Serie A

Entrevista: Ederson

Em colaboração com Cleber Gordiano.

A Lazio tem surpreendido em 2014-15 e está na parte de cima da tabela. Os biancocelesti ocupam a 5ª posição na Serie A e mostraram um bom futebol nesta primeira parte da temporada. Bem diferente do que vinham jogando antes, na temporada passada. Para saber um pouco mais do momento da equipe, falamos em entrevista exclusiva com o brasileiro Ederson, um dos dois brasileiros da equipe – o outro é Felipe Anderson. Confira na íntegra o papo com o meia.

A Lazio é uma das sensações da temporada, deixando de lado o pessimismo da torcida com o presidente Lotito na última temporada. O que é diferente no trabalho de Pioli para os de Petkovic e Reja?

Temos um ótimo elenco, uma comissão técnica muito preparada e que está sempre atenta aos mínimos detalhes. Um exemplo disso é a forma com que o time passou a se alimentar com a chegada do novo nutricionista Saverio Militano, que tem dado um excelente suporte na preparação de todos para os treinos e jogos. Creio que a soma de todos esses detalhes faz com que a equipe se prepare melhor na busca dos resultados.

O time vem crescendo e lutando pelas primeiras posições na tabela. Aonde você pensa que a Lazio pode chegar?

Apesar dos resultados negativos nos primeiros jogos, o time já vinha demonstrando um bom futebol. Conseguimos seguir concentrados no nosso trabalho e fazer uma ótima sequência de cinco vitórias e um empate em seis jogos. Nosso grupo tem muita qualidade, mas sabemos que para atingir nossos objetivos será necessário muito empenho e dedicação,   pois o Campeonato Italiano é muito difícil e disputado. Faremos de tudo para estar sempre nas primeiras colocações.

A torcida reclamou muito da saída de Hernanes, mesmo que ele não tenha tido atuações muito boas na parte final de sua passagem pela Lazio – em vários jogos, foi reserva seu. O quanto Hernanes tem feito falta, mesmo com o crescimento de produção do time? E qual a importância de Candreva no momento atual celeste?

Certamente o Hernanes era uma referência no time, excelente jogador e uma ótima pessoa também. Os torcedores gostam muito dele por aqui, por isso não queriam que ele saísse, mas o futebol é assim. Um jogador como o Hernanes, que viveu bons momentos por aqui, faz falta. Mas o time tem procurado focalizar na força do coletivo para se preparar e enfrentar os adversários. Aos poucos estamos obtendo bons resultados.

Com o dinheiro da venda de Hernanes, a Lazio contratou alguns jogadores, e vários deles (Djordjevic, Braafheid e De Vrij, por exemplo), começaram muito bem neste ano. A torcida até deixou de lado a campanha de esvaziar o estádio, pedindo a saída do presidente Claudio Lotito. Hoje você sente que a torcida pega menos no pé dele e do diretor esportivo Igli Tare, pelo acerto nas contratações, até o momento?

Os jogadores que chegaram são de qualidade. Eles se adaptaram rapidamente ao grupo, que já era qualificado, e todos têm dado o melhor em prol do coletivo. Creio que essa é a chave para os bons resultados. Os torcedores têm entendido que estamos dando o máximo em cada partida. Com bons desempenhos e ótimos resultados, os torcedores estão começando a voltar a encher o estádio para nos apoiar e isso é um fator muito positivo.

Quando Hernanes estava em fase irregular, você teve chances no time titular, mas não teve sequência. Você tem sofrido com lesões durante a sua carreira, que também atrapalharam nisso. Como você lida com elas?

Às vezes leio algumas matérias dizendo que sempre sofri com muitas lesões. Na verdade, em doze anos de carreira profissional tive apenas duas lesões sérias, em que precisei passar por operação. A primeira quando tive a oportunidade de voltar à Seleção, e a segunda no começo desse ano. Em ambas situações tive forças pra dar a volta por cima e seguir fazendo o que mais amo, que é jogar futebol. As lesões fazem parte do nosso trabalho, pois nossa ferramenta de trabalho é o corpo, que estamos constantemente levando ao limite na busca da perfeição. O importante é manter o foco, a fé e a determinação para seguir trabalhando em busca da excelência em tudo que fazemos. Somente dessa forma creio que podemos almejar grandes objetivos.

Desde que você chegou à Lazio, ainda não conseguiu ter uma grande sequência. Em algum momento você percebeu alguma impaciência por parte da torcida?

Sempre percebi que os torcedores aqui do Lazio gostam de mim e me admiram, como profissional e como pessoa. Mas sei também que eles esperam que eu possa ter mais continuidade. Estou trabalhando exatamente para isso, para ter mais sequência e assim poder contribuir junto com meus companheiros na busca dos resultados.

Como foram esses 288 dias em que você ficou longe dos gramados? O que você pensou quando entrou em campo contra o Cagliari, duas semanas atrás, e marcou o gol que definiu o confronto?

Para um jogador, ficar fora dos jogos é muito difícil, mas posso me considerar uma pessoa de sorte por ter uma família maravilhosa que sempre me apoiou e me deu forças pra seguir lutando. Pensar sempre positivo creio que foi o detalhe principal para superar os momentos difíceis. Para isso contei muito com a presença e a ajuda de algumas pessoas fundamentais para mim. Minha família, meus amigos mais próximos, minha esposa e meu filho são para mim pessoas que me ajudam a ter o equilíbrio necessário para superar os momentos difíceis e dividir os momentos de felicidades e glórias.

Outro brasileiro, Felipe Anderson, tem tido dificuldades de despontar na Itália. Como a torcida encara isso e como você tem tentado ajudá-lo nos treinamentos e com conversas?

O Felipe Anderson é um jovem de muita velocidade e qualidade técnica. Ele está trabalhando bem, sempre concentrado e disponível para aprimorar cada vez mais o futebol. O Campeonato Italiano é muito difícil, muito truncado e fechado, mas tudo isso vai certamente ajudá-lo a crescer em todos os aspectos.

Hoje a Lazio tem um campeão do mundo (Klose) e um vice (Biglia) em seu elenco. Qual a importância que os dois tem no vestiário?

É importantíssimo ter em nosso elenco jogadores como Klose e Biglia. Não somente pela qualidade em campo, mas também como exemplo fora de campo, pela humildade e pelas atitudes positivas. Certamente os dois têm contribuído muito no crescimento do nosso grupo.

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