Serie A

O problema Cassano

No último domingo, dia 22, Marcello Lippi anunciou os convocados para os jogos contra Montenegro e Irlanda, pelas Eliminatórias Européias para a Copa de 2010. Foram três novidades na lista do técnico italiano: o zagueiro Bocchetti, o lateral Motta e o atacante Pazzini. Apesar dos três novatos na seleção azzurra, o fato que mais repercutiu na imprensa italiana foi a não-convocação do atacante blucerchiato Antonio Cassano.

Em enquete do site La Gazzetta Dello Sport, com mais de 40 mil votantes, 80% dos internautas votaram a favor da convocação de Cassano, mas mesmo assim Lippi foi contra a corrente e não chamou o ex-romanista, que já marcou oito gols na Série A e é considerado um dos melhores atacantes da temporada, por boa parte da imprensa. Curiosamente, Pazzini, seu companheiro de ataque na Sampdoria, foi o escolhido para substituir Luca Toni, lesionado, e, com certeza, Cassano é um dos principais responsáveis por essa convocação, já que vem fazendo uma boa temporada e vem chamando a atenção não só para si, como também para o resto da squadra e, principalmente, para seu companheiro de ataque.


Durante a semana, Cassano declarou que Lippi tinha prometido convocá-lo, caso estivesse jogando bem, e não foi o que aconteceu. Logo começou a troca de farpas e, agora, o atacante preterido pela Juventus deve estar mais distante ainda da seleção, pois é exatamente esse seu comportamento extracampo que o técnico azzurro condena. Desde o quarto título mundial, em 2006, Marcello Lippi conta com a confiança dos jogadores campeões e pretende continuar com um grupo tão unido quanto aquele, e para isso não conta com Cassano no seu elenco.

Aqui no Brasil, estamos acostumados a situações parecidas. Não nos contentamos apenas com vitórias, gostamos de ver a seleção jogando bem acima de tudo. Porém, não é essa a preocupação principal dos técnicos, que, prezando pelo bem-estar do grupo, não chamam os jogadores aclamados pela torcida. É mais ou menos assim que Lippi pensa. Cassano pode ser bom para o futebol, mas não necessariamente para a Itália.

Assim, Lippi pode estar perdendo não só a oportunidade de se tornar o treinador que conseguiu domar o craque, mas também a chance de arrumar o ataque italiano, que ainda sente a falta de Totti. Contudo, Marcello Lippi parece não se abalar e diz que não vai ceder à pressão da imprensa e da torcida, até porque provavelmente vai ganhar as duas próximas partidas das Eliminatórias e continuar na primeira colocação do Grupo 8. A Itália joga logo mais, às 16h45, contra a seleção montenegrina e no dia da mentira, 1º de abril, enfrenta a seleção da Irlanda. Os próximos jogos das eliminatórias são só em junho, quando saberemos se Cassano será manchete por causa da sua convocação ou por, mais uma vez, ter ficado de fora da lista.

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