte disso se deve a Brozovic, que foi o ritmista de uma equipe que dependeu demais que ele estivesse em um dia positivo. O croata foi o líder em toques na bola, passes tentados e corretos, além de ter sido o jogador que, em média, mais correu por partida e o terceiro mais eficaz em desarmes. No time de Antonio Conte, o vice-campeão mundial será ainda mais importante, mas deverá dividir a responsabilidade com mais gente.

Atalanta

A campanha: 3ª colocação, 69 pontos. 20 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 8ª posição, 28 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeã da Coppa Italia e eliminada nos playoffs da Liga Europa pelo Kobenhavn.
Ataque e defesa: 77 gols marcados (o melhor) e 46 sofridos
Time-base: Gollini (Berisha); Mancini, Palomino (Rafael Toloi), Masiello (Djimisti); Hateboer, De Roon, Freuler, Gosens (Castagne); Gómez; Ilicic (Pasalic), Zapata.
Artilheiros: Duván Zapata (23 gols), Josip Ilicic (12) e Alejandro Gómez (7)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Josip Ilicic, Alejandro Gómez e Duván Zapata
A decepção: Etrit Berisha
A revelação: Dejan Kulusevski
Quem mais jogou: Duván Zapata (37 jogos), Alejandro Gómez, Hans Hateboer, Marten De Roon e Remo Freuler (todos com 35)
O sumido: Roger Ibañez
Melhor contratação: Duván Zapata
Pior contratação: Ali Adnan

Na terceira temporada do trabalho de Gasperini, a Atalanta deu a prova definitiva de que vive o melhor momento de sua história. A Dea protagonizou uma arrancada no segundo turno da Serie A e, da oitava posição que ocupava na virada de ano, pulou para o terceiro posto. Os lombardos tiveram o melhor rendimento de 2019, atingiram a mais alta colocação desde a fundação do clube, em 1907, e se credenciaram a uma inédita vaga na Champions League. Nunca o time de Bérgamo havia conseguido participar por três vezes seguidas de competições europeias nem fora capaz de marcar mais de 100 gols numa mesma campanha – somando todas as competições, foram 103. Tudo isso é realidade, agora. A Atalanta alcançou tais feitos com a sétima menor folha salarial do país e sem arrefecer na Coppa Italia, da qual foi vice-campeã.

O ano histórico da Atalanta, contudo, não começou tão bem. A equipe foi eliminada nos playoffs da Liga Europa e tropeçou com frequência nas rodadas iniciais. Os orobici se deram ao luxo de investir na aquisição de seu estádio – que está sendo reformado – ao mesmo tempo em que assinaram com Zapata, maior contratação de sua história. Um reforço que demorou a engrenar e chegou a passar as 10 primeiras rodadas do campeonato sem balançar as redes. Gasperini, porém, tinha as respostas para solucionar os problemas. Com o elenco muito bem instruído, o técnico começou a colher os frutos quando o colombiano começou a se adaptar, simultaneamente à volta de Ilicic, que estava machucado. Gómez foi recuado para a função de trequartista e o triunvirato comandou a ascensão dos nerazzurri, que foram tirando pontos de todos os times do G4, galgando posições e encantando o mundo. Para 2019-20, a ordem é manter os principais nomes. A permanência de Gasp já está confirmada.

Napoli

A campanha: 2ª colocação, 79 pontos. 24 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 2ª posição, 44 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pelo Milan, na fase de grupos da Liga dos Campeões e nas quartas da Liga Europa pelo Arsenal.
Ataque e defesa: 74 gols marcados (o 2º melhor) e 36 sofridos (a 3ª melhor)
Time-base: Ospina (Meret, Karnezis); Hysaj (Malcuit), Albiol (Maksimovic), Koulibaly, Mário Rui (Ghoulam); Callejón, Allan, Ruiz (Hamsík), Zielinski; Mertens (Insigne), Milik.
Artilheiros: Arkadiusz Milik (17 gols), Dries Mertens (16) e Lorenzo Insigne (10)
Técnico: Carlo Ancelotti
Os destaques: Kalidou Koulibaly, Dries Mertens e Arkadiusz Milik
A decepção: Simone Verdi
A revelação: Sebastiano Luperto
Quem mais jogou: Piotr Zielinski (36 jogos), Kalidou Koulibaly e Arkadiusz Milik (ambos com 35)
O sumido: Vlad Chiriches
Melhor contratação: Fabián Ruiz
Pior contratação: Simone Verdi

O Napoli de Ancelotti superou a pesada herança de Sarri e conseguiu mais um vice-campeonato tranquilo. O início da campanha azzurra esteve cercado de dúvidas, por resultados negativos na pré-temporada, atuações pouco fluidas e algumas derrotas sérias nas rodadas iniciais. Após um vareio da Sampdoria, Don Carletto arrumou o time, definiu o 4-4-2 como seu esquema-base e – preservando diversos conceitos aplicados por seu antecessor – passou a colher frutos. A começar pela organização defensiva, mesmo com o rodízio no gol e os problemas de lesões dos titulares – a não ser o rochoso Koulibaly. Entre os principais feitos dos napolitanos em 2018-19, destacou-se a capacidade de fazer partidas excelentes contra times grandes da Itália e da Europa: por exemplo, dominou o Liverpool, campeão europeu, na fase de grupos da LC.

O único time da Serie A que teve pelo menos três atletas com três dígitos em gols foi o Napoli. Se Mertens esteve um pouco apagado na primeira parte do campeonato e cresceu após a virada de ano, Insigne seguiu o caminho inverso – curiosamente, o ponto de inflexão foi a contratação do polêmico Mino Raiola como seu agente. Milik, por sua vez, foi o mais regular: livre de lesões, finalmente fez uma grande temporada com a camisa azzurra. O ataque foi bastante prolífico, mas o torcedor napolitano poderia ter comemorado muito mais: nenhum time perdeu tantos gols ou acertou tanto a trave quanto o Napoli. Fruto, também, de certa acomodação após encontrar-se num limbo muito cedo. Por volta de fevereiro, os campanos já estavam longe demais da Juve e muito à frente dos demais participantes do campeonato. Dessa forma, ficou a sensação de que o Napoli poderia ter feito melhor tanto na Liga Europa quanto na Coppa Italia.

Juventus

A campanha: Campeã, 90 pontos. 28 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 1ª posição, 53 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Supercopa Italiana, eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Atalanta e nas quartas da Liga dos Campeões pelo Ajax.
Ataque e defesa: 70 gols marcados (o 3º melhor) e 30 sofridos (a melhor)
Time-base: Szczesny; João Cancelo (De Sciglio), Bonucci, Chiellini (Rugani), Alex Sandro; Pjanic, Bentancur (Can), Matuidi; Dybala (Cuadrado), Mandzukic (Bernardeschi), Ronaldo.
Artilheiros: Cristiano Ronaldo (21 gols), Mario Mandzukic (9) e Moise Kean (6)
Técnico: Massimiliano Allegri
Os destaques: Cristiano Ronaldo, Wojciech Szczesny e Giorgio Chiellini
A decepção: Paulo Dybala
A revelação: Manolo Portanova
Quem mais jogou: Cristiano Ronaldo, Rodrigo Bentancur, Blaise Matuidi, Miralem Pjanic e Alex Sandro (todos com 31 jogos)
O sumido: Andrea Barzagli
Melhor contratação: Cristiano Ronaldo
Pior contratação: Leonardo Bonucci

Um dos problemas de elevar o sarrafo para si mesma é que a conquista de feitos inéditos e incríveis pode ser minimizada. Se a sua obtenção não for cercada de brilhantismo e acompanhada por evolução em outros aspectos, haverá motivos para críticas e espaço para um “veja bem…”. O dilema do perfeccionismo e da busca por objetivos maiores assola a Juventus. A única octacampeã italiana da história fez um primeiro turno impecável, dominou a Serie A de ponta a ponta (assumiu a liderança isolada na terceira rodada) e, mesmo assim, não terminou a campanha 2018-19 satisfeita. A eliminação na Champions League falou mais alto e chegamos a junho em clima de fim de ciclo pela saída de Allegri.

O treinador elevou à enésima potência o domínio juventino em solo italiano, fazendo valer a extensão e a qualidade do elenco, muito acima dos demais. O camaleônico elenco da Juve descansou bastante, uma vez que Allegri não repetiu escalações, e até mesmo Cristiano Ronaldo – um colecionador de recordes – aceitou ser poupado para a UCL. Mesmo assim, foi o jogador que mais finalizou a gol (138 vezes, 78 no alvo), anotando 21 tentos – além de ter fornecido seis assistências. Por outro lado, enquanto Mandzukic se mostrou cada vez mais importante e Kean cavou seu espaço, Dybala viveu a pior fase da carreira, chegando ao ponto de se tornar descartável para a Velha Senhora. Algo bastante complicado, visto que a Juventus dos últimos anos tem se destacado por ser um organismo vivo e mutante, no qual cada peça contribui muito para o coletivo. Haverá espaço para o argentino na campanha pelo enea da Serie A e o tri europeu?

3 comentários

  • Uma pergunta sobre a Sampdoria: Praet era o ‘regista’ da trinca de volantes, ou jogava um pouco mais adiantado, na frente de Linetty ou Ekdal (e consequentemente ao lado de um deles)?

      • Valeu, Nelson! Perguntei porque o google sempre mostra Jankto, Ramirez ou até Defrel como trequartista nas informações do jogo, mas não dá pra confiar… Abraço

Deixe um comentário