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Para crianças e adultos: as histórias dos mascotes dos clubes italianos

Assim como no Brasil, as equipes italianas também costumam utilizar animais e outros símbolos no intuito de aproximar seus torcedores à instituição. Muitas vezes, esse processo se dá pela humanização de símbolos locais e/ou presentes nos escudos dos clubes. Para você não ficar perdido, a Calciopédia preparou uma lista com as mascotes das principais equipes da Bota e contou um pouco da história de cada uma. Confira a seguir.

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As gigantes

Inter: biscione

(Wikipedia)

A serpente se tornou parte da Inter no ano de 1929, quando o regime fascista obrigou a Beneamata a fazer algumas mudanças institucionais. A equipe passou a se chamar Ambrosiana e lançou um novo emblema, com o feixe de madeira do regime no centro e outros dois escudos. Um deles era o símbolo da cidade de Milão; o outro, um distintivo com uma espécie de serpente azulada, chamada biscione. A grande víbora retrata a família Visconti, uma das fundadoras do antigo ducado milanês, e se tornou símbolo da Inter com o passar dos anos.

Juventus: zebra

(imago)

A princípio, a mascote associada à Velha Senhora era um touro, por ser também o símbolo da cidade de Turim. No entanto, em 1929, a Juventus lançou um novo emblema com uma zebra sobre duas patas, feito pelo designer Carlo Bergoglio. O animal tem listras brancas e pretas por todo seu corpo e, apesar de não ser nativo da Itália, foi escolhido para representar a Juventus por conta da evidente semelhança cromática.

Em 2015, o clube transformou a zebrinha em seu mascote oficial ao dar vida a Jay, que anima a torcida antes e durante as partidas. Curiosamente, durante os anos 1980 e 1990, a agremiação de Turim fugiu completamente da sua heráldica tradicional e teve como mascote o cachorrinho bianconero Giampi, em homenagem ao ídolo Giampiero Boniperti.

Milan: diabo

(imago/AFLOSPORT)

O diabo se tornou símbolo do Milan logo na origem do clube, por sugestão de Herbert Kiplin, jogador e também um dos fundadores do clube. Em 1899, Kiplin jogava pelo Torino e, naquela temporada, perdeu o título italiano para o Genoa. Ao final da partida decisiva, o inglês teria avisado à Pasteur, capitão do Genoa, que aquela seria o último título dos grifoni, pois ele estava de mudanças para Milão e pretendia fundar uma equipe de diabos, que fosse forte e temível. Daí veio a comparação ao sete-peles, que em muitos contextos recebe uma conotação negativa – mas não no caso do Milan. Em 2006, o clube finalmente oficializou a criatura como mascote ao criar Milanello, diabinho que anima a torcida em San Siro.

As grandes

Roma: loba

(Pacific Press)

A Roma leva o nome e as cores da cidade, e sua mascote não podia fugir disso. O clube resgatou a lenda da fundação da Cidade Eterna para escolher a loba como seu símbolo. A história conta que os irmãos Rômulo e Remo, filhos do deus Ares, foram jogados no rio Tibre ainda quando crianças e acabaram sendo criados por uma loba, que os encontrou às margens do curso d’água. Quando adultos, os irmãos seguiram o presságio de seu avô, o rei Numitor, e fundaram Roma. Em 1999, o clube criou Romolo, um lobinho que entretém o público no Olímpico, e o repaginou 20 anos depois.

Lazio: águia

(ESPA)

Em 1904, o segundo presidente da Lazio, Fortunato Ballerini decretou que a águia fosse símbolo oficial do clube. A escolha foi feita por associação ao Império Romano, que tinha a ave de rapina como ícone de suas forças armadas, por representar o poder e a prosperidade daquela civilização. Em 2010, o presidente Claudio Lotito comprou uma águia-careca para o clube, que sobrevoa o gramado do Olímpico antes de todas as partidas da Lazio. A mascote foi abraçada pela torcida e ganhou o nome de Olimpia.

Napoli: burro

(imago)

Fundado em 1922, o Napoli tinha como seu primeiro escudo um cavalo da raça persano ao centro de um círculo oval. O animal foi escolhido pelos fundadores, pois era o símbolo da cidade e do antigo Reino das Duas Sicílias. Quando debutou na elite do futebol italiano, o Napoli somou um único ponto no Grupo A, perdendo todas as partidas exceto o duelo com o Cagliari, que terminou 0 a 0. Depois da campanha desastrosa, se popularizou um ditado na cidade, que dizia que o tal cavalo de Persano estava mais para um burrinho despojado. Dali em diante, o asno foi abraçado pela torcida e até hoje é símbolo do Napoli. No início dos anos 1980, o bicho chegou a ser utilizado como escudo do clube.

Fiorentina: leão

A Viola sempre utilizou como símbolo a tradicional flor-de-lis, presente em seu escudo e na heráldica de Florença. Contudo, em 2020, a direção do clube organizou uma votação popular nas redes sociais, para eleger um animal que representasse a equipe: como resultado da votação, foi escolhido um leão, desenhado por Luca Pineli.

Torino: touro

(Sportimage)

Talvez o mascote mais óbvio da lista. A equipe granata tem no seu escudo o mesmo touro do brasão oficial da cidade de Turim. Conforme o dito popular, nos arredores da cidade havia uma serpente que aterrorizava os habitantes e viajantes que ali chegassem. Um dia, o touro que vivia na cidade decidiu enfrentar o monstro e, ao derrotá-lo, liberou a cidade da maldição e passou a ser símbolo da cidade. O Torino foi além e colocou o ícone dentro de seu estádio, ao construir uma estátua do animal em frente à célebre Curva Maratona, onde ficam as organizadas.

Sampdoria: o marinheiro Baciccia

(Sportimage)

A silhueta no escudo da Sampdoria não é a de um homem qualquer, com um cabelo bagunçado e um cachimbo na boca. Aquele é Baciccia, um marinheiro que representa uma das maiores cidades portuárias da Itália. Baciccia é um diminutivo de Battista, sobrenome bastante comum na região da Ligúria. O nome do mascote também é uma homenagem a Giovan Battista Perasso, um importante rebelde genovês que liderou o movimento de expulsão das tropas do império austríaco da região, em 1746.

Genoa: grifo

(AFP/Getty)

O Genoa também foi buscar inspiração na mitologia antiga para escolher sua mascote. O time mais velho da Itália é representado pelo grifo, uma criatura híbrida, com corpo de leão e cabeça de águia, que também é mostrada no brasão da cidade. O ser mitológico é mencionado no hino oficial do clube e sempre aparece em bandeiras e camisetas dos ultras, na Curva Nord do Marassi. O mascote oficial rossoblù se chama Grifo – diminutivo de grifone, como o ser é conhecido na língua italiana – e já recebeu algumas versões em pelúcia, sendo a mais recente de 2019.

Bologna: leão

(Bologna FC)

Em um caso semelhante à Fiorentina, o Bologna também adotou um leão recentemente como símbolo do clube. A mascote foi idealizada com a participação de torcedores mirins e recebeu o nome de Nettuno, em homenagem a um dos cartões postais da cidade, a Fontana de Nettuno. O animal até segura o tridente que típico do deus da mitologia greco-romana.

As outras equipes

Atalanta: a ‘deusa’ Atalanta

(Joma)

A mascote dos bergamascos é a mesma que dá nome ao clube. Os fundadores foram buscar inspiração na mitologia grega e escolheram a princesa da velocidade para retratar o clube, que à época era mais voltado para o atletismo. A proposta era fazer uma analogia entre os seus atletas e a heroína grega, que era considerada como uma das caçadoras mais rápidas da Grécia clássica. Apesar de não ser uma deusa, a equipe acabou sendo apelidada como Dea – palavra que, em italiano, significa “deusa”.

Udinese: zebra

(Wikipedia)

Quando fundada, em 1896, a Udinese se apropriou do brasão da cidade: uma espécie de retângulo branco com um V em preto. Apesar de ter sofrido algumas alterações no escudo, o branco e o preto sempre permaneceram, o que explica a alcunha de primeiro bianconero da Itália, dada ao time friulano. Por causa das cores e das listras finas, a Udinese passou a ter as zebras como animal associado ao clube, o que também acontece também com os alvinegros de Turim. Nos anos 1970, a equipe de Údine chegou a usar o equídeo africano em seu escudo.

Parma: o cavaleiro cruzado

(Parma Calcio 1913)

A cidade de Parma tem em seu brasão a cruz típica do ducado homônimo que compreendia a região da comuna e seus arredores. Pela resistência a diversas invasões de reinos estrangeiros durante a Idade Média e a Idade Moderna, a bravura dos cavaleiros e dos soldados virou motivo de orgulho dos cidadãos parmenses. Como é de praxe na Itália, o símbolo da cidade passou ao futebol e o caráter bélico da cidade emiliana foi transportado para o clube, apelidado de crociato – ou cruzado, em português. Em 2020, após frustradas tentativas de emplacar uma vespa como mascote gialloblù, o Parma se rendeu às referências locais e deu vida ao simpático cavaleiro Crozè.

Verona: escada

(Calcio Hellas)

O Verona tem dois símbolos em seu escudo – ambos históricos para a terra de Romeu e Julieta. O primeiro são os mastins; o segundo, a escada: eles aludem a Mastino della Scala, um dos senhores que comandaram a cidade no século XIII. Apesar de ser mais plausível imaginar que o mascote dos butei seria um cachorro, o clube adotou a famosa escada (“scala”, em italiano), desenhada por crianças de uma escola primária, que venceram um concurso promovido pela agremiação. O seu nome é Zeno, em homenagem ao santo que intitula a basílica local.

Pescara: golfinho

(Divulgação)

O caso do Pescara é mais um daqueles em que o clube utiliza símbolos da cidade. Fundado em 1936, o time tem o branco e o azul como suas cores principais e como mascote, adotou o golfinho, animal que habita as águas do Mar Adriático.

Benevento: bruxa

(Divulgação)

Benevento é popularmente conhecida como cidade das bruxas. Por isso, nada mais justo do que estampar uma no escudo do time de futebol da cidade. O motivo dessa alcunha? Os vários ritos cultuados pelos longobardos na região, durante a Idade Média, que eram vistos pelos cristãos como um tipo de bruxaria herege.

Crotone: tubarão

(Stretto Web)

O Crotone, além de ser conhecido como time pitagórico, por conta da histórica presença do filósofo Pitágoras na cidade, também tem os tubarões – habituais nas águas salgadas da Calábria – como símbolo. Na temporada 1998-99, o time lançou um novo escudo, com dois tubarões ao entorno do trípode de prata, símbolo da cidade. O nome oficial do mascote é PaSqualo, um trocadilho com o nome Pasquale e a palavra squalo – que, em italiano, significa tubarão.

Frosinone: leão

(Wikipedia)

O leão do emblema da cidade de Frosinone passou ao escudo do clube e também foi transportado para a criação do óbvio mascote dos gialloblù. Em 2007-08, a agremiação do Lácio criou Lillo, o leãozinho que diverte a criançada desde os tempos em que o time mandava seus jogos no antigo estádio Matusa, trocado em 2017 pelo moderno Benito Stirpe.

Bari: galo

(Sky Sport)

Quando o Bari foi refundado, em 1928, a torcida escolheu o galo como animal que simbolizaria o clube. Os motivos alegados eram a vivacidade do animal, que além de tudo está sempre pronto para a luta. No mesmo ano, o famoso cartunista Carlin desenhou o primeiro modelo do mascote, que figurou no escudo da agremiação em diversas ocasiões.

A mais famosa versão do galinho no emblema do Bari surgiu em 1979, durante a gestão da família Matarrese, por obra do designer Piero Gratton. O artista se baseou em formas geométricas para criar o escudo, que se tornou o mais apreciado pela torcida e acabou sendo utilizado até 2014. Até hoje, é bem comum ver torcedores fantasiados como a ave ou até vê-la presente – e cheia de adornos – no próprio estádio San Nicola, como na foto acima.

Brescia: leoa

(Brescia Calcio)

Nas guerras que resultaram na unificação italiana, a cidade de Brescia resistiu aos ataques austríacos e ganhou o apelido de “Leoa da Itália”, em 1849. Pouco mais de um século depois, o Brescia recorreu à simbologia e à heráldica da comuna ao escolher um leão em posição de ataque e um chevron para ostentar em seu primeiro escudo. A leoa também virou mascote da equipe biancoazzurra.

Modena: canário

(Gianluca Di Marzio)

Em 2012, o Modena criou um mascote com base em seu apelido: são conhecidos como os canários. Dali surgiu Ghirlo, passarinho cujo nome é inspirado na Torre Ghirlandina, campanário da cidade.

Palermo: águia

(Divulgação)

A águia é o símbolo da cidade de Palermo e estampou o escudo do clube local pela primeira vez em 1932, ano de sua estreia na Serie A. No fim dos anos 70 e início dos 80, uma ave negra com colar rosa, inserida num retângulo verde – alusivo ao gramado – integrou o emblema dos sicilianos. Na gestão de Maurizio Zamparini, surgiu a mascote Kurò, uma águia com a coroa do reino das Duas Sicílias.

Catania: elefante

(ITA Sport Press)

A famosa Fonte do Elefante, ponto turístico de Catania, fez com que o clube da cidade adotasse o paquiderme como seu símbolo – presente, inclusive, no escudo. Em 2014, uma enquete escolheu o nome de Agatino para o mascote dos etnei.

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