Serie A

29ª rodada: golaços da Juventus e chocolate da Inter se destacaram na semana italiana



O script não fugiu do planejado. Na 29ª rodada da Serie A, as quatro equipes que ocupam as primeiras posições na tabela justificaram o favoritismo em seus confrontos e nada mudou nessa parte da tabela – a rigor, em toda a classificação, as alterações foram irrisórias. Entre os destaques da jornada, ficam os momentos de beleza mostrados por Juventus, Inter e Atalanta, além dos tropeços de Milan e Roma e os acirrados confrontos diretos entre Verona e Parma e Bologna e Cagliari. Confira nosso resumo.

Genoa 1-3 Juventus

Gols e assistências: Pinamonti (Biraschi); Dybala (Cuadrado), Ronaldo (Pjanic) e Douglas Costa (Dybala)
Tops: Dybala e Bentancur (Juventus)
Flops: Masiello e Cassata (Genoa)

A Juventus ainda não fez uma partida de excelência desde a volta do futebol na Itália, mas continua sólida e, dessa vez, aumentou a quantidade de momentos grandiosos. Os bianconeri não correram risco algum contra o Genoa, dominaram a partida graças a uma atuação primorosa de Bentancur no meio-campo e contaram com três lindos gols para se manterem na liderança. Por sua vez, os genoveses continuam um ponto acima da zona de descenso.

Depois de um primeiro tempo morno, no qual a Juventus ameaçou com bombas de Ronaldo – num prelúdio do que estava por vir –, os visitantes só abririam o placar após genialidade de Dybala, tal qual ocorrera contra o Lecce. Aos 50, o argentino recebeu na entrada da área, deixou quatro adversários na saudade e finalizou sem oferecer chances a Perin. Seis minutos depois, outro chute indefensável saiu do pé direito de Cristiano e estufou as redes do arqueiro. O terceiro, também de fora da área, foi ainda mais bonito: Douglas Costa colocou muita curva na bola e o ex-goleiro da Juve nem pulou, porque não chegaria nela. O jogo já estava decidido, mas ainda houve tempo para Pinamonti descontar para os rossoblù.

Torino 1-2 Lazio

Gols e assistências: Belotti (pênalti); Immobile (Luis Alberto) e Parolo
Tops: Luis Alberto e Acerbi (Lazio)
Flops: Verdi e Ansaldi (Torino)

A Lazio está se especializando em viradas para continuar à caça da Juventus. O Torino, rival citadino da Velha Senhora, foi um duro adversário para o time da capital e fez um duelo equilibrado: foi só após a metade do segundo tempo que os celestes conseguiram reverter a desvantagem, que durava desde os primeiros minutos. Com o placar, nada muda no topo da tabela: a distância para a Juve segue de quatro pontos.

Logo aos 4 minutos, o Torino conseguiu um pênalti por um toque de mão de Immobile. Belotti guardou, mas depois disso foi parar no bolso de Acerbi, que anulou seus movimentos subsequentes. Não parecia ser o dia do artilheiro do campeonato, que ainda no primeiro tempo perdeu um gol cara a cara com Sirigu. Aos 48, porém, Ciro recebeu um passe açucarado de Luis Alberto e chegou a seu 29º tento na Serie A, igualando o recorde da Lazio, que ele mesmo estabeleceu em 2018. Depois do empate, a partida seguiu truncada no meio-campo, com leve vantagem laziale. Aos 72, a primazia resultou na virada que decretou o placar final: o capitão Parolo anotou seu primeiro nesta temporada ao chutar forte e ver o desvio em Bremer deslocar o arqueiro do Toro.

Sánchez foi o principal nome da vitória por goleada da Inter ante o Brescia (Getty)

Inter 6-0 Brescia

Gols e assistências: Young (Sánchez), Sánchez (pênalti), D’Ambrosio (Young), Gagliardini (Sánchez), Eriksen e Candreva (Eriksen)
Tops: Moses e Sánchez (Inter)
Flops: Mateju e Zmrhal (Brescia)

Após duas atuações negativas contra os qualificados Sassuolo e Parma, a Inter de Conte enfrentou o fraco Brescia de Diego López e teve uma performance à altura de sua história. A goleada da Beneamata foi uma das maiores do campeonato, ficando atrás apenas das três vitórias por sete gols que a Atalanta aplicou sobre Udinese, Torino e Lecce. Os resultados não alteraram as posições das equipes na tabela: os nerazzurri continuam em terceiro e os brescianos ocupam a lanterna.

A Inter encaminhou a vitória no primeiro tempo, com show de três jogadores com passagens pela Inglaterra. Enquanto Sánchez articulava pelo meio, deixando a área com frequência para confundir a marcação, Moses e Young superavam adversários pelos flancos e acrescentavam grande volume de jogo. Os três gols saíram dessa forma, com maior ou menor participação do trio.

Após o intervalo, já em ritmo de treino, a Beneamata continuou trabalhando os mesmos mecanismos, ainda que com algumas peças diferentes, como Agoumé, Lukaku, Eriksen e Candreva, que entraram no decorrer do jogo. A vitória foi elástica, serviu até para a redenção do contestado Gagliardini e poderia ter sido ainda maior, não fossem duas defesas de Joronen e o travessão.

Atalanta 2-0 Napoli

Gols e assistências: Pasalic (Gómez) e Gosens (Rafael Toloi)
Tops: Gómez e Rafael Toloi (Atalanta)
Flops: Di Lorenzo e Mertens (Napoli)

Em mais uma ótima prestação coletiva, a Atalanta bateu o Napoli com tranquilidade e ampliou a boa vantagem sobre o adversários por uma vaga na Liga dos Campeões: com 60 pontos, tem 12 a mais que a Roma, quinta colocada. Os partenopei, na sexta posição, se encontram numa espécie de limbo. Já classificados à Europa League, em virtude da taça da Coppa Italia, estão 15 pontos atrás dos nerazzurri, quartos colocados.

Antes do jogo em Bérgamo, Gattuso já estava ciente de que a reta final da Serie A ficaria reservada a experiências e à preparação para o jogo de volta contra o Barcelona, pelas oitavas de final da Champions League. Nesse sentido, seu time fez um primeiro tempo positivo. Mais exatamente, resistiu ao futebol ofensivo da Atalanta por 48 minutos, com boa postura defensiva, até Di Lorenzo atrapalhar Ruiz numa saída de bola, “desarmar” o companheiro e não cobrir Pasalic na sequência da jogada.

A assistência de Gómez – a 15ª no campeonato – coroou sua partida dominante no meio-campo, seja em fase ofensiva quanto defensiva, e mais uma vez nos remete ao trabalho tático feito por Gasperini. Por sua vez, o segundo tento, aos 55 minutos, mostrou a essência do futebol do treinador, com progressão do zagueiro Rafael Toloi ao ataque, rápida troca de passes e entrada do ala Gosens na área, para a finalização. O alemão alcançou a incrível marca de nove gols na Serie A; 10 somando todas as competições.

Gómez lidera a classificação de assistências da Serie A: contra o Napoli, fez mais uma ótima partida (LaPresse)

Roma 0-2 Udinese

Gols e assistências: Lasagna (De Paul) e Nestorovski (De Paul)
Tops: Musso e De Paul (Udinese)
Flops: Perotti e Bruno Peres (Roma)

Em 2020, a Roma vai vendo uma temporada promissora se esfacelar. A campanha começou promissora, com bom futebol praticado pela equipe de Paulo Fonseca, mas os resultados começaram a desaparecer na virada de ano, em concomitância com uma severa crise de bastidores: uma passagem de bastão que não acontece nos bastidores, a fritura de diretores e a falta de rumo no planejamento afetam diretamente o futebol da equipe. Faz até com que Perotti seja escolhido como capitão do time.

Tudo bem, o meia-atacante argentino usou a braçadeira contra a Udinese porque era o jogador mais antigo do elenco que foi escalado, uma vez que Fonseca optou por poupar Dzeko. Perotti não correspondeu à responsabilidade que a função exigia e, no fim do primeiro tempo, foi expulso por fazer uma falta dura em Rodrigo Becão. No primeiro turno, os capitolinos também jogaram com um a menos, mas golearam a Udinese no Friuli. Dessa vez, o roteiro foi bem diferente.

Àquela altura, a Roma já perdia. Estranhamente, a equipe giallorossa não pressionava a saída de bola adversária e sofria nos contra-ataques – forma que os bianconeri encontraram para anotar seus dois gols no jogo. Até mesmo o fraco atacante Teodorczyk incomodava em contragolpes. Do outro lado, sempre que exigido, Musso respondia com a segurança que o colocou na mira da Inter e ajudou a garantir três pontos que podem ser vitais para a eventual permanência das zebras na elite.

Spal 2-2 Milan

Gols e assistências: Valoti (Dabo) e Floccari (Dabo); Rafael Leão e Vicari (contra)
Tops: Dabo (Spal) e Rafael Leão (Milan)
Flops: D’Alessandro (Spal) e Gabbia (Milan)

O Milan havia feito boas partidas desde a retomada da Serie A, mas mostrou notório retrocesso no gramado do estádio Paolo Mazza, em Ferrara. O time de Pioli sofreu com problemas defensivos e, mesmo com um jogador a mais durante parte considerável do jogo contra a Spal, não conseguiu produzir o suficiente para superar a defesa da penúltima colocada. O gols achados no final acabaram sendo suficientes para que os rossoneri mantivessem a sétima posição, que dá direito a uma vaga na Liga Europa.

A Spal abriu o placar aos 13 minutos, depois de uma confusão generalizada na pequena área do Diavolo. Nenhum dos oito defensores naquela zona foi capaz de cortar a bola que ficou pererecando e Valoti aproveitou para inaugurar o marcador. Os estensi ampliaram aos 30, com uma pérola de Floccari: Kessié lhe deu espaço e ele encobriu Donnarumma.

A sorte parecia mesmo a favor dos spallini quando o Milan diminuiu, mas teve seu gol anulado por impedimento. Só que D’Alessandro abusou da maré positiva e entrou duro sobre Hernandez. O cartão vermelho não facilitou a vida dos rossoneri, já que Di Biagio montou uma boa linha defensiva. Lucas Paquetá, Saelemaekers e Rafael Leão eram os mais ativos na busca pela desestruturação do ferrolho biancazzurro – objetivo atingido apenas aos 79 minutos. Os mandantes tinham sete jogadores na área, mas nenhum marcava Leão, que aproveitou uma sobra de bola e marcou. Aos 94, o capitão Vicari se assustou ao cortar um cruzamento inócuo e foi o autor de um dos gols contras mais bizarros do ano. Pobre Spal.

Surpreendente, a Udinese venceu a Roma em pleno Olímpico (Getty)

Verona 3-2 Parma

Gols e assistências: Di Carmine (pênalti), Zaccagni e Pessina (Verre); Kulusevski (Cornelius) e Gagliolo
Tops: Zaccagni (Verona) e Kulusevski (Parma)
Flops: Dawidowicz (Verona) e Karamoh (Parma)

Verona e Parma se notabilizaram pelas suas defesas sólidas, mas no confronto direto entre as equipes, que brigam por uma vaga na Liga Europa, ambas as zagas foram superadas pelos ataques dos adversários. Não exatamente por questões sistêmicas, é verdade, mas por jogadas individuais e contragolpes. Com mais episódios favoráveis na peleja, o Hellas levou a melhor e encostou no Milan, sétimo colocado. Os crociati dividem a nona posição com o Cagliari.

Os visitantes tiveram a seu favor um dos maiores talentos do campeonato: Kulusevski. O sueco participou dos dois gols, ambos com rapidez nos movimentos e chutes precisos. Depois de sair em vantagem, porém, o Parma viu Rrahmani acertar o travessão e Di Carmine empatar no fim do primeiro tempo, em cobrança de pênalti. Zaccagni, que entrou após o intervalo, respondeu a Kulusevski com a melhor jogada individual da partida e virou com ótima finalização. Gagliolo chegou a empatar novamente e o jogo ficou aberto, com uma boa chance para cada lado. Até que, aos 81 minutos, num contragolpe veronês, o atacante Karamoh falhou na cobertura, perdeu para Verre e permitiu que o meia acionasse Pessina, que chutou forte e deu números finais ao marcador.

Bologna 1-1 Cagliari

Gols e assistências: Barrow; Simeone (Nainggolan)
Tops: Barrow (Bologna) e Carboni (Cagliari)
Flops: Schouten (Bologna) e Mattiello (Cagliari)

Pelo retrospecto histórico e pela forma recente dos dois clubes, o empate era o resultado mais provável para o duelo entre Bologna e Cagliari. O que, se o Milan vencesse a Spal, seria o pior dos mundos para ambos os rossoblù. Como o Diavolo tropeçou, a paridade não foi tão ruim: bolonheses e sardos continuam vivos na busca por uma vaga europeia, com 38 e 39 pontos, respectivamente. Os rossoneri, na sétima posição, têm 43.

O empate foi levemente mais favorável ao Cagliari, que soube resistir à pressão do Bologna e não criou tanto na partida: além do gol de Simeone, no princípio do segundo tempo, só foi digno de nota um chute forte de Nainggolan, nos primeiros minutos. Os donos da casa pressionaram na etapa inicial, mas o placar só foi inaugurado pouco antes do intervalo, por Barrow. O gambiano voltou a ser grande nome dos felsinei num jogo, tal qual no fim de semana, e travou um duelo particular com Cragno e a defesa do Cagliari. Contudo, não conseguiu fazer os veltri voltarem a ter a vantagem no duelo, que terminou em paridade, para desgosto do técnico Mihajlovic.

A vitória da Sampdoria sobre o Lecce foi tão chorada quanto valiosa (Insidefoto)

Lecce 1-2 Sampdoria

Gols e assistências: Mancosu (pênalti); Ramírez (pênalti) e Ramírez (pênalti)
Tops: Mancosu (Lecce) e Ramírez (Sampdoria)
Flops: Paz (Lecce) e Thorsby (Sampdoria)

Lecce e Sampdoria faziam o confronto mais delicado da rodada, uma vez que estava em jogo a luta pela permanência na elite. Numa partida em que a cautela parecia falar mais alto, a imprudência dos defensores gerou uma situação insólita: três penalidades, todas elas convertidas, e que deram o triunfo aos visitantes. O time de Ranieri, agora com 29 pontos, respira. Os comandados de Liverani, com 25, continuam ocupando a 18ª posição, que abre a zona de rebaixamento.

Houve pouco de interessante no gramado do Via del Mare na noite de quarta. O Lecce buscou mais um pouco o jogo do que a Sampdoria, mas Audero se mostrou atento quando exigido. Tudo se decidiu a partir da marca da cal, através do infalível Mancosu e de Ramírez. O uruguaio da Samp foi bem na segunda cobrança, mas levou muita sorte na primeira: Gabriel defendeu com mão trocada, a bola subiu com efeito, tocou no travessão e entrou. Um gol tão esquisito quanto o desempenho blucerchiato nos últimos meses.

Fiorentina 1-3 Sassuolo

Gols e assistências: Cutrone (Duncan); Defrel (pênalti), Defrel (Djuricic) e Müldür
Tops: Defrel e Djuricic (Sassuolo)
Flops: Castrovilli e Chiesa (Fiorentina)

Numa melancólica noite num Franchi vazio, a Fiorentina teve uma visão daquilo que poderia ter: o futebol do Sassuolo. De Zerbi, técnico dos neroverdi, que nessa semana renovou seu contrato até 2021, tem justamente o estilo de jogo adequado ao atual elenco violeta e buscado pelo presidente Commisso. Mas, ao menos por enquanto, isso ficará só na imaginação e a equipe toscana se contentará com outra temporada no meio da tabela. Os emilianos, por sua vez, ganharam algum terreno na disputa por uma vaga na Liga Europa por conta da vitória, somada ao tropeço do Milan.

Com a bola rolando, o time visitante teve amplo domínio do meio-campo, com Djuricic, Magnanelli, Locatelli e Boga, e só sofreu defensivamente em três ocasiões: quando Chiesa perdeu gol feito, Pezzella acertou a trave e, já no fim, com o desconto por parte de Cutrone. No restante do jogo, os neroverdi tiveram uma gestão inteligente da posse, agrediram em rápidos contra-ataques e se aproveitaram da atuação desastrosa de Castrovilli, que cometeu um pênalti e falhou feio ao entregar a bola para Müldür no terceiro gol.

Seleção da rodada

Musso (Udinese); Moses (Inter), Rafael Toloi (Atalanta), Bonucci (Juventus), Young (Inter); Djuricic (Sassuolo), Bentancur (Juventus), Gómez (Atalanta); Dybala (Juventus), Ronaldo (Juventus), Sánchez (Inter). Técnico: Gian Piero Gasperini (Atalanta).



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