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Michel Platini, o rei de Turim

Quando foi tirar sua primeira carteira de identidade, ainda na adolescência, Platini preencheu no formulário que sua profissão era “jogador de futebol”. O escrivão contestou e lhe explicou que aquilo não era uma profissão. Inocente erro. Michel Platini ganhou não só a vida com a bola nos pés, como fez o mundo ficar a seus pés jogando bola.

Neto de italianos, o menino franzino nascido no interior da França começou no pequeno time da cidade, o Joeuf, com apenas 11 anos. Já mostrava grande técnica e se destacava entre os companheiros. Com 16 anos, já chamava a atenção de diversos times da primeira e segunda divisão francesa. Em 1972, então, o Nancy comprou o jogador.

Platini enfrenta a Inter: ele quase fechou com os nerazzurri antes de ser ídolo da Juve (imago/Buzzi)

Ainda reserva na primeira temporada, Platini jogou apenas dez partidas, nas quais marcou seis gols. Nos anos seguintes, já como titular absoluto e melhor jogador daquele time, os gols aumentaram e Platini conquistou seu lugar na seleção francesa, de onde não sairia mais. Na temporada 1977-78, foi essencial para a conquista da Copa da França e dois anos mais tarde já passava para um time de maior porte: o Saint-Étienne.

Vestindo verde, Platini conquistou seu primeiro Campeonato Francês e mostrou-se um meio-campo artilheiro. Só na Ligue 1 (primeira divisão francesa), foram 50 gols, em três temporadas. Foi pelo Saint-Étienne, também, que Platini fez sua estreia em campeonatos europeus. Jogou duas Copas Uefa e uma Copa dos Camepões, desviando os olhares de outros clubes europeus. A Inter de Milão foi a primeira a tentar contratar o jogador, ainda em 1980, mas a negociação não foi bem sucedida e dois anos mais tarde, o francês se apresentava em Turim, para jogar pela rival Juventus.

Italianos costumam “italianizar” nomes de estrangeiros, principalmente recém-chegados. Imagine, então, o de um jogador com origens italianas. Mas, em nenhum momento, Platini foi chamado de “Michele Platini”(com sílaba tônica no primeiro “i”, na pronúncia italiana). Já considerado o melhor jogador francês dos últimos anos, Platini desembarcou na terra natal de seu avô como grande contratação juventina da temporada e com a última sílaba tônica muito bem decorada pelos vizinhos transalpinos.

Craque francês era caçado em campo nos duelos de forte rivalidade contra a Roma (imago)

O meia já era respeitadíssimo, já tinha atuado em Copa do Mundo – a de 1978, na qual estreou justamente contra a Itália, perdendo por 2 a 1 em Mar del Plata. Na Juventus, problemas físicos e de adaptação fizeram com que sua primeira parte de temporada fosse bem aquém do esperado, gerando contestação de parte dos torcedores e da mídia.

No segundo semestre da temporada, no entanto, Platini, totalmente recuperado das lesões, mostrou a que veio e recuperou o tempo perdido, marcando 16 gols e se sagrando artilheiro daquele campeonato. O título bianconero, porém, não veio. A conquista da temporada foi a Copa da Itália, que teve o francês como protagonista na final, após marcar dois gols na vitória sobre o Hellas Verona.

Em 1983, inicia sua segunda temporada na Juventus e desde o início já é possível prever um grande ano para o francês. Já adaptado ao futebol italiano, Platini melhorou sua técnica e marcou ainda mais gols, conquistando a artilharia do campeonato mais uma vez e, mais importante, colocando seu primeiro scudetto no currículo. Título que valeu a segunda estrela bordada na camisa bianconera. No mesmo ano, Platini conquista a Eurocopa com a seleção francesa e ganha sua primeira Bola de Ouro, prêmio dado ao melhor jogador do mundo pela revista France Football.

Foto icônica: Platini lamenta gol anulado contra o Independiente (imago/AFLOSPORT)

Na temporada seguinte, o Campeonato Italiano fica um pouco de lado e a Juve tem como principal objetivo conquistar sua primeira Copa dos Campeões. Platini mais uma vez se destaca em um campeonato europeu e já desponta como um dos artilheiros da competição. Na final, gol contra o Liverpool e título mais importante de sua carreira e da história da Juve em suas mãos. As grandes atuações na Europa e a artilharia tanto no torneio quanto no Campeonato Italiano, superando até Maradona, ajudaram-no a conquistar sua segunda Bola de Ouro.

Com a saída de Paolo Rossi, Boniek, Claudio Gentile e Marco Tardelli, a temporada da Vecchia Signora é colocada em questão. Mas Trapattoni mescla da melhor maneira possível a experiência dos remanescentes Platini, Scirea e Cabrini com a disposição dos jovens Massimo Mauro, Michael Laudrup, Lionello Manfredonia e Aldo Serena, e a Juve conquista mais um scudetto. Platini, para variar, acaba como melhor jogador da competição e vence, mais uma vez, a eleição da France Football, tornando-se o único jogador da história a vencer o prêmio três vezes consecutivas.

Ao fim da temporada, a Copa do Mundo: o título que faltava a Platini. E continuou faltando. Após vitórias sobre Itália e Brasil, a França caiu nas semifinais, para a Alemanha. Terminava ali a passagem do maior jogador da história da França pela seleção. Depois da Copa, fez sua última temporada pela Juve, já que, após rendimento abaixo do esperado, decidiu se aposentar, com apenas 32 anos de idade. Parou ainda no auge.

Platini e Maradona, em um dos muitos duelos entre craques nos campos da Itália nos anos 1980 (imago)

De 1988 a 1992 ocupou o posto de técnico da seleção francesa, onde, nem de perto, alcançou o sucesso que fez como jogador. Como dirigente, teve mais sorte: é atual presidente da Uefa, vice-presidente da Federação Francesa de Futebol e aspirante do cargo maior da FIFA.

Michel François Platini
Nascimento: 21 de junho de 1955, em Joeuf, França
Posição: meio-campo
Clubes: Nancy (1972-79), Saint-Étienne (1979-82) e Juventus (1982-1987)
Seleção francesa: 72 jogos, 41 gols
Títulos: Campeonato Francês (1980-81), Copa da França (1977-78), Campeonato Italiano (1983-84 e 1985-86), Coppa Italia (1982-83), Copa dos Campeões (1984-85), Supercopa Uefa (1984), Copa Intercontinental (1985), Recopa Uefa (1983-84) e Eurocopa (1984)

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