Serie A

2ª rodada: Inter vence com autoridade mais uma vez e é uma das invictas do Italiano

Quem diria que a Inter seria destaque da Serie A por duas rodadas seguidas? Tal qual em 2015-16, a equipe nerazzurra começou o campeonato acumulando vitórias, mas dessa vez conta com uma característica diferente: ao contrário do time treinado por Roberto Mancini dois anos atrás, os comandados de Luciano Spalletti tem triunfado com autoridade e mostrado futebol convincente. A vítima da vez foi a Roma, adversária direta por uma vaga na Liga dos Campeões e única do quinteto de grandes a desperdiçar pontos até o momento.

As outras equipes que devem brigar pelas primeiras posições no Italiano também venceram seus jogos e precisaram suar. A Juventus saiu atrás do Genoa, mas virou graças a um show de Dybala, enquanto o Napoli contou com Mertens e Allan para bater a Atalanta. O Milan, por sua vez, teve uma atuação mediana e viu Suso decidir diante do Cagliari. O grupo dos times com 100% de aproveitamento tem uma “intrusa”: é a Sampdoria, que surpreendeu ao vencer a Fiorentina na Toscana. Confira a análise da 2ª rodada.

Roma 1-3 Inter
Dzeko (Nainggolan) | Icardi (Candreva), Icardi (Perisic) e Vecino (Perisic)

Tops: Icardi e Perisic (Inter) | Flops: Juan Jesus e Fazio (Roma)

No primeiro grande clássico do campeonato, a Inter se saiu muito bem de mais uma pedreira e deu continuidade à série de boas atuações desde a chegada de Spalletti. O treinador foi mal recebido pela torcida da Roma em sua volta à Cidade Eterna, mas comemorou no fim – ainda que sua equipe tenha sentido dificuldades no início do jogo. Enquanto os nerazzurri tinham a bola, os giallorossi jogavam no erro adversário, focando especialmente na pressão na saída e em contra-ataques. Neste cenário, Nainggolan e Perotti se saíram muito bem e se tornaram, de longe, os jogadores mais perigosos da Roma. O belga estava frustrado por ter sido deixado de lado mais uma vez por Roberto Martínez, técnico de sua seleção, mas respondeu com belo passe para o gol de Dzeko. O centroavante dominou com o peito e finalizou de canhota para marcar seu primeiro gol na temporada. Atrás no placar, os visitantes tiveram problemas para dar prosseguimento aos ataques e chegaram muito pouco ao gol de Alisson, mesmo tendo o domínio da bola. No final do primeiro tempo, por alguns centímetros Nainggolan não ampliou, com um forte chute na trave de Handanovic.

Na segunda etapa, Spalletti sacou um disperso Gagliardini e colocou João Mário, o que equilibrou as ações contra a equipe de Di Francesco. No entanto, Perotti protagonizou jogadas de muito perigo, e ficou na bronca por um pênalti não marcado em disputa de bola com Skriniar. Pouco depois, o argentino acertou a trave. Na jogada seguinte, em seu pior momento na partida, a Inter conseguiu o empate. Candreva finalmente achou Icardi, que se desmarcou de Manolas e, mesmo deslocado, encontrou o gol com um chute preciso. A partir de então o jogo mudou completamente: a Roma acusou o golpe e a Inter, que atacava desesperadamente, passou a ter mais calma e precisão.

A virada veio em um grande vacilo romanista, que não pressionou a saída de bola da Beneamata. A pelota passou de pé em pé: Handanovic tocou para para Miranda, este para Vecino e então para João Mário, que abriu para Perisic avançar pela esquerda e cruzar para Icardi superar seu compatriota Fazio com rápido giro e finalização firme. Dez minutos depois, em um momento em que os anfitriões passaram a ter a bola, João Mário desarmou Nainggolan e abriu para Perisic superar o improvisado Juan Jesus e ajeitar para o gol de Vecino. Com o 3 a 1, a Inter encerrou um jejum de nove anos sem vitórias contra a Roma no estádio Olímpico, em jogos válidos pela Serie A. Vingança também para Spalletti, a princípio superado por seu substituto na capital, mas decisivo com as substituições e as entradas fundamentais de João Mário e Dalbert.

Genoa 2-4 Juventus
Pjanic (contra) e Galabinov (pênalti) | Dybala (Pjanic), Dybala (pênalti), Cuadrado (Mandzukic) e Dybala (Higuaín)

Tops: Dybala e Higuaín (Juventus) | Flops: Lazovic e Rossettini (Genoa)

Sinal de alerta ligado em Turim? Com um início de total desatenção, os juventinos levaram um baita susto do remendado Genoa e com sete minutos o placar já marcava 2 a 0 a favor dos anfitriões, em uma partida que teve o VAR como protagonista. O primeiro gol saiu ainda no primeiro minuto, quando Pandev fez jogada individual e teve o cruzamento cortado da pior forma possível por Chiellini: o zagueiro chutou em cima de Pjanic, que marcou contra. No quarto minuto, os grifoni reclamaram de um pênalti em Galabinov e, depois de muita revisão da arbitragem, a falta foi marcada. Mas aqui um grande porém: embora a falta realmente tenha ocorrido, o centroavante búlgaro estava impedido na origem da jogada, não consultada pelos árbitros. De qualquer forma, Galabinov converteu e ampliou.

Só que nenhuma vantagem está garantida quando você enfrenta Dybala. Criticado pela falta de gols no ano passado, o argentino descontou quase da marca do pênalti, após descida na esquerda de Pjanic. Inclusive, de pênalti saiu o empate, outra vez com Dybala, já nos acréscimos do primeiro tempo. A marcação só ocorreu por causa do auxílio do vídeo, uma vez que ninguém tinha notado o desvio no braço de Lazovic, que bloqueou uma finalização de Higuaín. Com tudo igualado, a segunda etapa seguiu com a pressão visitante, e o time de Allegri produziu muitas oportunidades com a dupla argentina. Porém, a virada saiu em uma jogada trabalhada por jogadores de outras nacionalidades, aos 62 minutos: Mandzukic lançou Cuadrado em profundidade e o colombiano teve tempo de dominar e driblar seu adversário antes de chutar no ângulo de Perin. O Genoa reagiu brevemente e fez Buffon trabalhar duas vezes, mas não o suficiente para empatar. Nos acréscimos, Dybala alcançou sua tripletta e deu números finais à partida.

Napoli 3-1 Atalanta
Zielinski, Mertens (Insigne) e Rog (Mertens)

Tops: Mertens e Allan (Napoli) | Flops: Berisha e Hateboer (Atalanta)

Um tempo para cada time. No final, melhor para o de Sarri. Sem surpresas, a Atalanta de Gasperini começou aprontando com sua característica postura agressiva e travou os anfitriões em boa parte do primeiro tempo. A estratégia visitante foi premiada aos 15 minutos, quando Cristante subiu absurdamente alto para completar escanteio de Papu Gómez e abrir o placar. A grande atuação do zagueiro Masiello adiou a reação napolitana, que veio somente no segundo tempo: primeiro com um golaço de Zielinski, que dominou no peito a sobra de um escanteio e acertou forte chute da entrada da área.

Confiantes, os azzurri partiram para o ataque e a virada veio pouco depois da entrada de Allan, que substituiu um apagado Hamsík. Insigne recebeu ótimo lançamento do brasileiro e tocou de cabeça para Mertens completar, quase na pequena área. Em um jogo de muita intensidade, mas com poucas oportunidades claras, o Napoli conseguiu manter o equilíbrio e ainda ampliou a vantagem aos 87, em outra jogada coletiva: passe longo de Albiol para Mertens, que tocou para Allan lançar Callejón com o campo aberto. O espanhol conduziu até a entrada da área, devolveu para Mertens e o belga deu um simples toque para Rog decretar a segunda vitória azzurra na temporada. Os campanos quebraram a série positiva de sua asa negra no confronto e lhe impuseram mais uma derrota na temporada: a Atalanta que havia conquistado dois triunfos sobre o Napoli em 2016-17, ainda não somou pontos nesta temporada.

Milan 2-1 Cagliari
Cutrone (Suso) e Suso | João Pedro (Diego Farias)

Tops: Suso e Cutrone (Milan) | Flops: Kessié (Milan) e Capuano (Cagliari)

Suso, seu nome é Milan. Na primeira em casa na Serie A, o time de Montella contou com boa parte dos seus titulares, mas teve exibição abaixo da média e precisou contar com o talentoso meia-atacante espanhol para alcançar a segunda vitória no campeonato. Todas as jogadas de perigo passaram pelos pés do jogador convocado por Julen Lopetegui para a Fúria. Inclusive o quarto gol de Cutrone na temporada: a revelação deixou Kalinic e André Silva no banco para abrir o placar logo aos 10 minutos, com um clássico gol de centroavante, finalizando o cruzamento na pequena área na frente do goleiro.

Apesar da vantagem, os rossoneri não conseguiram dar sequência ao domínio e inclusive perderam a posse de bola diante de um ousado e agressivo Cagliari, que sempre apronta para cima dos milaneses no San Siro. Na segunda etapa, Kessié cometeu erro fatal ao perder a bola para Barella criar a jogada do gol do empate, anotado pelo brasileiro João Pedro. A vitória milanista saiu aos 70 minutos, quando Suso acertou uma bela cobrança de falta. No final, Kessié tentou se redimir da falha e chegou a marcar um gol, porém a arbitragem assinalou um puxão na camisa do adversário. O veteraníssimo Cossu entrou no final e chegou a produzir duas oportunidades para os visitantes, mas o placar se manteve e o Milan comemorou a quinta vitória em cinco partidas na temporada.

Artilheiro da Serie A ao lado de Icardi, Dybala apareceu para consertar erro de Chiellini e dar vitória à Juve (AP)

Fiorentina 1-2 Sampdoria
Badelj (Bruno Gaspar) | Caprari e Quagliarella (pênalti)

Tops: Quagliarella e Ramírez (Sampdoria) | Flops: Tomovic e Chiesa (Fiorentina)

Começo nada animador da Fiorentina. Não que seja surpresa, diante da reformulação da equipe viola, que sofreu uma perda técnica considerável e buscou a maior parte dos reforços na reta final da pré-temporada. O time é o retrato de uma equipe ainda desentrosada, mas que tem qualidade e eventualmente poderá competir por posições na metade de cima da tabela. Por enquanto não pode e a Sampdoria bem treinada por Giampaolo se aproveitou para vencer e garantir 100% de aproveitamento. A equipe genovesa é uma das cinco líderes da Serie A nesse momento, graças ao seu bom trabalho e aos destaques Torreira e Quagliarella, que ganharam a companhia de Ramírez e Caprari nesta temporada. Os dois tiveram impacto imediato e participaram da segunda vitória no campeonato.

O primeiro gol foi do ex-atacante do Pescara, que aproveitou rebote em chute do meia-atacante uruguaio, enquanto Quagliarella marcou em cobrança de pênalti após um toque com o braço de Tomovic. Outro grande protagonista em Florença foi o veterano goleiro Puggioni, autor de nove defesas fundamentais para garantir uma inesperada vitória da Sampdoria fora de casa. O gol de Badelj no início da segunda etapa após cruzamento de Bruno Gaspar até esboçou uma reação dos anfitriões, mas nada voltou a passar pelo arqueiro doriano depois disso: Puggioni apareceu com intervenções decisivas contra Chiesa, Babacar (que perdeu gol clamoroso na pequena área), Gil Dias e outros.

Torino 3-0 Sassuolo
Belotti (De Silvestri), Ljajic (Falqué) e Obi

Tops: Belotti e De Silvestri (Torino) | Flops: Duncan e Cannavaro (Sassuolo)

Belotti apareceu. Após o desempenho ruim na primeira rodada, o bomber e capitão granata conduziu a equipe para a primeira vitória no campeonato com uma pintura: um golaço de voleio no final do primeiro tempo, completando uma jogada que começou com o lençol de N’Koulou e teve descida e cruzamento de De Silvestri pelo flanco direito. Até aquele momento a partida era equilibrada e o Sassuolo também teve suas oportunidades. Sirigu trabalhou bem contra Berardi e Falcinelli, mas no fim prevaleceu a consistência dos anfitriões, que pela primeira vez em 20 partidas não sofreram gol na Serie A.

O jogo não acabou aí, porém, e Mihajlovic protagonizou uma cena bem característica sua: o sérvio ficou revoltado com seus auxiliares, Castellazzi e Lombardo, que informaram uma substituição de forma errônea ao quarto árbitro. Após perceber que Acquah entrou no lugar de Rincón e não de Obi, o técnico empurrou seus colaboradores e até o representante da arbitragem. O mais curioso é que no ataque seguinte Ljajic ampliou a vantagem, depois que Duncan errou passe clamoroso para trás. Quatro minutos depois, a redenção. Não de Duncan, mas de Obi, que aproveitou rebote em chute bloqueado de Belotti – autor de uma grande jogada – e fechou o placar com uma emocionante comemoração. O nigeriano criado em Interello convive com constantes problemas físicos e nunca conseguiu uma sequência, mas tem aproveitado a oportunidade com Mihajlovic, que no final das contas se desculpou pela reação à substituição errada.

Chievo 1-2 Lazio
Pucciarelli (Inglese) | Immobile (Luis Alberto) e Milinkovic-Savic (Parolo)

Tops: Strakosha e Milinkovic-Savic (Lazio) | Flops: Sorrentino (Chievo) e Wallace (Lazio)

Depois de um frustrante empate na estreia em casa, nada melhor que uma vitória em um campo muito complicado – e, melhor ainda, com gol no final. Assim foi a vitória da Lazio, que teve dois heróis em Verona: enquanto Strakosha impediu o tropeço diante da pressão dos anfitriões, Milinkovic-Savic decidiu a partida aos 89 minutos, em chutaço da entrada da área. Poderia ter sido mais simples se Immobile tivesse aproveitado todas as oportunidades criadas pelo sérvio e pelo espanhol Luis Alberto, mas o atacante não estava na melhor noite. Ainda assim, o centroavante italiano abriu o placar com muito oportunismo, logo aos 11 minutos, aproveitando uma falha de Sorrentino em cobrança de escanteio. Pucciarelli chegou a empatar aos 34, em um dos vários erros defensivos dos laziali, mas Strakosha evitou outros gols dos clivensi em oportunidades de Inglese e Castro.

Spal 3-2 Udinese
Borriello, Lazzari e Rizzo (Antenucci) | Nuytinck (Jankto) e Théréau (pênalti)

Tops: Borriello e Rizzo (Spal) | Flops: Gomis (Spal) e Scuffet (Udinese)

49 anos depois, a Spal voltou a vencer na Serie A e pode comemorar ainda mais sua invencibilidade. A reestreia vitoriosa não poderia ter sido em um cenário melhor para os biancazzurri que em casa, no acanhado estádio Paolo Mazza – e com direito a gol nos acréscimos. Antes, Borriello abriu o placar para fazer história: o seu gol de número 97 na Serie A foi anotado com o 12º clube diferente, feito suficiente para igualar o recorde de Nicola Amoruso, outro clássico artilheiro andarilho do futebol italiano. Diante da Udinese, uma de suas vítimas favoritas (são 12 gols com seis camisas contra os friulanos), o veterano centroavante mostrou que sua presença pode valer alguns pontos fundamentais para a permanência na elite. Lazzari ampliou em um lance de muita sorte, aproveitando o corte errado de Danilo – o árbitro Paolo Valeri foi bem alertado por seus assistentes que o gol foi regular, afinal o toque do zagueiro brasileiro tirou o impedimento do ala. A Udinese bem que reagiu, descontando com um forte cabeceio de Nuytinck e empatando com Théréau, após um pênalti rocambolesco: Lasagna virou um sanduíche entre os zagueiros adversários. Já nos acréscimos, Rizzo substituiu o exausto Lazzari e garantiu a vitória dos anfitriões em seus primeiros toques na bola, após bela jogada.

Benevento 0-1 Bologna
Donsah (Destro)

Tops: Donsah e Mirante (Bologna) | Flops: Ceravolo e Pinto (Benevento)

Depois de quase surpreender a Sampdoria na estreia na elite, o novato Benevento teve seu primeiro tropeço de verdade, considerando que o Bologna é um adversário direto na briga contra o rebaixamento e o fato de a partida ter sido realizada no estádio Ciro Vigorito. De qualquer forma, novamente a equipe de Marco Baroni comandou as ações da partida, só que dessa vez Mirante não falhou (como na estreia) e foi decisivo com intervenções para manter o Bologna na partida – e para assegurar a vitória. O gol que definiu o placar saiu em um ataque individual de Donsah, que conduziu a bola e entrou na área com liberdade, até tocar na saída de Belec e balançar as redes. O zagueiro Lucioni chegou a empatar no oitavo minuto de acréscimos, mas, com o auxílio do VAR, o veterano árbitro Gianpaolo Calvarese assinalou corretamente o impedimento do capitão dos stregoni e invalidou o gol.

Crotone 0-0 Verona
Tops: Ajeti e Mandragora (Crotone) | Flops: Pazzini e Cerci (Verona)

No confronto direto entre concorrentes ao rebaixamento, a promessa de um jogo de baixo nível técnico foi cumprida. Enquanto o Crotone atacou mais e fez Nícolas trabalhar decisivamente quatro vezes, o Verona teve uma posse de bola estéril, com troca de passes concentrada entre os defensores e muito pouca presença no campo adversário. O jovem treinador Pecchia mais uma vez preteriu Pazzini, que entrou somente na segunda etapa e teve raros toques na bola. Por sua vez, Verde e Daniel Bessa, de longe os jogadores mais criativos da equipe, estiveram desconectados na esquerda e pouco incomodaram a defesa calabresa, muito segura em campo. A chance mais perigosa da partida aconteceu no final do cotejo: o zagueiro Ajeti acertou um chute na trave aos 83 minutos.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Mirante (Bologna); De Silvestri (Torino), N’Koulou (Torino), Regini (Sampdoria), Ghoulam (Napoli); Allan (Napoli), João Mário (Inter); Suso (Milan), Dybala (Juventus), Perisic (Inter); Icardi (Inter). Técnico: Luciano Spalletti (Inter).

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