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Taribo West, um exótico sarrafeiro em Milão

Quem jogou o icônico Elifoot 98, um autêntico formador de caráter futebolístico, sabe bem o que quer dizer SARRAFEIRO – e sabe que o nigeriano Taribo West se encaixa nesta definição. Ao longo de sua carreira, o ríspido zagueiro ficou mais conhecido por seu estilo faltoso e seus penteados exóticos, além de, após sua aposentadoria, ter sido acusado de ter adulterado a sua idade em sua documentação.

Antes de ter sucesso no futebol europeu, West foi auxiliar da mãe na venda de acarajés nas ruas de Port Hartcourt e atuou em alguns times da Nigéria, entre eles os tradicionais Enugu Rangers e Julius Berger. Aos 19 anos – supostamente – ele foi contratado pelo Auxerre, da França, clube pelo qual jogou quatro anos e faturou dois títulos, incluindo um Campeonato Francês.

Titular da defesa ao lado de Franck Silvestre e Laurent Blanc, o jogador começou a ser convocado para a seleção de seu país e representou a Nigéria nos Jogos Olímpicos de 1996 e esteve em campo na fatídica eliminação do Brasil e na final, vencida contra a Argentina. A conquista das Super Águia foi o primeiro ouro olímpico para um país africano em toda a história.

Em 1997, West se transferiu para a Inter, na mesma janela em que chegaram Luigi Sartor, Zé Elias, Benoît Cauet, Álvaro Recoba, Diego Simeone e Ronaldo. Taribo não foi nem de longe a contratação mais badalada, mas foi titular na maior parte da campanha interista, que terminou com um polêmico vice-campeonato na Serie A e o título da Copa Uefa. O nigeriano fez seus dois únicos gols com a camisa nerazzurra nesta temporada – um deles, importantíssimo, foi decisivo nas quartas de final do torneio continental, contra o Schalke 04.

“Como eu queria bater com a classe do Simeone…” (Interleaning)

Apesar do gol fundamental, West ficou conhecido pelo estilo botinudo – não à toa, na final da copa contra a Lazio, ele conseguiu ser expulso quando o jogo já estava decidido, com um 3 a 0 para os milaneses. Durante a Serie A, o nigeriano também deu uma entrada violentíssima sobre o russo Andrei Kanchelskis, da Fiorentina, e o deixou meses parado. A tesoura foi punida com um simples cartão amarelo – aliás, apesar de ser duro, tosco e até violento, Taribo recebeu poucos cartões em seus anos de Itália.

O camisa 16 ainda passou mais um ano e meio na Inter, completando 64 partidas com a camisa nerazzurra. No entanto, ele não foi tão utilizado quanto antes, chegando a ficar seis meses sem atuar pelo clube, em 1999. Antes disso, Taribo foi peça fundamental na boa campanha nigeriana na Copa de 1998, quando a seleção caiu nas oitavas de final para a Dinamarca.

Em janeiro de 2000 West seguiu em uma trajetória cara a poucos jogadores: atravessou os pórticos de Milão e levou as tranças e chuquinhas da Beneamata para o rival Milan. O nigeriano foi apresentado com pompa na sala de troféus do clube, mas fez apenas quatro partidas em nove meses, com um gol marcado contra a Udinese e foi cedido ao Derby County, da Inglaterra, inicialmente em um empréstimo de três meses.

West surpreendeu o mundo ao fechar com o Milan, cedido pela Inter

Nos anos que se sucederam à passagem pela Itália, West girou pelo mundo. Primeiro ele teve seu empréstimo renovado por mais seis meses e ajudou o Derby a se safar do rebaixamento na Premier League, antes de passar ao Kaiserslautern, da Alemanha. Taribo ainda atuou em duas Copas Africanas de Nações (2000 e 2002), uma Copa do Mundo (2002) e até 2005 na seleção da Nigéria, além de passar pelo futebol da Sérvia (no qual teve atuações dignas), do Qatar, da segunda divisão inglesa e do Irã antes de se aposentar, em 2008.

Depois de pendurar as chuteiras, uma enorme polêmica sobre West explodiu: Žarko Zečević, ex-diretor do Partizan Belgrado, afirmou que o zagueiro teria lhe confidenciado que teria 12 anos a mais que o declarado – ou seja, teria atuado na Itália com uma idade entre 35 e 38 anos, embora oficialmente teria de 23 a 26. Um médico do Rijeka teria notado esta diferença de idade em 2006, quando o jogador foi submetido (e reprovado) a testes no joelho quando fazia exames no clube, mas não tornara a história pública. West, claro, desmentiu tudo e disse que nascera em 1974 e não em 1962.

Hoje, Taribo West deixou seu penteado marcante de lado e não usa mais trancinhas. Também trocou os rituais do juju, uma crença sobrenatural iorubá, pela cristianismo: é pastor pentecostal em tempo integral na Nigéria. Ele já havia fundado seu ministério nos subúrbios de Milão, dedicado principalmente a africanos que haviam emigrado para o país e, mesmo nos tempos de  Derby County, o técnico Jim Smith permitia que ele folgasse aos domingos ir pregar na Itália. Só que, por mais que se dedique à religião e tente salvar almas através de orações, o nigeriano nunca poderá pagar pelos pecados que cometeu em campo, surrando os adversários com força desproporcional.

Taribo West
Nascimento: 26 de março de 1974, em Port Hartcourt, Nigéria
Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Ibukun-Oluwa (1989), Sharks (1990), Enugu Rangers (1991), Julius Berger (1992), Auxerre (1993-97), Inter (1997-99), Milan (2000), Derby County (2000-01), Kaiserslautern (2001-02), Partizan Belgrado (2002-04), Al-Arabi (2004-05), Plymouth Argyle (2005-06) e Paykan (2007-08)
Títulos conquistados: Ouro Olímpico (1996), Copa Uefa (1998), Campeonato Francês (1996), Copa da França (1994 e 1996) e Campeonato Sérvio-Montenegrino (2003)
Seleção nigeriana: 42 jogos

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