Liga dos Campeões

Prazer, Champions League: me chamo Mauro Icardi

Se havia algo difícil de compreender no futebol italiano era o fato de Mauro Icardi não ter um jogo sequer de Champions League em sua carreira. Com um único lance, o argentino da Inter ratificou o quão absurdo era a sua Inter, por própria incapacidade, ficar de fora da competição e, de quebra, se apresentou em grande estilo. A partir de seu golaço, os nerazzurri recuperaram fôlego e conseguiram virar para 2 a 1 um jogo que parecia perdido contra o Tottenham.

A partida em San Siro acabou seguindo o mesmo roteiro que Inter e Tottenham escreveram em seus quatro encontros anteriores por torneios continentais: os mandantes sempre venceram, mas todos os duelos tiveram ritmo alto e muitas emoções. O primeiro jogo entre os times é lembrado até hoje, pelo fato de os nerazzurri terem vencido por 4 a 3 num dia marcado pelo hat-trick de Gareth Bale, mas aquela partida de 2010 ganhou uma concorrente à altura nesta terça. Afinal, a Inter não disputava a fase de grupos da Liga dos Campeões desde 2011, e voltou à competição levando cerca de 70 mil torcedores à loucura com uma virada no finalzinho.

Era esperado que Spalletti escalasse um esquema com três zagueiros para limitar Eriksen, Son e Kane, mas o treinador surpreendeu: três beques de origem de fato jogaram, mas Skriniar atuou como lateral direito no 4-2-3-1 nerazzurro. No centro da defesa, De Vrij e Miranda conseguiram isolar Kane na maior parte do jogo – na única vez que o inglês recebeu a bola, num passe magistral de Eriksen, Handanovic fechou o seu ângulo.

Na etapa inicial, a Inter conseguiu o domínio do campo e atacou com maior intensidade, mas finalizou muito pouco – e mal. Os Spurs foram mais agudos, mas também só acertaram um arremate, numa cobrança de falta perigosa de Eriksen. Aos 53 minutos de jogo foi o próprio dinamarquês que abriu o placar. Ele roubou a bola de Perisic na intermediária, arriscou de média distância e deu sorte no rebote de Handanovic: a bola acabou retornando para seus pés e sua segunda finalização, desviada em Miranda, encobriu o goleiro.

Com a desvantagem no placar, a Inter buscou o empate quase sempre em jogadas de Politano, o melhor em campo. Na mais aguda delas, aos 56, Vorm segurou a cabeçada de Perisic, que completava cruzamento do camisa 16. Spalletti, porém, não parecia satisfeito com a dupla e fez duas arriscadas substituições. Primeiro, sacou o croata e colocou Candreva para jogar pelo lado esquerdo, numa posição que não lhe convém. Não deu muito certo.

Vecino comemora, ao lado de Skriniar e De Vrij, o gol da vitória interista (Ansa)

Minutos mais tarde, o treinador inseriu Keita no lugar de Politano, que já estava cansado. O ex-jogador do Sassuolo não conseguia mais cobrir as subidas de Lamela e de Lucas Moura, que entrou no segundo tempo. Por ali, o argentino obrigou Handanovic a fazer duas defesas importantes, que mantiveram a Inter viva no jogo. E a equipe nerazzurra mostrou isso aos 85 minutos.

Brozovic carimbava todas as bolas no meio-campo, mas o empate saiu a partir de uma arrancada de Vecino. Ele acionou Asamoah, que corria pelo flanco esquerdo e já observava Icardi sozinho na meia-lua. O argentino, que estava muito isolado na frente, precisou deixar a área para receber uma bola boa – o suficiente para ele. O cruzamento do ganês saiu de bate-pronto e, com perfeição, encontrou Maurito, que acertou um lindo sem pulo e, no seu primeiro chute, anotou o primeiro gol na competição.

O empate acuou o Tottenham. Pochettino sacou Kane e colocou o lateral-esquerdo Rose para tentar fechar mais a defesa e só chamou a Inter para cima. Os nerazzurri tentaram buscar a virada motivados pela torcida e pelo fato de terem voltado à LC após sete anos graças a uma virada no final do jogo contra a Lazio, sua adversária direta pela vaga, na última rodada. E coube exatamente a dois personagens daquele partida darem os três pontos aos nerazzurri.

Após um momento de blitz, a Inter conseguiu um escanteio. Candreva cruzou, De Vrij ajeitou de cabeça e Vecino cabeceou no ângulo. Assistência do holandês, que atuava na Lazio e, já acertado com a Inter, acabou cometendo um pênalti no duelo, e gol do mesmo jogador que anotara o tento decisivo naquele 3 a 2. Aquela noite acabou com De Vrij chorando no banco de reservas e Vecino celebrando com os interistas que foram ao Olímpico. Hoje, os dois puderam extravasar juntos com a massa azul e preta que lotou o Giuseppe Meazza.

Com a virada, a Inter se junta ao Barcelona no topo do Grupo B, um dos mais difíceis da competição. Atrás da dupla, que tem três pontos, encontram-se PSV Eindhoven e Tottenham, zerados.

Atuação do Napoli deu sono até em Mertens (LaPresse)

Napoli tropeça na Sérvia e começa mal num dos grupos da morte

Enquanto a Inter estreou em grande estilo e deu um importante primeiro passo em busca de uma vaga nas oitavas de final, o Napoli já vê sua situação ficar difícil no Grupo C, após um 0 a 0 preocupante. Afinal, os azzurri não aproveitaram a derrota do Paris Saint-Germain para o Liverpool, em Anfield, e tropeçaram no Estrela Vermelha, adversário mais acessível do grupo.

O Napoli não costuma levar a melhor quando enfrenta times sérvios, é verdade. No sexto jogo oficial de sua história contra um time do país, empatou pela terceira vez – perdeu duas e venceu apenas uma, no início dos anos 1960. Apesar disso, deveria ter produzido muito mais contra o Estrela Vermelha (ou Crvena Zvezda, se você preferir), que embora já tenha sido campeão, em 1991, não disputava o torneio havia 26 anos.

A atuação em Belgrado foi abaixo da crítica e deixou a torcida com uma pulga atrás da orelha. Afinal, Ancelotti tem sofrido para fazer do Napoli um time eficiente no ataque, como era sob as ordens de seu antecessor. Enquanto Sarri lidera a Premier League com o Chelsea, o gabaritado treinador emiliano – que dirige sua oitava equipe diferente na Champions League –, não consegue fazer o time trocar passes e chegar à área adversária de forma natural.

No lendário estádio Marakana, a equipe da Campânia não conseguiu conseguiu romper a linha defensiva do Estrela Vermelha e foi muito improdutiva, sofrendo com as atuações ruins de atletas em todos os setores, mas especialmente de Zielinski, Milik e Ounas. Suas melhores oportunidades saíram em chutes de fora da área: acertou o travessão duas vezes, uma no primeiro tempo, com Insigne, e outra no segundo, com Mário Rui. O Napoli também desperdiçou a única chance que teve dentro da área, com Mertens. O recado que a partida deixa, no entanto, é um só: reformular conceitos.

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