Nesta quarta-feira, 31 de maio, Sevilla e Roma entraram em campo pela grande decisão da Europa League de 2022-23. Em jogo, além do título, duas grandes marcas: a hegemonia do clube espanhol na competição e o histórico perfeito de José Mourinho em finais continentais, excluindo Supercopas.
Formações iniciais
A principal surpresa na escalação da Roma foi a presença de Dybala como titular. Referência técnica da equipe, o argentino vinha lidando com problemas físicos na reta final da temporada e esperava-se que pudesse atuar somente por 20 ou 30 minutos. O Sevilla não pode contar com Acuña, suspenso, e optou por iniciar a partida com o brasileiro Alex Telles na lateral esquerda.
A chave do sucesso para a Roma
A Roma iniciou a partida com Pellegrini mais próximo do meio-campo no momento defensivo, formando um trio com Matic e Cristante. Assim, deixava apenas Abraham e Dybala mais à frente. Nas laterais, Çelik e Spinazzola alternavam entre pressionar o extremo e recuar para formar uma linha defensiva com cinco jogadores.
Diante desse contexto, o grande mérito da Roma no primeiro tempo foi a maneira como esse trio se comportava sem bola. Os três pressionavam, ofereciam coberturas e se deslocavam lateralmente de acordo com o setor em que a jogada se desenvolvia.
Uma das vulnerabilidades dessa estrutura defensiva com três homens no meio-campo é a possibilidade de uma inversão rápida de corredor encontrar laterais e extremos em situações favoráveis. Para evitar isso, o trio da Roma esteve quase impecável ao se deslocar lateralmente de maneira veloz e manter boa orientação corporal, de acordo com a direção da jogada proposta pelo Sevilla.
Combinado com a pressão exercida por alas e zagueiros no corredor lateral, tal comportamento foi determinante para travar o jogo do Sevilla, impedindo que Navas e Ocampos, pela direita, e Alex Telles e Bryan Gil, pela esquerda, recebessem a bola em situações de um contra um perto da área da Roma.
Ainda mais importante foram as coberturas defensivas realizadas especialmente por Matic. Quando o ala no setor da bola saltava para pressionar os jogadores adversários no corredor lateral e o zagueiro precisava acompanhar, o volante sérvio se concentrava em defender o intervalo entre os dois, bloqueando passes e infiltrações por ali.
A leitura dos espaços realizada pelo volante foi primordial para conter o ataque do Sevilla. Ao interpretar cada jogada, Matic chegou até mesmo a ocupar uma posição típica de um zagueiro, sempre defendendo o intervalo gerado pelas pressões da Roma.
Sem conseguir acessar esse intervalo e com dificuldade para chegar à linha de fundo, os jogadores do Sevilla foram forçados a levantar bolas da intermediária, quase sempre pressionados. Esse tipo de cruzamento normalmente favorece o zagueiro e Ibañez, Smalling e Mancini estiveram confortáveis ao defender a área e rebater as bolas que surgiam pelo alto. Ao final do primeiro tempo, os espanhóis registraram apenas uma finalização em direção ao gol, entre as cinco totais.
A alternativa do Sevilla
José Luis Mendilibar não desperdiçou tempo e voltou do intervalo com duas alterações: Suso e Lamela nas vagas de Óliver Torres e Bryan Gil. Suso entrou posicionado pelo meio, mas é um jogador com uma tendência natural a buscar a ponta direita para trabalhar com seu pé esquerdo, em direção ao centro. A presença dele por ali ajudou a confundir a marcação da Roma e o Sevilla começou a encontrar espaço para atacar a linha de fundo e cruzar: em uma dessas situações, Mancini marcou contra e o placar se igualou.
O posicionamento de Suso, além de facilitar combinações com Ocampos para gerar vantagens, também liberou o ponta para atacar a área com mais frequência, empurrando a defesa da Roma para trás e fazendo o Sevilla ganhar cada vez mais terreno – pela outra ponta, Lamela fazia algo semelhante. Esses dois movimentos foram pouco explorados por Torres na primeira etapa, seja por característica ou por má execução.
Uma sequência semelhante ocorreu no lance do pênalti anulado, com Lamela aproximando-se de Ocampos e Suso. Nessa situação, o espanhol optou por um passe por dentro e quase gerou o segundo gol do Sevilla.
A partir daí, o cenário da partida, incluindo a prorrogação, se manteve sem grandes mudanças, com o Sevilla buscando jogo exterior e cruzamentos para a área, enquanto a Roma bloqueava suas ações.
O aspecto físico pesou bastante
Já sem Dybala, substituído aos 67 minutos, e Abraham, trocado por Belotti aos 75, a Roma perdeu força ofensiva e teve dificuldades para reter a posse da pelota e respirar por um tempo – Wijnaldum pouco ajudou nesse aspecto. Apesar disso, a equipe italiana teve oportunidades para vencer em duas jogadas de bola parada, mas Belotti parou em grande defesa de Bono e Smalling, no travessão.
A falta de um elenco mais profundo e de um pouco de sorte com lesões acabou sendo determinante no resultado final da temporada romanista. Desgastados fisicamente, Dybala, Abraham e Pellegrini deixaram o campo antes de a partida terminar, o que significou perder três bons cobradores de pênaltis para a disputa decisiva. No fim das contas, custou caro e a Roma perdeu duas das três penalidades.








