Liga dos Campeões

Em dia de Mertens, Napoli neutraliza Messi, mas esbarra em Ter Stegen e fica no empate



Napoli e Barcelona entraram em campo na noite desta terça-feira no San Paolo, num encontro que levou, pela primeira vez, Messi até o estádio que foi o lar de Maradona por tantos e tantos anos. Também foi um dia histórico para Mertens, que se tornou o maior artilheiro da história azzurra, e para os treinadores. Afinal, o duelo colocou frente a frente dois estreantes em Liga dos Campeões: Gattuso e Setién.

O italiano escalou sua equipe no 4-1-4-1 e foi extremamente feliz em seu planejamento inicial, que explicaremos logo abaixo. Já o espanhol teve boas ideias, mas esbarrou em muitos problemas de execução. Estas acabaram sendo as chaves para o bom jogo do Napoli, que por pouco não bateu o temido Barcelona – ficou no 1 a 1.

O jogo começou com o Barcelona controlando a posse de bola, contando com Messi partindo como falso 9, mas recuando bastante para organizar as jogadas de sua equipe e alternando o funcionamento dos seus dois pontas, Griezmann e Vidal. Enquanto o francês buscava o centro do campo, para ocupar a zona deixada por Messi e liberar a ultrapassagem do lateral esquerdo, Vidal era a peça que oferecia amplitude pelo lado direito.

Imaginando a postura do Barcelona, Gattuso foi extremamente feliz em seu planejamento para a partida. Os partenopei entraram em campo no 4-1-4-1, com um bloco médio de marcação e uma ideia muito clara: oferecer espaço para os laterais do Barcelona receberem a bola em seu próprio campo e, posteriormente, aumentarem a intensidade dos duelos, com Insigne e Callejón muito combativos pelos lados e Demme cuidando da entrelinha, justo no setor em que Messi costuma ser mais decisivo.

Com uma boa coordenação nesses movimentos defensivos e com uma boa execução dos seus atletas, Gattuso viu sua equipe controlar a partida em quase toda a primeira parte. O Napoli marcava bem recuado e via o Barcelona trocar passes em campo ofensivo, mas não oferecia espaços no terço final do gramado.

Conforme os minutos foram passando, o Napoli foi além da boa entrega defensiva e do controle territorial pela negação de espaço. O time italiano começou a somar saídas bem elaboradas, com boas trocas de passes e uma participação muito importante de Ruiz nesse processo. Aos 30, Zielinski roubou uma bola pelo lado direito do campo de ataque, avançou e encontrou Mertens no bico da grande área, pelo esquerdo. O belga dominou, ajustou o corpo e acertou uma linda finalização no canto superior direito de Ter Stegen. Foi o seu gol de número 121 com a camisa do Napoli, o que significa que o baixinho igualou Hamsík como maior artilheiro da história do clube.

Na volta para a segunda etapa as duas equipes não tiveram mudanças. Gattuso não tinha mesmo motivos para trocar, já que sua equipe jogava tão bem, e Setién confiou em seu plano de jogo, buscando ajustes apenas através de conversa. Contudo, logo no comecinho da etapa complementar, Mertens recebeu uma entrada dura e acabou precisando ser substituído – Milik foi a campo – e, logo na sequência, o Barcelona trocou Rakitic por Arthur. Com essas duas mudanças, a dinâmica do jogo se alterou.

Sem Mertens para oferecer o combate inicial e com Arthur oferecendo maior dinamismo ao jogo do Barcelona, o duelo passou a ter outro panorama: a escolha do Napoli por oferecer espaço aos laterais num primeiro momento se tornou perigosa. Isso porque Arthur recebia em zona central e conseguia ativar Vidal pela direta e Firpo pela esquerda. O Barça ganhou maior poder de fogo, abriu o campo e começou a chegar com mais perigo, até que Griezmann igualou o placar. Busquets recebeu a bola na intermediária e fez um lindo passe para Semedo, que atacou as costas de Mário Rui. Então, só rolou para o francês empurrar para a rede.

Se a temporada do Napoli é bastante conturbada e decepcionante, as últimas semanas mostraram uma equipe com resquícios do trabalho do Sarri – em termos de qualidade para sair jogando – e também uma resposta dos jogadores ao estilo mais enérgico do Gattuso. Podemos perceber isso nas vitórias contra Inter e Juventus, e principalmente na metade final do segundo tempo do empate contra o Barcelona, quando o controle emocional do time poderia ter sofrido um abalo com o tento blaugrana, o que não aconteceu.

Mesmo pressionados, os jogadores do Napoli colocaram a bola no chão, respeitaram os pedidos do seu comandante e voltaram a jogar melhor que o Barcelona. Callejón ainda teve uma ótima oportunidade de fazer o segundo gol quando recebeu de Milik e saiu frente a frente com Ter Stegen. Contudo, o alemão acabou fazendo a defesa.

O duelo acabou mesmo empatado por 1 a 1, com um sentimento de que a vitória era possível para os mandantes. Mas, ao mesmo tempo, a partida mostrou que é possível competir contra esse Barcelona e que o Napoli tem os atributos táticos e técnicos necessários para avançar. Não será fácil, os atletas precisarão mais uma vez surpreender a todos, mas os partenopei estão vivos na eliminatória.



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