Serie A

Em queda livre

Moral no chão: como será o restante da temporada da Juventus? (Reuters)

No início desta temporada, a Juventus era apontada por boa parte dos analistas do futebol italiano como a anti-Inter. A cúpula da diretoria bianconera preparava a temporada com esse mesmo pensamento e também esperava que a equipe brigasse com mais contundência pelo scudetto e, na Liga dos Campeões, o objetivo era chegar pelo menos às quartas. John Elkann e Jean-Claude Blanc, autoridades máximas no clube, permitiram que o diretor esportivo Alessio Secco gastasse cerca de 50 milhões de euros com Diego e Felipe Melo, que eram destaques de seus clubes. O problema crônico das laterais parecia praticamente resolvido, com as contratações de Cáceres e Grosso – ainda que o uruguaio tivesse sido pedido, ainda por Claudio Ranieri, como reforço para a zaga.

Por outro lado, o clube fazia apostas de risco. A primeira delas marcava o retorno de um envelhecido Cannavaro, que estava desgastado com a torcida desde que deixou a Juve após sua queda para a Serie B, em virtude do Calciocaos. O ex-melhor do mundo vinha de temporadas esquecíveis em Madri, mas chegaria a Turim para formar ao lado de Chiellini a dupla de zaga da seleção italiana, o que poderia vir a ser um ponto positivo ao longo da temporada. Embalada pelo sucesso de Pep Guardiola no comando do Barcelona, a direção resolveu manter Ciro Ferrara, bandeira do clube, como o técnico para toda a temporada. Pequenos riscos, mas que não faziam crer numa temporada catastrófica.

A guinada

Sem se anunciar, menos de seis meses depois, a catástrofe bianconera chegou com tudo. O paradigma mudou para a Juve, a começar pela vexatória eliminação precoce da Liga dos Campeões, jogando no próprio estádio Olímpico. Como se não fosse o bastante ficar atrás do Bordeaux, inferior tecnicamente, a Juventus recebeu uma goleada humilhante do Bayern de Munique, quando precisava apenas do empate para garantir a segunda vaga do grupo. Relegada à Liga Europa, parecia certo que a squadra de Vinovo iria intensificar seus esforços na Serie A, mas uma sequência de péssimos resultados está minando as chances de Ferrara e companhia.

A fase recente conta apenas uma vitória nos últimos seis jogos (dois deles pela Liga dos Campeões). Ironicamente, a única vitória no período veio justamente contra a Inter, no derby d’Italia, que na época foi vista como um divisor de águas na campanha juventina. Mesmo com a derrota para o Cagliari na semana anterior, o campeonato parecia reaberto.

Sem Buffon e Camoranesi, que devem ficar de fora pelo menos até meados de fevereiro, o time perde de uma vez dois de seus três melhores jogadores: os homens de confiança de Lippi, aquele de rastro sempre forte em Turim, haviam recuperado o futebol de seus melhores tempos. Ironicamente, só Buffon, que tem recuperado o brilho que o levou a ser considerado o melhor do mundo, tem um substituto confiável, o austríaco Manninger.

O terceiro grande nome da companhia é Chiellini, que jogará durante janeiro ouvindo especulações que o mandam ao futebol inglês. Para formar dupla com o zagueiro, Cannavaro é só sombra do que já foi, mas deve sua intocável titularidade a uma absurda carência do elenco: apenas Legrottaglie é opção para seu lugar. Cáceres, que poderia jogar por ali, se firmou na lateral-direita e é a única contratação que tem dado certo.

No ataque, havia quem dissesse no início da temporada que Trezeguet não teria espaço algum, mas o francês pôde dar a volta por cima depois das lesões que atacaram Del Piero e Iaquinta, além da péssima fase de Amauri. Se a discussão era sobre qual país o brasileiro atuaria na Copa do Mundo, hoje é complicado pensar sequer em uma convocação por Marcello Lippi. A temporada da Juve ainda não está perdida, mas já é catastrófica. Só um improvável scudetto salva.

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