Serie A

12ª rodada: Resolvendo a charada

Gols, boa forma, e vontade de resolver: Quagliarella é tudo o que a Juve precisa para seu ataque (Eurosport)

Após perder no dérbi contra a Inter, a Juventus reagiu bem. Ok, enfrentou adversários mais modestos, como Nordsjaelland e Pescara, mas marcou muitos gols (10), e os atacantes começaram a surgir. Destes gols, 6 foram marcados por atacantes – três de Giovinco e três de Quagliarella, que começa a “exigir”, dentro de campo, sua ttularidade. Quando ele joga, a Juve é mais incisiva e marca mais gols. Por outro lado, a Inter acabou derrotada, e viu que sua defesa sofre muito sem a liderança de Samuel e a ótima fase de Ranocchia. A rodada ainda teve mais uma derrota do Milan, frente a uma Fiorentina em estado de graça, um Napoli mais uma vez goleador, e um emocionante dérbi entre Lazio e Roma. Acompanhe o resumo da rodada.

Pescara 1-6 Juventus

No meio da semana, após boa
vitória da Juve sobre o Nordsjaelland, pela Liga dos Campeões, falamos
aqui que Quagliarella vinha fazendo boas atuações e já merecia uma
chance como titular no time. Conte deu ao atacante essa chance e ele
provou que pode ser o artilheiro que a equipe vem procurando. Em jogo
contra o fraco Pescara, o ex-napolitano fez sua melhor apresentação na
temporada, mostrou faro de gol e exibiu bom toque de bola, balançando a
rede três vezes e dando duas assistências.

No Adriatico, a Velha Senhora começou com tudo e não
demorou para decidir o jogo. Antes do fim da primeira etapa, o placar
já marcava 5 a 1 para os visitantes, com gols de Vidal, Quagliarella
(duas vezes), Asamoah e Giovinco. Cascione descontou para o Pescara. O
segundo tempo, claro, não teve muitas emoções. Mas Quagliarella reservou
mais uma bonita jogada para os que quiseram ver a partida até o final:
após cobrança de escanteio de Pirlo, o atacante acertou bela bicicleta
para dar números finais ao jogo. Bom resultado para a Juve, que parece
não ter sentido a perda da invencibilidade para a Inter e já marcou 10
gols nos últimos dois jogos. Do lado do Pescara, o técnico Stroppa
começa a balançar. (Rodrigo Antonelli)

Atalanta 2-3 Inter

Nada dura para sempre. Isto ficou claro para a Inter na tarde deste
domingo, depois que a equipe de Milão visitou a Atalanta e saiu
derrotada por 3 a 2. A derrota encerrou uma série de 10 vitórias
consecutivas do time e também deixou para trás a invencibilidade da
equipe fora de casa, nesta temporada. O resultado foi muito bom para a Juventus, que venceu ontem e abriu
quatro pontos na liderança do campeonato. A Inter continua na
vice-liderança, com 27 pontos, mas viu o Napoli, que chegou a 26,
encostar. Já a Atalanta vem muito bem nas últimas rodadas e, com a
vitória, ganhou quatro lugares na tabela, subindo para a 6ª posição, com
18 pontos.

Desfalcada por causa de muitas lesões, a Inter mudou de esquema tático, voltando a ter uma linha de quatro jogadores na defesa, e pagou por isso – Silvestre, em especial, fez uma partida muito ruim, enquanto Nagatomo sofreu com Moralez e Schelotto. A Atalanta saiu na frente no início do primeiro tempo, quando, aos 9
minutos, Bonaventura apareceu entre os zagueiros e, de cabeça,
completou cruzamento de Peluso. Palacio fez Consigli trabalhar bastante, mas o gol de empate só chegou com Guarín, no início do segundo tempo. Daí a zaga da Inter entrou em colapso novamente e, em duas jogadas de Moralez, Denis acabou marcando sua doppietta. Palacio ainda descontou, inutilmente. Reforçar a zaga pode ser prioridade para o mercado de janeiro.

Milan 1-3 Fiorentina

Um dia antes do jogo, Galliani elogiou o técnico da
Fiorentina, Vicenzo Montella, justamente quando muito se especula a demissão de
Max Allegri após o recesso de fim de ano. Disse que o ex-atacante romanista é muito
bom e sabe tirar o melhor de seu time. Pois bem, no confronto contra os
rossoneri, ele realmente fez os viola jogarem o bom futebol condizente com o
elenco que possuem. O primeiro tempo foi completamente dominado pelo time de
Florença. Aos dez minutos, até mesmo Aquilani, que passou pelo Milan na última
temporada, mas normalmente é reserva no time roxo, conseguiu balançar a rede.
Sem apresentar nada de especial para tentar mudar o confronto, o time de Milão ainda
teve um pênalti a seu favor, mas Pato, que iniciava seu segundo jogo na
temporada, representou a campanha dos rossoneri e mandou a bola na
arquibancada. Para piorar, Borja Valero passou como quis pela zaga vermelha e
preta e ampliou para a Fiorentina.
No segundo tempo, Allegri deu nova cara ao ataque,
promovendo as entradas de Pazzini e Bojan, nos lugares de Pato e Emanuelson. O
time até melhorou, pressionou o goleiro Viviano e diminuiu graças ao
oportunismo do Pazzo. Mas foi só. Já no final, El Hamdaoui, outro que pouco vem
jogando, sacramentou mais um derrota milanista no San Siro, com um belo gol,
provando a tese de Galliani, que viu um possível sonho de consumo no futuro,
acabar com seu time, extraindo o melhor dele, até mesmo de jogadores
contestados na temporada. (Caio Dellagiustina)

Genoa 2-4 Napoli

Após uma vitória maiúscula na Liga Europa, o Napoli precisava se
reestabelecer em território nacional. O Genoa deu sufoco, mas foi vencido no
final: Cavani deixou o seu e os partenopei venceram por 4 a 2. A grande exibição
do meio da semana, contra o Dnipro, foi vista no Luigi Ferraris, mas apenas no segundo tempo de um jogo muito divertido. A partida foi
para o intervalo em 1 a 0 para a equipe de Gênova. O gol foi marcado por
Immobile, de voleio, após finalização de Tózser. No entanto, o Napoli voltou com
tudo para a segunda etapa…

Dois minutos separaram o empate, com Mesto, e o gol de Bertolacci, que fez
a alegria da torcida do Genoa. Contudo, nos minutos finais, Cavani, Hamsík e
Insigne começaram a atuar bem juntos, contando com a ótima colaboração de Mesto – que substituiu um Maggio irreconhecível – e, viraram a partida. O Napoli lutou muito e conseguiu
uma grande vitória sob um adversário competente. Mas a competência nem sempre é
traduzida em pontos conquistados. O Genoa, de Del Neri, caiu para a zona de
rebaixamento e contabiliza cinco derrotas consecutivas. Pensar na salvezza,
agora, é o objetivo rossoblù, que na próxima rodada faz o clássico contra a
Sampdoria. Por sua vez, os partenopei seguem no pelotão de cima, com 26 pontos,
e enfrentam o Milan, sábado, no San Paolo. (Murillo Moret)

Entrou água: a Roma perdeu para a Lazio no dérbi e críticas a Zeman aumentam (AFP)

Lazio 3-2 Roma

Brigas fora do estádio, rivalidade acirrada entre as torcidas e
também dentro de campo. O dérbi entre Lazio e Roma é uma das partidas
mais aguardadas do ano e, mais uma vez, mostrou os motivos. Debaixo de
uma chuva muito forte, as equipes se doaram muito, mas quem levou a
melhor foi a Lazio, que venceu por 3 a 2. O resultado (terceira vitória seguida da Lazio em dérbis) mantém os aquilotti na quinta posição da Serie A, já que
Fiorentina e Napoli também venceram na rodada. Agora, a equipe de
Hernanes, um dos melhores em campo neste domingo, subiu para os 22 pontos, ampliando a vantagem sobre a Roma para
cinco pontos. Estacionada nos 17 pontos e com muitas inconstâncias, a
Roma pode demitir o técnico Zdenek Zeman, que corre riscos.

A Lazio precisou virar a partida para vencê-la. Logo no início, Lamela ganhou de Lulic e, de cabeça, fez seu oitavo gol no campeonato. No entanto, Goicoechea não conseguiu segurar uma cobrança de falta de Candreva, aos 34, e engoliu um frangaço. Pouco depois, após boa jogada de Hernanes, Klose – mais uma vez decisivo em um dérbi – viraria a partida e descontrolaria alguns romanos. Especialmente De Rossi, que agrediria Mauri e seria expulso, pouco depois – pegará gancho de três rodadas e não foi convocado por Cesare Prandelli para o amistoso da Itália contra a França. O mesmo Mauri aproveitaria falha de Piris, no início do segundo tempo, para marcar o terceiro, que praticamente sacramentaria o resultado. Ele ainda foi expulso e Marchetti também falharia, aceitando um gol de muito longe de Pjanic, mas não fez mal. A água só foi colocada no chope do lado giallorosso de Roma.

Palermo 2-0 Sampdoria

Se Miccoli não joga, é de consenso pensar que o Palermo jogará
sem uma essencial referência no ataque. Não é para menos, afinal, o
experiente atacante tem seis gols em 12 jogos nesta temporada. Mas o que
parecia ser um problema grande para Gasperini, se tornou a possível
afirmação que tanto precisava uma joia do clube: Dybala, argentino
de apenas 18 anos, que substituiu o capitão no jogo. Com dois gols, o jovem foi a
estrela da vitória por 2 a 0 dos rosanero sobre os blucerchiati. O Palermo voltava a vencer depois de cinco jogos, enquanto a Sampdoria já acumula sete jogos sem vitória – a pior marca de sua história. Uma verdadeira bolada na cara de Ciro Ferrara.

Dybala fez apenas seu sexto jogo em Serie A, sendo que em três dos cinco
anteriores ele entrou no jogo aos 35 do segundo tempo ou ainda mais
tarde. Foi apenas o segundo jogo como titular. A enfraquecida Samp
resistiu como pôde e o primeiro tempo virou sem gols. Mas Dybala recebeu uma grande ajuda de Brienza e, com dois passes do trequartista, marcou
aos 7, recebendo cruzamento rasteiro da esquerda, e aos 36, com um chute
perfeito no canto esquerdo. Na Samp, Ferrara, quase unanimamente contestado pela torcida doriana,
parece ter perdido a equipe, mas tem a garantia da diretoria. O grupo
que parou o ônibus da equipe na chegada ao aeroporto de Palermo mostra
que a semana do dérbi contra o Genoa será das piores possíveis para a
preparação da equipe. (Thiéres Rabelo)

Chievo 2-2 Udinese
“A arbitragem foi devastadora.
Nunca vi algo assim em 27 anos de futebol. Um gol regular anulado, um
pênalti inexistente dado para o Chievo, outro pênalti marcado em jogador
que estava impedido e, por fim, as expulsões de Danilo e Guidolin. É
difícil ficar tranquilo assim. Por rodada, três ou quatro árbitros
perigosos apitam jogos na Itália.” O protesto é do presidente da
Udinese, Giampaolo Pozzo, após o empate de sua equipe com o Chievo.
Apesar de a arbitragem ter chamado muita atenção (de novo), o placar
final foi justo.
Jogando em casa, o Chievo começou melhor e balançou
as redes primeiro, com Andreolli – depois que Brkic ia levando gol olímpico de Luciano e afastou mal. Logo depois, Lazzari empatou, mas o
trio de arbitragem anulou o gol erroneamente. Logo depois, Angella, que
jogou substituindo Domizzi, fez o gol que valeu, empatando a partida. Na
etapa final, o jogo pegou fogo e aconteceu de tudo. Paloschi recolocou o
Chievo na frente, em pênalti duvidoso, e Angella de novo empatou para a
Udinese. O zagueirão Angella ainda teve um erroneamente anulado, que negou sua tripletta, improvável para um defensor, e a vitória da equipe de Údine. Agora, a Udinese ocupa apenas a 10ª colocação, com 15 pontos. O
Chievo tem 11 pontos, na 15ª posição. (RA)
Torino 1-0 Bologna
No Olímpico de Turim, duas equipes muito sólidas fariam um duelo que, já se esperava, teria poucos gols. No jogo de duas das defesas mais bem montadas do campeonato, melhor para o Toro, que tem apenas 10 gols sofridos – segunda melhor marca do torneio, logo atrás de Juve, Napoli e Fiorentina, que sofreram 9. A equipe venceu graças a um gol de cabeça do zagueiro D’Ambrosio, que substituía Ogobonna como capitão da equipe, e deu uma vitória à equipe turinense após 42 dias. Curiosamente, o Torino joga um futebol muito ofensivo, e atua num 4-4-2 que mais parece um 4-2-4, mas tem feito poucos gols e sofrido menos ainda. A melhor defesa é o ataque?
 
Já o Bologna continua flertando perigosamente com a zona de rebaixamento, e embora tenha uma defesa bem montada, já sofreu 18 gols. A desatenção impera na equipe de Pioli, que mais uma vez viu (e, literalmente, apenas observou) uma bola alçada na área terminar dentro das redes. Com 8 pontos, a equipe ocupa a penúltima posição na tabela, mesmo tendo um elenco que não justifica a posição. Está na hora de jogar bola.

Parma 0-0 Siena

O único empate sem gols no domingo saiu do Ennio Tardini. Parma e Siena
protagonizaram um jogo bem movimentado, na Emília-Romanha, e a equipe da casa só
não venceu por conta de uma sólida defesa montada por Serse Cosmi. A primeira
chance real de gol, na partida, veio dos pés de Reginaldo. Mirante fez boa
defesa. Durante o primeiro tempo, a zaga formada por Neto, Contini (substituto
de Paci, que sentiu lesão no aquecimento) e Felipe travou todos as finalizações
do Parma. Parolo, Belfodil, Rosi, Amauri… ninguém conseguia chegar ao gol de
Pegolo. O goleiro só trabalhou, efetivamente – e muito bem -, em cabeçada de
Biabiany.

Na etapa final, o Parma continuou pressionando, uma vez que o Siena,
buscando sair da lanterna do campeonato, jogou recuado demais. Marchionni tentou
de longe, mas sem sucesso; Zaccardo, também. Aos 41 minutos, Biabiany desviou de
calcanhar, para o gol, e Felipe afastou o perigo em cima da linha. O ponto
conquistado fora de casa já fez o Siena encostar no Bologna, 19º colocado, com
oito pontos. Com um ponto a menos, os bianconeri encaram o Pescara, na próxima
rodada, no Artemio Franchi. O Parma caiu para a nona colocação, com os mesmos 16
pontos do Catania (perde no saldo de gols), e enfrenta a Udinese, fora, no
domingo. (MM)

Cagliari 0-0 Catania
Na abertura da rodada,
Cagliari e Catania não conseguiram sair do 0 a 0 e fizeram um dos piores
jogos do fim de semana. Jogada em ritmo lento, a partida pode ser
resumida em apenas dois lances que ocorreram no fim da primeira etapa,
quando o jovem Sau teve a oportunidade de marcar duas vezes seguidas,
mas esbarrou em ótimas defesas do goleiro Andújar. 
O Catania, que vem fazendo boa campanha, com a
manutenção do esquema bem sucedido de Montella da temporada passada,
pouco produziu nesta partida e saiu satisfeito com o empate fora de
casa. Com 16 pontos, ocupa a oitava colocação, logo atrás da Roma. Já o
Cagliari mostra que não pode sonhar com nada mais do que um campoenato
modesto e sem pretensões maiores. O meio de tabela e a salvezza
antecipada estarão de bom tamanho para o time. (RA)

Relembre a 11ª rodada aqui

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

 
Seleção da rodada
Consigli (Atalanta); Mesto (Napoli), André Dias (Lazio), Angella (Udinese), D’Ambrosio (Torino); Hamsík (Napoli), Valero (Fiorentina), Hernanes (Lazio); Moralez (Atalanta); Giovinco (Juventus), Quagliarella (Juventus). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).

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