Serie A

32ª rodada: Taça encomendada

Vidal levanta os braços e, em pouco tempo, levantará a taça: Juve tem tudo para ser bicampeã (Getty Images)

Se ainda restavam dúvidas, está mais fácil confirmar: a Juventus está muito perto de conquistar o bicampeonato da Serie A. Após fácil vitória sobre a Lazio, a equipe abriu 11 pontos sobre o Napoli e precisa somar apenas 7 dos 18 pontos ainda em jogo para garantir o scudetto. Com ainda menos pontos, em caso de tropeço do vice-líder Napoli, a equipe também pode garantir o título – e ele pode chegar já em duas rodadas, no dérbi de Turim.

Enquanto isso, as brigas por vagas europeias e para escapar do rebaixamento continuam intensas. Confira no resumo da rodada.

Lazio 0-2 Juventus

No duelo dos
recém-eliminados das competições europeias, a Juventus acabou com o jogo
em 20 minutos, no Olímpico. Os donos da casa tinham o retorno de Klose
ao ataque – o alemão perdeu a partida contra o Fenerbahçe, pela Liga
Europa -; na Juve, Peluso substiutiu Chiellini, machucado, e Vucinic foi
o atacante solitário no 3-5-1-1 de Antonio Conte. O montenegrino foi ao
gramado aos 8 minutos do primeiro tempo, derrubado por Cana. Na
cobrança, Vidal anotou o primeiro gol bianconero. O tento mudou o
panorama do início da partida, pois Hernanes e Candreva não tinham mais o
domínio das principais ações do jogo. O meio de campo da Velha Senhora,
com seis jogadores, criou muitas chances; Lichtsteiner, aliás, deu
muito trabalho a Stankevicius pelo corredor direito.

A Juventus dobrou o mercador (e definiu o resultado)
com um erro de Ciani, que não cortou a bola passada pelo chão dentro da
área laziale. Vidal aproveitou e chutou na saída de Marchetti. Na
segunda etapa, os donos da casa voltaram melhor, mas pouco ameaçaram. Na chance mais clara, Ciani só não marcou
porque Buffon praticou excelente defesa. Com o empate do Napoli, a
vitória da Juventus aumentou ainda mais a liderança do time de Turim.
Agora, 11 pontos separam os dois times e só sete separam a Juve do scudetto. Na próxima rodada, a Juventus
recebe o Milan; a Lazio, 5ª colocada com 51 pontos, joga no Friuli
contra a Udinese. (Murillo Moret)

Milan 1-1 Napoli

Fechando a rodada, rossonerri e azzurri saíram de campo pouco satisfeitos com o empate. O Milan porque perdeu a chance de vencer o confronto direto contra o vice-líder e assegurar sua vantagem sobre a Fiorentina, 4ª colocada, e o Napoli, um pouco menos chateado, praticamente deu adeus à luta pelo título, que poderia reabrir em caso de vitória e, claro, contando com tropeços da Juve ante à Lazio e ao próprio Milan, semana que vem. Porém, a vaga direta na Liga dos Campeões está próxima, uma vez que a equipe partenopea manteve os 4 pontos de frente sobre o Milan.

Em campo, o que se viu foi uma partida muito movimentada no primeiro tempo e um pouco mais lenta após o intervalo. Sem Balotelli e El Shaarawy – o primeiro suspenso e o segundo relegado ao banco por Allegri -, o Milan não criou tanto, mas levou perigo a De Sanctis em algumas jogadas. Aos 30, Flamini aproveitou dividida entre Pazzini e Britos para abrir o placar, com chute de fora. O francês, que cometeu pênalti não marcado por interceptar cruzamento com o braço, ainda seria expulso por entrada violenta sobre Zúñiga. Com um Cavani pouco inspirado, que perdeu até gol fácil, o Napoli chegou ao empate pouco depois, com Pandev. O macedônio aproveitou falha da defesa milanista e bom passe de Hamsík para garantir um resultado e, provavelmente, mais alguns milhões na conta do clube.

Atalanta 0-2 Fiorentina
Em Bérgamo, a Fiorentina não apresentou
o futebol de sempre, mas foi superior a Atalanta e conquistou três pontos
importantes para se manter na “zona Uefa” e voltar a encostar no Milan. Sem
Jovetic e com Ljajic no banco, Montella mudou para o 3-5-1-1, preenchendo o
meio de campo e apostando na sobra contra Denis e Livaja. Apesar de não ter
produzindo muito ofensivamente, o time toscano construiu mais e não levou
muitos sustos. Com muitos desfalques, a Atalanta não conseguiu repetir a
atuação do segundo tempo contra a Inter e ainda perdeu seu capitão e artilheiro
Denis, expulso no final.

O primeiro tempo foi morno na
Lombardia, com a Viola tendo amplo
domínio da posse de bola, mas ineficaz na frente com El Hamdaoui. As entradas
de Ljajic e Larrondo mudaram essa situação e através dos dois saíram os gols da
vitória toscana. Ljajic recebeu na esquerda e teve seu passe interceptado por
Stendardo, porém com a mão. Pênalti que Pizarro converteu para abriu o placar. Dez minutos
depois, em nova jogada pela esquerda, agora com Larrondo, chegou o segundo gol. O argentino recebeu passe em
profundidade de Cuadrado e finalizou firme contra
Consigli. (Arthur Barcelos)

Cagliari 2-0 Inter

A fase melancólica da Inter não tem fim. A equipe fez mais uma partida
sofrível e acabou derrotada pelo Cagliari por 2 a 0. A Roma, por sua
vez, voltou a vencer fora de casa: fez 2 a 1 sobre o Torino e
ultrapassou a rival na tabela. Com os resultados, a Inter caiu para a 7ª posição, com 50 pontos,
enquanto a Roma assumiu o 6º posto, com 52 pontos. O Cagliari por sua
vez, mesmo com todos os problemas com seu estádio e tendo que mandar
jogos sem torcida ou fora da Sardenha (desta vez, jogou em Trieste, que
fica a mais de 1000 quilômetros de distância), está praticamente salvo: é
o 10º colocado, com 42 pontos. Belo feito para uma equipe que praticamente jogou todo o campeonato sem apoio da torcida.

No estádio Nereo Rocco, de Trieste, a Inter foi superior no primeiro
tempo, mas não conseguiu transformar a vantagem em gols. Em sua melhor
chance, a Beneamata viu Rocchi e Cambiasso tabelarem
bem, mas o argentino acabou acertando a trave. Após o intervalo, o
Cagliari mexeu e a entrada de Pinilla mudou o jogo. Primeiro,
ele cavou pênalti (que não existiu) em chegada de Silvestre e converteu, aos 18 minutos. Aos
31, o chileno tabelou com Cabrera e, sob os olhares de uma
estática defesa interista, deu números finais ao jogo. Agora, a Inter tenta concentrar sua pouca força (como se os problemas fossem poucos, Gargano e Nagatomo se lesionaram e não jogam mais nesta temporada) na semifinal contra a Roma. (NO)

Torino 1-2 Roma
Nesta rodada, Andreazzoli deixou
claro que a prioridade da Roma essa semana é a Coppa Italia, não a Serie
A. Mesmo sem nada garantido no campeonato (briga por vaga na Liga
Europa ainda é intensa), o técnico optou por colocar um time misto
contra o Torino, para poupar suas principais peças para o jogo de
quarta-feira, contra a Inter, pelas semifinais da Coppa. No jogo de ida,
os romanos venceram por 2 a 1 e estão próximos de chegar à final da
competição, para a qual a rival Lazio já tem vaga garantida. E a estratégia deu
certo: o time titular chegará descansado para enfrentar a Inter e o
misto conseguiu somar três importantes pontos para os giallorossi na
Serie A.
No estádio Olímpico de Turim, Totti, Marquinhos,
Florenzi, Torosidis e Destro não jogaram, mas puderam ver uma ótima
partida de Lamela e Osvaldo. O atacante ítalo-argentino, aliás, não
entrava como titular há 40 dias e não marcava um gol há 77. O retorno,
portanto, não poderia ser melhor, com gol que abriu o placar, de cabeça,
e muita movimentação. Do lado do Torino, Cerci foi o melhor em campo e
Bianchi o autor do gol solitário granata – foi o décimo dele no
campeonato. No segundo tempo, Lamela acertou belíssimo chute de
esquerda, após boa jogada individual, e sacramentou o placar. Com o
resultado, a Roma pula para 51 pontos e se mantém próxima do grupo que
se classifica à competições europeias. O Torino permanece com 36, oito
pontos à frente da zona de rebaixamento. (Rodrigo Antonelli)

Genoa 1-1 Sampdoria

No dérbi de Gênova, foi a
Sampdoria que ficou mais feliz com o resultado. Já distante da zona de
rebaixamento, a equipe blucerchiata conseguiu somar um ponto mais e viu
seu maior rival se complicar na luta pela salvezza. Em jogo muito fraco
tecnicamente e feio de assistir, o Genoa mostrou raça até o fim, mas só
conseguiu um empate e vê a Serie B cada vez mais perto. Com apenas 6
vitórias na competição, e 16 derrotas, o time de Ballardini soma só 28
pontos e divide a zona de rebaixamento com Palermo e Pescara,
virtualmente rebaixado. À frente, o Siena, que venceu na rodada, tem 30
pontos e o Chievo 36.
A partida no Luigi Ferraris começou com a Sampdoria
melhor postada em campo e menos afobada. O gol dos visistantes saiu aos
28 minutos do primeiro tempo, com Éder, que acertou boa cobrança de
falta. Ao longo do jogo, as
disputas de bola dominaram o cenário. Não à toa, o árbitro distribuiu
dez cartões amarelos no cotejo. Dois deles foram para Costa, que
acabou expulso, no fim da segunda etapa. No segundo tempo, o Genoa
mostrou-se mais ligado e deteve mais a posse da bola. Porém, sem
conseguir concluir a gol. O chute que terminou no fundo das redes não
era para ser um chute: Matuzalém cruzou com a direita, perna ruim, e a
bola acabou enganando o goleiro Romero e entrando. É a imagem perfeita
para definir um jogo muito fraco tecnicamente e em que o único chute a
gol com bola em movimento não era para ter sido um chute. Com apenas
seis jogos pela frente, o Genoa vai ter que mostrar muito mais se quiser
continuar na elite do futebol italiano. (RA)

Parma 0-3 Udinese

Jogando com seu uniforme azul na
Emília-Romanha, a Udinese venceu e subiu uma posição na
tabela de classificação. Sem Di Natale, suspenso, Muriel ficou
incumbido de marcar os gols da equipe visitante. No primeiro tempo, ele
recebeu passe de Zielinski, meio-campista de 18 anos que estreou na
Serie A, para vencer Mirante. Pereyra fez ótima jogada dentro da área e
não conseguiu passar pelo goleiro do Parma. A bola, no entanto, ficou
com Basta, que cruzou para Muriel dobrar a vantagem da Udinese.
Em um jogo sem muitas chances, o time do Friuli
decretou o resultado final com um Pereyra, pouco antes dos 20 minutos da
etapa final. A Udinese conseguiu quebrar a incômoda série de empates e
derrotas no Ennio Tardini: a equipe não vencia o Parma fora de casa
desde 2006. Na próxima rodada, os visitantes encaram a Lazio; o Parma,
que caiu para a 11ª posição, faz o jogo do horário do almoço contra a
Inter, no Meazza. (MM)

Pescara 2-3 Siena

No confronto dos desesperados,
deu Siena. O time toscano mostra recuperação no fim do campeonato e conquistou
três pontos importantes na briga pela salvezza.
Com uma tabela complicada nos próximos jogos – nada mais que Chievo, Roma,
Catania, Fiorentina, Napoli e Milan -, o time de Iachini vai conseguindo pontos
da melhor maneira. E se Genoa e Palermo têm confrontos relativamente mais “fáceis”,
o clube toscano conta com a vantagem sobre os dois (e também sobre o Pescara) no
primeiro critério de empate, o confronto direto. O Pescara, por sinal, não
vence há 13 jogos – só em 2013, foram 14 jogos, 12
derrotas, um empate e uma vitória. A equipe ainda enfrentará Roma, Napoli, Genoa, Milan,
Catania e Fiorentina.
Em jogo muito movimentado no Adriatico, quem controlou no início da primeira etapa foi o Siena. Pressionando muito
e também finalizando várias vezes contra o gol de Pelizzoli, o time bianconero abriu o placar aos 14 minutos,
quando, após bate-rebate, Ângelo cabeceou e marcou. O gol acordou o Pescara, que
viu Pegolo fazer grandes defesas. Aos 33, o time da casa marcou, porém contra
seu próprio gol, com o capitão Zanon. Na segunda etapa, o time toscano voltou a
pressionar, porém um erro defensivo custou o gol de Çelik, logo aos sete
minutos. E sete minutos depois, novo gol dos anfitriões, agora em bela cobrança
de falta do brasileiro Rômulo Togni. Precisando da vitória, ambos os times partiram
pro ataque, mas quem se deu melhor foi o Siena. Depois de Pozzi ter acertado o
travessão, Agra, em impedimento, serviu Emeghara para marcar seu sétimo gol em
dez jogos. (AB)

Palermo 1-1 Bologna
Vindo de uma sequência de duas vitórias, o Palermo teve uma grande chance de sair da zona de rebaixamento ainda nessa rodada, mas obteve um empate considerado trágico frente o Bologna, aumentando a agonia por mais uma rodada. Tudo caminhava bem para os comandados de Sannino, que abriram o placar logo no terceiro minuto de jogo com um belo chute de Ilicic, da entrada da área. Melhor em campo, o Palermo buscou o segundo gol, mas acabou levando o empate em uma trapalhada de Sorrentino. Morganella recuou mal e o goleiro, pressionado, não decidiu a melhor forma de afastar o perigo. Todo atrapalhado, viu a bola passar por baixo do corpo e sobrar livre nos pés de Gabbiadini, que só teve o trabalho de empurrar para o gol.

Os sicilianos seguiram melhor e Miccoli ainda acertou a trave, mas na segunda etapa, pouco deram trabalho à Curci, enquanto o Bologna apenas arriscou de longa distância. Os rosanero ainda reclamaram de um pênalti não marcado em cima de Kurtic, mas o árbitro Doveri nada assinalou. Com o resultado, o Bologna dá mais uma passo para se manter na elite, enquanto o Palermo além de ficar estacionado na antepenúltima posição, terá de encarar uma dura sequência que iniciará na próxima semana com o clássico regional contra o Catania, seguido pelos confrontos com Inter e Juventus. (Caio Dellagiustina)

Chievo 0-0 Catania
Jogando no Marcantonio Bentegodi, Chievo e Catania não saíram do zero. Em campo, duas equipes sem qualquer ímpeto ofensivo, pouco produziram. E nem mesmo o forte calor que cobriu a cidade de Verona, contrastando com muitas cidades da Europa, pôde servir de desculpa, afinal faltou inspiração para ambos, mesmo com os dois times quase sem desfalques. Se por um lado o forte sistema defensivo armado por Corini conseguiu parar Bergessio e as chegadas de Lodi (que assustou apenas em uma cobrança de falta), faltou talento no meio campo e as chances de gol não surgiram.

Maran demorou a perceber a oportunidade de vitória e somente no segundo tempo lançou o time à frente. Bergessio perdeu a grande chance do jogo, logo nos minutos iniciais da segunda etapa, mas sem inspiração, nenhuma das equipes conseguiram balançar as redes. Após o tedioso jogo, o Chievo somou mais um ponto na busca pela salvezza e já foca no confronto direto ante o Siena na próxima rodada, enquanto o Catania desperdiçou uma boa chance de se aproximar do sonho europeu. (CD)

Relembre a 31ª rodada aqui.

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Abbiati (Milan); Ângelo (Siena), Danilo (Udinese), Rodríguez (Fiorentina), Leandro Castán (Roma); Allan (Udinese), Vidal (Juventus), Pizarro (Fiorentina), Hamsík (Napoli); Muriel (Udinese), Pinilla (Cagliari). Técnico: Antonio Conte (Juventus).

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