Serie A

Sempre Spalletti

Spalletti, enquanto técnico da Roma, está à frente de nomes que fizeram história das mais variadas formas. De Capello, mentor do terceiro scudetto, a Shäffer, comandante do longínquo título da década de 1940. De Bianchi, que, ao contrário de sua passagem pelo Napoli de Maradona e Careca, não conseguiu mais que uma Coppa na capital, a Zeman, que, por sua vez, não colecionou títulos, apenas inúmeras batalhas que reacenderam uma rivalidade com a Juventus.

Pelo menos é o que dizem os (até a noite deste domingo) 5.398 romanistas que responderam à enquete “O maior técnico da história da Roma?” no site do quotidiano da torcida giallorossa, Il Romanista. À frente do técnico de Certaudo, apenas Liedholm, arquiteto do segundo scudetto e do vice-campeonato da Liga dos Campeões, ex-comandante de Falcão, Di Bartolomei e Conti.

Em que pese a favor do atual comandante, logicamente, os bons resultados recentes. O time de Spalletti pode ser azeitado ou previsível. E está mais do que provado que a análise depende mais da boa ou má vontade após algum resultado importante. A Roma que encanta a Europa nesta semana é a mesma que, há quinze dias, enfrentava sérios problemas de auto-confiança e parecia sempre mais próxima de alguma reformulação em seu elenco.

Totti e Aquilani: presente baseado no passado e no futuro

Se as impressões são efêmeras, é fato que a Roma com Spalletti obteve resultados acima das expectativas quando da contratação do técnico. Outro fato é que o caminho para que alguma conquista relevante nesta temporada torne-se armadilha – refreando assim um bom mercado no próximo verão europeu ou retardando treinamentos com alternativas táticas viáveis – é o mais fácil de ser trilhado.

Uma prova concreta daquele que traçou o simples e não foi feliz está em Milão. O ano de transição, sempre tão temido e atrasado, caiu como um baque e já é sentido no Milan. Outra vez, a dupla Berlusconi-Galliani deu velhos limões a Ancelotti, que os acolheu de bom grado e sem qualquer chiadeira. Ruim para Kaká, que se vê ilhado no meio da instabilidade que abate o time rossonero e faz aquela que provavelmente é sua pior temporada desde que chegou à Itália.

Mesmo assim, saiu dos seus pés a suada vitória sobre o Empoli, na Toscana. O brasileiro cruzou para Ambrosini marcar o segundo e anotou o terceiro, aproveitando-se de cruzamento de Paloschi. Pato também marcou: seu sexto gol na Serie A, em dez partidas. Gourcuff e Oddo, outra vez, provaram que não são nem sombra dos jogadores que eram em Rennes e Lazio, respectivamente. Já os azzurri, com as melhores chances no jogo, perderam Malesani, expulso, e viram sua luta contra ao rebaixamento ficar ainda mais preocupante – justo numa de suas melhores partidas no campeonato.

Ibrahimovic: maior craque do ano do centenário alcançou a vice-artilharia

Já a Inter bateu a rebaixável Reggina no jogo do centenário e manteve os seis pontos de vantagem sobre a Roma. Outra vez, a vitória foi creditada às contas de Júlio César e do árbitro Christian Brighi, que encontrou um pênalti inexistente para que Ibrahimovic abrisse o placar num momento em que os comandados do estreante Nevio Orlandi eram superiores. Em situação mais delicada que a dos amaranto, apenas o Cagliari, que levou a virada do Catania, no Angelo Massimino.

O Livorno também se complicou após perder o dérbi político com a Lazio. A extrema-direita bateu a extrema-esquerda com gols da dupla Rocchi-Pandev e encheu de esperanças o presidente Lotito, que declarou esperar ainda mais do time, mesmo antes do fim do campeonato. Uma boa seqüência, quem sabe, pode salvar o pescoço de Delio Rossi em junho. Outro time tradicional ensaia uma volta por cima ao apagar das luzes: Barone marcou o gol solitário da vitória do Torino sobre a Atalanta.

Da luta pela Europa, a Udinese desceu um degrau. Ao empatar com o Palermo, os friulani praticamente sepultaram suas chances de voltar à Liga dos Campeões no próximo ano. Caminho inverso fez a Juve, que, após uma má seqüência de resultados, reencontrou a vitória no Marassi. Em partida perfeita de Grygera (um gol, uma assistência e várias intervenções fundamentais na defesa), os comandados de Ranieri bateram o Genoa e voltaram a mirar uma situação mais cômoda na tabela.

Grygera: desta vez, quem decidiu foi o discutido defensor tcheco

Afinal, Maccarone cobrou falta com perfeição no fim do dérbi toscano e garantiu a vitória do Siena sobre a Fiorentina. Os viola, ainda na quarta colocação, ficam somente um ponto a frente do Milan, e quatro atrás da Juventus. Já o Siena se livra, pelo menos por enquanto, do bolo que deve lutar até o fim contra a queda. Este seleto grupo é integrado pelos seis últimos colocados do campeonato, e seu membro mais badalado se complicou de vez: o Parma caiu em casa para a Sampdoria e só não está na zona de rebaixamento por levar vantagem no confronto direto com o Empoli.

A Serie A retorna no próximo fim de semana, com a partida-chave entre Roma e Milan, no Olimpico. Até lá, as atenções estão voltadas para a Inter, que revê o Liverpool nesta terça para o retorno das oitavas-de-final da Liga dos Campeões.

2 comentários

  • Demais.

    O Ac Milan precisa ir com tudo pra

    cima da Roma.A última vez que

    ganhamos da Roma,em Roma,foi na

    temporada 2004/2005.Roma 0 Milan 2.

    Pirlo e Crespo marcaram.Não será um

    jogo fácil,porque a Roma está

    jogando muito,e fico feliz por este

    crescimento deles.Já a Inter contra

    o Liverpool,não acredito que

    vença.

  • A Roma que encanta a Europa nesta semana é a mesma que, há quinze dias, enfrentava sérios problemas de auto-confiança e parecia sempre mais próxima de alguma reformulação em seu elenco.

    Eu inclusive perdi a paciência com aquela Roma, porém como já pensava se tratava apenas de uma má fase devida a péssima condição atlética que é fundamental no esquema “spalettiano”. O time recuperou o jogo bonito quando acabaram os problemas físicos.
    Mesmo assim acho fundamental ter uma variante ao atual esquema e a chegada de um atacante que resolva com uma mágica nos momentos de crise.

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