Coppa Italia

Iguais, mas diferentes

Destro e a lei do ex: nem um excelente Handanovic pode evitar a derrota da Inter
Em jogo decisivo pelas semifinais
da Coppa Italia, Inter e Roma voltaram a duelar na temporada. E como já se
tornou comum nos últimos dois anos, o time da capital levou a melhor,
garantindo um inédito dérbi romano na final. A princípio, o jogo será
disputado na mesma semana que a eleição para o prefeito da cidade.
No confronto entre os times que
brigaram ponto a ponto pelo scudetto em 2006-07, 2007-08 e 2009-10 a vantagem
da Roma sobre a Inter é considerável desde a última vitória do time milanês, em
abril de 2011. Em sete jogos, foram quatro vitórias dos giallorossi, sendo três
nesta temporada.
Vivendo fase não tão boa quanto o
esperado, Inter e Roma tiveram alguns bons momentos em 2012 ao comando de
Stramaccioni e Zeman, respectivamente, porém caíram consideravelmente em 2013,
para a decepção de suas torcidas. Enquanto o time de Milão cai cada vez mais na
tabela e já foi eliminado das outras duas competições que disputou, o time da
capital conseguiu se recuperar nos últimos meses e tem boas condições de ao
menos garantir uma vaga na Europa League.
Desde a virada de ano, a Beneamata
entrou em campo 21 vezes, e conquistou apenas oito vitórias (grande contraste
em comparação a 2012, quando em 29 jogos venceu 17), sofrendo dez derrotas e
empatando outras três partidas. Nesse período, foram mais de 15 jogadores
diferentes que tiveram pelo menos algum problema de lesão, confirmando a
péssima fase da equipe e também o trabalho fraco no departamento médico
nerazzurro, comandado pelo médico Franco Combi há mais de dez anos.
Não bastasse ter perdido sua
referência no ataque, Diego Milito, Andrea Stramaccioni ainda perdeu as outras
fontes de gol, Rodrigo Palacio, Antonio Cassano e, nesta semana, Fredy Guarín. Os últimos dois,
por sinal, já tinham caído consideravelmente de ritmo antes das lesões. Outro
problema é a defesa, e nem tanto pelos desfalques. Mesmo com seus principais
defensores, Samir Handanovic não tem bastado e foram incríveis 39 gols sofridos
contra 35 a favor em 2013.
Nos últimos jogos o time pareceu
que iria reagir quando bateu o Tottenham por 4 a 1 e a Sampdoria por 2 a 0, e
até mesmo quando perdeu para a Juventus por 2 a 1, porém a irregularidade e a
(aparente) falta de motivação custaram três vitórias, mesmo com Ricky Álvarez e
Tommaso Rocchi “desencantando”, auxiliados pelo jovem Mateo Kovacic. Contra
Atalanta, Cagliari e Roma, o time de Stramaccioni teve bons momentos,
controlando boa parte do primeiro tempo, mas acabou saindo sem a vitória nos
três confrontos.
Restando apenas seis jogos para o
fim do campeonato, a equipe de Strama terá pela frente Parma (casa), Palermo (fora),
Napoli (f), Lazio (c), Genoa (f) e Udinese (c) e a responsabilidade de ao menos
conseguir uma vaga nos play-offs da próxima Europa League. Fazendo uma média dos
últimos quinto colocados da Serie A, os interistas terão que conseguir pelo
menos 10 dos 18 pontos a serem disputados. Em relação à temporada passada, são
oito pontos de diferença.
Já em Roma, a situação mudou um
pouco desde a saída de Zdenek Zeman. Com o tcheco no comando do time, foram 13
vitórias, nove derrotas e quatro empates em 25 jogos, 55 gols marcados e 44 sofridos – o melhor ataque e a segunda pior
defesa da Serie A. A nova aventura de Zeman em Roma, porém, acabou quando o
time perdeu por 4 a 2 para o Cagliari, levando uma virada inacreditável em
fevereiro de 2013.
Interinamente, Aurelio
Andreazzoli assumiu o comando técnico do time e os romanistas tem o que
comemorar. Em dois meses com o ex-assistente, foram dez jogos, seis vitórias,
duas derrotas e dois empates. Apesar de não ter a mesma força ofensiva de
antes, o time marcou 17 gols e sofreu outros 13 tentos. Na sexta colocação do
campeonato, com 51 pontos (a quatro da Fiorentina, quarta), os giallorossi têm
duas opções para conseguirem voltar a disputar uma competição europeia: conseguir
resultados favoráveis contra Pescara (c), Siena (c), Fiorentina (f), Chievo (c),
Milan (f) e Napoli (c), ou vencer a rival Lazio na final da Coppa. E mesmo com o vice na copa, se o campeonato mantiver a atual classificação, a equipe volta à Liga Europa.
Nessa quarta-feira, os rivais
fizeram bom jogo num Giuseppe Meazza relativamente cheio (com mais de 50 mil
espectadores; considerando a média de público desta temporada). A Inter teve
mais a posse de bola, criou mais e marcou o único gol dos primeiros 45 minutos,
com Jonathan, após bela tabela com Álvarez e Rocchi. Contudo, a Roma também fez Handanovic trabalhar – duas defesas milagrosas do
esloveno garantiram a vantagem nerazzurra.
O jogo se concentrou na sua maior
parte pelo canto inferior da tela daqueles que viam o jogo pela TV. A Inter era perigosa com Álvarez, Zanetti e
Jonathan, apoiados por Kovacic e Rocchi, enquanto a Roma criou mais com Totti,
Destro e Florenzi. O belo gol de Jonathan saiu aos 21 minutos da primeira
etapa. Kovacic acionou o lateral brasileiro que tabelou duas vezes com Álvarez
e Rocchi, com ambos devolvendo de calcanhar, e marcou seu primeiro gol pela
Inter.
Enquanto a Beneamata “bagunçou” o
lado esquerdo romanista, o time da capital explorava bem os espaços deixados
por Álvarez e Jonathan, enquanto não se criava sobre Juan Jesus e Samuel,
superiores contra Lamela, Marquinho e quem mais aparecesse por ali. E este quadro mudou na
segunda etapa.
Na volta do intervalo, a Roma
voltou melhor organizada com a entrada de Balzaretti na lateral esquerda,
empurrando Marquinho para o meio-campo. A movimentação dos jogadores de ataque também
foi fundamental para a virada romanista. Aos 55 minutos, Lamela saiu da direita
para o meio e acionou Destro nas costas de Samuel. O ex-interista apenas tocou
por sobre Handanovic, igualando o placar.
Stramaccioni deu o troco em
Andreazzoli, colocando Benassi no lugar do apagado Schelotto, e a Inter voltou a
ter o controle do meio de campo. Porém, pouco depois a Roma virou o placar. Aos
69, Balzaretti recebeu na esquerda e cruzou para o novamente livre Destro – Samuel e Juan Jesus apenas observaram o ex-interista marcar sua doppietta e confirmar a famosa lei do ex.
O treinador interista mudou
novamente, mas a sorte não estava mesmo com a Beneamata. Aos 73, Torosidis
passou sem dificuldades pela marcação, ajeitou com o peito e acertou forte
chute contra Handanovic, ampliando a vantagem giallorossa. Necessitando de mais
quatro gols para estar na final da Coppa, a Inter não conseguiu reagir (o poder de reação da equipe nessa última parte da temporada tem sido quase nulo) e só
marcou mais uma vez, com Álvarez, em boa jogada individual.
Ficha do jogo: Inter 2-3 Roma

Inter (4-3-3): Handanovic; Jonathan, Ranocchia (Belloni,
86’), Samuel, Juan Jesus; Zanetti, Kovacic, Kuzmanovic (Forte, 73’); Álvarez,
Rocchi, Schelotto (24 Benassi, 64’)

Reservas: Belec, Carrizo, Silvestre, Chivu, Pasa, Colombi, Bandini, Olsen

Treinador: Andrea Stramaccioni

Roma (4-3-3): Stekelenburg; Torosidis, Marquinhos, Leandro
Castán, Marquinho; Bradley, De Rossi, Florenzi (Balzaretti, 45’); Lamela (Taddei,
76’), Destro (Dodô, 70’), Totti

Reservas: Lobont, Goicoechea, Pjanic, López, Perrotta, Piris, Tachtsidis, Romagnoli,
Jonatan Lucca

Treinador: Aurelio Andreazzoli

Arbitragem: Mauro Bergonzi (Niccolai e Di Fiore; Giannoccaro)

Gols: Jonathan 21’, Destro 55’ e 69’, Torosidis 73’, Álvarez 80’

Gols,
estatísticas,
tabela

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