Serie A

Aberto, mas nem tanto

Quatro pontos de vantagem, que, na prática, tornam-se cinco. Sem o spareggio, aqueles jogos de desempate em caso de mesma pontuação entre dois times, se Inter e Roma terminarem a Serie A lado a lado, o scudetto continuará em Milão. Os nerazzurri lideram com folga o primeiro critério de desempate, o confronto direto (empate em casa, goleada no Olimpico).

O momento romanista, mesmo com a derrota no dérbi da capital, há uma semana, é sensivelmente melhor. Enquanto a Inter enxergava na Liga dos Campeões o grande objetivo do ano do centenário, a Roma, mesmo ambiciosa em suas declarações, na prática não passava de uma franco-atiradora na competição européia. A Inter caiu, a Roma ficou. E a autoconfiança seguiu o mesmo rumo, nas duas cidades.

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Mas, num acesso de ironia dos deuses do futebol, tudo indicava o contrário. Sim, a Inter caíra para o Napoli e vencera a Reggina a duras penas, porém a vitória sobre o Palermo parecia o retorno da luz que guiaria o time tranqüilamente em direção ao tricampeonato italiano. Até a adoção do racionamento de futebol. O empate chorado com o Genoa e a derrota para a Juventus (com direito a olé no San Siro) derrubou o que restava da tranqüilidade em Via Durini. Nas últimas cinco rodadas, a Inter fez sete pontos – no mesmo período, o ex-lanterna Cagliari somou dez. A Roma, doze.

É bastante agradável dizer que a luta pelo scudetto está aberta, até porque desde o fim da temporada 2005-06 não havia mais briga por liderança, na prática. Mas ainda é complicado apontar que a última rodada desse ano repetirá a daquele, com dois times protagonizando a caça pelo título. E apontar a Roma como favorita absoluta ao título, como têm feito alguns profissionais, é falta de respeito para com o público. É tão escandaloso como dizer que a Juventus ainda luta por ele. Na prática: são 24 pontos em disputa. A Juve teria de conseguir dez a mais que a Inter e ainda manter o passo da Roma para vencer duas vezes em dia de derrota giallorossa.

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Haja o que houver, a Inter ainda é favorita: tem quatro pontos de vantagem, saldo positivo no confronto direto e pelo menos duas datas a mais de descanso, por ter sido eliminada na LC. A Roma, com dois jogos de alto risco a mais, frente ao Manchester United, ainda carregará o fardo de ter um elenco bem mais curto. Mesmo que não faltem peças para a montagem do time na reta final, alguns jogadores-chave inevitavelmente já sentem o peso de uma longa temporada sem reposição, vide De Rossi e Totti.

A tabela da Roma, no papel, é realmente mais fácil que a da Inter. Mas certas partidas são armadilhas potenciais, como aquelas contra Sampdoria e Udinese, fora de casa. Com um time bem inferior a estes, o Siena goleou a Roma na Montepaschi Arena. O título está aberto porque a diferença entre líder e vice caiu sete pontos em um mês. E a Roma precisará que o abril da Inter seja tão despedaçado quanto março, ao ponto de poder considerar apenas um tropeço a mais a derrota para a Lazio.

4 comentários

  • Concordo, para esperar algo de bom Roma tem que ganhar todos os jogos e pronto.Agora o problema acho seja na preparaçao fisica,o Roma è o unico clube da Europa que teoricamente ainda tem chanche de conquistar o Campeonato a Copa Nacional e a Liga dos Campeoes. Isso significa mais partidas e maior esforço, na minha opiniao nem o masagista mais otimista de Trigoria pensava que nessa altura Roma tinha que disputar ainda muitos jogos,no mes de abril chegarà o primeiro calor e espero que o Spalletti possa mandar uma preparaçao fisica adequata.
    Abraço

  • Braitner, sob uma outra ótica, escrevi sobre esse mesmo tema no meu blog. Lá eu observo que o caminho interista é mais espinhoso que o romanista, embora esta ainda tenha a UCL pela frente.
    Mas a questão central para mim é qdo a Inter caiu de produção, já que até o final de 2007 não parecia haver nenhuma suspeita de que poderia ocorrer uma queda.
    Se o título escapar, o Mancini roda. Não tenho dúvidas.

    Abs

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