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Maurizio Ganz, aquele que sempre marcava por Inter e Milan, mas não chegou à seleção

Neste domingo, o clássico de Milão será disputado como raramente tem sido nos últimos anos. Se, no primeiro turno, a Inter aplicou um 4 a 0 facilmente no Milan, dessa vez a fase rossonera é melhor e dificilmente o jogo será assim tão fácil. Apesar de toda a rivalidade no confronto, o derby della Madonnina tem um detalhe interessante, pois não é raro ver ex-jogadores de um time indo diretamente para o outro. Nas últimas dez temporadas, foram dez desses: Brocchi, Pirlo, Simic, Seedorf, Vieri e Favalli rumo ao Milan e Davala, Coco, Helveg e Guly para a Inter. No final da década de 90, uma transferência peculiar foi a de Maurizio Ganz.

Aos 17 anos, ele era um atacante da Sampdoria que começava a dar seus primeiros passos na carreira profissional. Já esperava-se muito do friulano Maurizio Ganz, alçado aos profissionais do time por Vujadin Boskov. Dois anos e dez jogos depois, foi emprestado ao Monza e ao Parma, nos quais viveu um ótimo momento na Serie B. Transferido para o Brescia, manteve a boa fase e garantiu o título de artilheiro da segunda divisão na temporada 1991-92, com 19 gols.

Ganz afirmou-se em Bérgamo. Comprado pela Atalanta no verão de 1992, marcou 29 vezes em suas três temporadas pelos nerazzurri, o suficiente para tornar-se uma aposta importante de Massimo Moratti para sua Internazionale, em seu primeiro ano como presidente. Foi muito bem pelo time nerazzurro, marcando 13 gols em sua temporada de estreia e seus números estiveram longe de decepcionar: mais 11 no ano seguinte pela Serie A, além de outros dez gols em copas europeias e três pela Coppa Italia.

Tudo mudou no decorrer da temporada 1997-98. Com a chegada de Ronaldo, vindo de uma temporada esplêndida no Barcelona, Ganz perdeu espaço. Gigì Simone o preteriu, preferindo Branca, Recoba e Zamorano para formar dupla com o fenômeno brasileiro. Longe de estar feliz, Ganz se mandou para o Milan em dezembro de 1997 e se vingou muito bem, marcando um dos gols da goleada no dérbi histórico que o Diavolo venceu por 5 a 0. No ano seguinte, Ganz’n’Roses ainda venceria seu único scudetto, sob o comando de Zaccheroni.

Em Milão, já o chamavam de “El segna semper lu”, ou, no dialeto milanês, “o marca [gols] sempre ele”. O apelido teria seus motivos. Entre 1995 e 2000 anotou vários gols, muitos deles decisivos, mas surpreendia que um dos melhores atacantes italianos nunca chegasse à seleção – foi convocado por Arrigo Sacchi uma vez, mas não entrou em campo. Ganz acabou provando como o mundo do futebol pode esquecer rapidamente. A Inter não fez questão de seu futebol para contar com suas estrelas internacionais. E o Milan faria o mesmo em janeiro de 2000. Com Bierhoff, Leonardo e Shevchenko titulares no tridente ofensivo, Ganz pediu e foi negociado com o Venezia. Um ano depois do título nacional, terminaria a temporada sendo rebaixado à Serie B.

Atacante saiu da Inter diretamente para o Milan (All Football)

A partir daí, a carreira de Ganz degringolou. Seu retorno à Atalanta não foi bem-sucedido, deixou a Fiorentina pela porta dos fundos e só pelo Ancona voltou a ter bons resultados, com a promoção para a Serie A em 2003. Ainda assim, o ano seguinte marcaria outro rebaixamento, seguido por passagens desastrosas em Modena, Lugano (segunda divisão suíça) e Pro Vercelli (quarta italiana). Um fim triste para aquele que passou metade da carreira com expectativas de chegar à seleção italiana, mas terminou sem tê-la conquistado.

Muito pelo contrário, aliás. O título mundial de seu currículo veio com a Padânia, seleção que defendeu na Copa do Mundo VIVA, um torneio entre times nacionais não-reconhecidos pela Fifa. O atual treinador dos juvenis do Masseroni Marchese, pequeno satélite do Milan, poderia ter alcançado mais na carreira. Mas para isso precisaria ter encontrado em Simone (Inter) e Zaccheroni (Milan), além de Maldini e Zoff, técnicos da Nazionale na época de seu auge, a mesma confiança dada por Boskov em seu início.

Maurizio Ganz
Nascimento: 13 de outubro de 1968, em Tolmezzo
Posição: atacante
Clubes: Sampdoria, Monza, Parma, Brescia, Atalanta, Inter, Milan, Venezia, Fiorentina, Ancona, Modena, Lugano-SUI e Pro Vercelli
Títulos: 1 Serie A (Milan, 1999)

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