Liga dos Campeões

A Inter fez sua parte contra o Dortmund, mas jogará os playoffs da Champions League

A Inter chegou à última rodada da fase de liga da Champions League com uma equação ingrata a ser resolvida. Precisava vencer o Borussia Dortmund fora de casa e torcer por uma combinação de resultados para entrar no G8 e avançar diretamente às oitavas. Durante alguns minutos, esse cenário chegou a se materializar no Signal Iduna Park: os emparelhamentos paralelos abriram a porta, os nerazzurri figuraram provisoriamente entre os oito primeiros e jogaram como quem ainda acreditava. A vitória por 2 a 0, construída com paciência e crescimento ao longo do jogo, porém, revelou-se insuficiente. Com os desfechos das outras partidas, a Beneamata caiu para a 10ª posição, e tanto italianos quanto alemães disputarão os playoffs, equivalentes aos 16-avos de final.

Cristian Chivu fez escolhas que dialogavam com esse contexto. Líder da Serie A e consciente de que a classificação direta era improvável, o treinador optou por preservar peças-chave. Bastoni e Lautaro ficaram fora; Barella, com leve desconforto no músculo psoas direito, também não foi a campo. Sucic entrou no meio, Bisseck ocupou o lado esquerdo da defesa e Bonny formou dupla de ataque com Thuram. Dimarco assumiu a braçadeira de capitão. Do outro lado, o Dortmund de Niko Kovac, vice-líder da Bundesliga, estreou o jovem zagueiro italiano Mané na Champions League e tinha apenas quatro jogadores de linha no banco – o croata sofria com as ausências de Süle, Anton, Drewes, Özcan, Sabitzer e Svensson. Sob leve neve, o cenário da partida seria de estudo.

O início foi mais favorável aos alemães, que encontraram espaço cedo. Aos 11, Guirassy teve a grande chance da etapa inicial: recebeu a sobra de um chute mascado, em posição regular dentro da área, mas quase furou diante de Sommer e só atrasou para o goleiro, em um erro que escancarou tanto a falha do atacante quanto a desatenção da marcação interista. A resposta veio em transição. Thuram disparou pela esquerda aos 14, foi alcançado por Ryerson, e a jogada terminou em chute central de Dimarco, defendido por Kobel. Dois minutos depois, a Inter voltou a rondar a área em troca rápida entre Bisseck e Bonny; o zagueiro alemão tentou duas vezes, sem sucesso.

Ciente das dificuldades de avançar diretamente às oitavas, a Inter poupou forças contra o Dortmund (Getty)

O jogo seguiu com leve alternância, mas com a Inter mais confortável quando conseguia articular por dentro. Aos 43, Luis Henrique escapou pela direita e cruzou para Bonny, que cabeceou sem força, facilitando a defesa de Kobel. O Dortmund, embora perigoso em arrancadas, foi perdendo fluidez com a bola, enquanto os visitantes começaram a ganhar metros e controle territorial.

Na segunda etapa, após uma chegada de Adeyemi neutralizada por Sommer, a Inter assumiu o comando de uma partida que era vigorosa, intensa, mas sem muita ousadia – afinal, os dois times já estavam classificados aos playoffs e não forçavam a barra. Mas, quando viu a oportunidade concreta de ficar entre os oito, a equipe italiana entrou numa outra rotação.

A partir de meados da etapa complementar, a equipe de Chivu passou a circular melhor a bola, empurrou o adversário para trás e criou chances mais pelo encadeamento das jogadas do que pela contundência das conclusões. Aos 63, Sucic encontrou Esposito em infiltração, mas Bensebaini aproveitou o passe forte do croata, que dificultou o domínio do intaliano: apareceu de forma decisiva para antecipar e mandar a escanteio, em lance que simbolizou o momento de pressão interista.

No fim da partida, Diouf fechou o placar para os nerazzurri (Getty)

O crescimento encontrou tradução no placar aos 81 minutos, depois de três chegadas bem construídas pelos visitantes, mas sem conclusões adequadas. Então, Mkhitaryan arrancou pelo centro e foi derrubado na meia-lua. Na cobrança, Dimarco executou com precisão cirúrgica: sem força, com muito jeito, colocou por cima da barreira e estufou a rede, coroando o melhor período da Inter na partida. O gol manteve viva, por instantes, a esperança matemática de vaga direta nas oitavas. Só que a virada do Chelsea sobre o Napoli logo a sepultou.

Nos acréscimos, o triunfo italiano se fechou de vez. Aos 94, Adeyemi perdeu a bola no meio após uma cobrança de lateral e Diouf aproveitou. Após a roubada de posse, carregou a pelota, venceu uma dividida na área e finalizou de canhota, ainda se valendo de desvio na zaga para fazer 2 a 0. O gol – muito comemorado por todo o elenco, que fez um montinho sobre o oscilante meia francês – selou a vitória e confirmou a superioridade interista no segundo tempo, mas não alterou o destino europeu da equipe. No fim das contas, o saldo da noite de neve na Alemanha foi mais positivo para a Beneamata pelo nível de competitividade apresentado pelo time do que pelo desfecho.

A Inter jogou melhor do que o Borussia Dortmund, soube crescer quando o jogo pediu paciência e saiu de campo com um triunfo relevante fora de casa. Ainda assim, terá que jogar a Champions League em pleno carnaval – na própria terça ou na quarta de cinzas, quando começam os playoffs. O time de Milão terminou em 10º e enfrentará Bodø/Glimt ou Benfica na próxima fase. Os aurinegros, por sua vez, ficaram em 17º e poderão enfrentar outra equipe italiana, a Atalanta, ou fazerem um duelo germânico contra Bayer Leverkusen nos 16-avos de final.

Compartilhe!

Deixe um comentário