Serie A

Festa do título, definição do vice e do último rebaixado: veja como foi a 38ª rodada do Italiano



Deu tudo certo. A anômala temporada da Serie A, que teve de ser interrompida por quase quatro meses em virtude da pandemia de covid-19, terminou neste domingo, com uma rodada final que fez jus ao futebol ofensivo demonstrado ao longo de 2019-20. Com os 32 gols do fim de semana, o torneio foi concluído com uma média de 3,03 tentos por partida – a segunda maior do continente europeu. E, para os que afirmam que não há competitividade na Itália, a classificação final mostra a Juventus um ponto acima da Inter e com cinco a mais que a Lazio, quarta colocada.

Na última rodada, o Genoa conseguiu a permanência na elite ao vencer o Verona e relegou o Lecce, derrotado pelo Parma, à segundona. Na parte de cima da tabela, a Inter ficou à frente de Atalanta e Lazio, abocanhando uma gorda premiação por conta do vice-campeonato. Na derradeira jornada, ainda restou tempo para Immobile conseguir a Chuteira de Ouro da Europa e igualar o recorde de gols numa temporada, estabelecido por Higuaín em 2016. Confira a classificação do campeonato e, abaixo, a análise das partidas.

Juventus 1-3 Roma

Gols e assistências: Higuaín (Rabiot); Kalinic (Perotti), Perotti (pênalti) e Perotti (Zaniolo)
Tops: Perotti e Zaniolo (Roma)
Flops: Rugani e Bernardeschi (Juventus)

Antes de levantar a taça e fazer a festa pelo eneacampeonato, a Juventus teve a faixa carimbada mais uma vez, numa partida que marcou a primeira vitória da Roma no Allianz Stadium – e olha que o estádio foi inaugurado há quase 10 anos. Suspenso, Sarri decidiu experimentar uma formação alternativa e poupou Ronaldo, além de ter dado espaço a cinco jogadores do time sub-23 bianconera e até a Pinsoglio, terceiro goleiro da equipe principal.

A Juve, estreando novo uniforme, parecia não sentir as mudanças quando, aos cinco minutos, abriu o placar com Higuaín. Porém, com o passar do tempo, a Roma foi crescendo no jogo e contou com a inconsistência de Rugani e Danilo (algo habitual em 2019-20) para virar o placar. Após a falha de marcação do zagueiro na cabeçada de Kalinic, o lateral derrubou Calafiori e concedeu penalidade para a Loba. Na etapa final, uma belíssima jogada de Zaniolo resultou na doppietta de Perotti, que decretou o 3 a 1 giallorosso.

Atalanta 0-2 Inter

Gols e assistências: D’Ambrosio (Young) e Young (Martínez)
Tops: Young e Godín (Inter)
Flops: Pasalic e Zapata (Atalanta)

Para Conte, o segundo colocado é apenas o primeiro dos perdedores. Apesar dessa convicção, o treinador escalou força máxima para o confronto direto contra a Atalanta, que valia o vice-campeonato e, principalmente, 10 milhões de euros a mais que os prêmios recebidos pelo quarto colocado e cinco a mais que o valor dado ao terceiro. Com a vitória, o treinador apuliano fez seu time concluir a Serie A um ponto atrás da Juventus, mas suas declarações na entrevista coletiva pós-jogo, com críticas à diretoria, elevaram a temperatura nos bastidores.

Em campo, a Inter teve tranquilidade total. Com jogadores muito focados, a equipe de Milão viu D’Ambrosio e Young marcarem logo cedo, o que contribuiu para o controle da partida, que foi feito com maestria e excelente posicionamento defensivo. No ataque, Lukaku conseguia criar oportunidades e segurar a bola, enquanto Godín e De Vrij comandavam a melhor retaguarda da Serie A, com 36 gols sofridos. Em nenhum momento o fortíssimo ataque bergamasco (dono de 98 tentos na Serie A) ameaçou Handanovic. Para Gasperini, a derrota foi considerada uma aula para o embate com o Paris Saint-Germain, pela Champions League.

Em grande partida de Young, a Inter superou a Atalanta e foi vice-campeã (LaPresse)

Napoli 3-1 Lazio

Gols e assistências: Ruiz (Mertens), Insigne (pênalti) e Politano (Mertens); Immobile (Marusic)
Tops: Mertens (Napoli) e Immobile (Lazio)
Flops: Manolas (Napoli) e Luiz Felipe (Lazio)

No San Paolo, todas as atenções estavam voltadas para Immobile. Nascido na província de Nápoles, o atacante conseguiu igualar o recorde de gols numa única temporada, pertencente a Higuaín, que obteve o feito justamente quando defendia os partenopei, em 2016. Ciro até anotou seu 36º tento na Serie A e, além da artilharia, também foi o Chuteira de Ouro da Europa. Apesar disso, sua Lazio não fez um bom jogo e terminou o campeonato na quarta posição.

Debaixo de muita chuva, o Napoli mandou na partida e conseguiu o seu primeiro gol logo aos 9 minutos, com um chute de Ruiz que desviou na defesa e encobriu Strakosha. Immobile não demorou a empatar, mas a Lazio pouco produziu depois disso – acertou a trave, com Correa, e nada mais. Já o time de Gattuso teve um bom volume de jogo, embalada pela participação constante de Mertens e Insigne. O belga viria a participar dos três tentos: além da assistência para Ruiz, sofreu o pênalti convertido por Lorenzinho e teve habilidade para deixar Politano livre para fazer o terceiro. Mesmo com a vitória, o Napoli terminou a Serie A abaixo das seis posições mais altas da tabela pela primeira vez desde 2009.

Genoa 3-0 Verona

Gols e assistências: Sanabria (Lerager), Sanabria (Pandev) e Romero (Jagiello)
Tops: Sanabria e Lerager (Genoa)
Flops: Günter e Amrabat (Verona)

Dessa vez, o susto foi menor. Assim como na última temporada, o Genoa precisou decidir a sua permanência na elite na derradeira rodada do campeonato. Em 2019-20, porém, os grifoni venceram seu compromisso final, o que não ocorria desde 2014, e se livraram do rebaixamento sem passar um grande perrengue. O categórico triunfo sobre o Verona, construído ainda na primeira etapa, nem foi o fator fundamental para a salvação: como o Lecce perdeu, o time da Ligúria teria permanecido com qualquer resultado no Marassi.

Diante de um Verona desinteressado, em má fase e repleto de ex-rossoblù no elenco e na comissão técnica, o Genoa fez 2 a 0 com apenas 25 minutos de jogo. Para tanto, o time de Nicola explorou as fraquezas de um velho conhecido: o zagueiro Günter, emprestado ao Hellas. Em dois erros infantis de marcação do defensor (um dos piores do campeonato, do ponto de vista técnico), Sanabria teve liberdade para marcar sua doppietta. Perto do intervalo, Romero, em bela cabeçada, deixou a situação bem encaminhada para o Vecchio Balordo. Na etapa final, os genoveses conseguiram administrar a partida mesmo com um a menos, devido à expulsão do zagueiro argentino, ainda que os jogadores do Verona tenham tentado, de todas as formas, fazer com que o experiente Pazzini marcasse em sua última partida pelo clube.

O primeirão: Immobile se tornou recordista de gols numa edição da Serie A (ActionPlus)

Lecce 3-4 Parma

Gols e assistências: Barák (Mancosu), Meccariello (Falco) e Lapadula; Lucioni (contra), Caprari (Hernani), Cornelius (Barillà) e Inglese (Barillà)
Tops: Barillà e Cornelius (Parma)
Flops: Lucioni e Dell’Orco (Lecce)

O último jogo do Lecce nesta Serie A foi um retrato do time em toda a temporada: mostrou novamente a força de seu ataque insinuante e capaz de incomodar os grandes, mas também a fragilidade defensiva que o acompanhou em 2019-20. Pela primeira vez desde 1994, quando uma vitória passou a valer três pontos, um time foi rebaixado após marcar 52 gols no campeonato. É que a retaguarda salentina foi vazada 85 vezes: é a pior no período supracitado e a quinta mais fraca da história dos pontos corridos.

Em nenhum momento do domingo o Lecce conseguiu ficar à frente do Genoa. Principalmente, porque nunca teve a vantagem sobre o Parma, em primeiro lugar. Aos 24 minutos, o time visitante já vencia por 2 a 0, graças a (mais) um azarado gol contra salentino e o tento de Caprari, oriundo de contra-ataque. Bruno Alves errou bastante na defesa crociata e os mandantes chegaram a empatar em duas jogadas aéreas. Mancosu, em baixa no fim da temporada, perdeu boas oportunidades claras, que talvez não desperdiçasse em tempos melhores. O aparente crescimento apuliano não se confirmou no tempo complementar e, após dois novas falhas primárias dos defensores do Lecce, o Parma fez 4 a 2. Lapadula chegou a descontar, mas não foi suficiente: o time de Liverani retornou para a Serie B.

Milan 3-0 Cagliari

Gols e assistências: Klavan (contra), Ibrahimovic (Castillejo) e Castillejo (Bonaventura)
Tops: Rafael Leão e Bonaventura (Milan)
Flops: Walukiewicz e Klavan (Cagliari)

O Milan encerrou 2019-20 no mesmo ritmo com que voltou da pausa forçada da Serie A. Voando, o time de Pioli não tomou conhecimento do Cagliari de Zenga e atropelou os sardos com um placar que chegou a ser modesto. Não fossem o travessão e o ótimo goleiro Cragno, que defendeu um pênalti e fez outra intervenção difícil no primeiro tempo, o marcador teria sido mais elástico em favor dos rossoneri.

A farra lombarda começou cedo, com um gol contra tosco de Klavan, por pura lentidão ao reagir para tentar se esquivar de uma bola chutada na trave por Rafael Leão. Sem sorte, o português voltou a carimbar o poste num belo voleio, ainda na primeira etapa. Já no segundo tempo, aos 55, Ibrahimovic se redimiu da penalidade desperdiçada pouco antes do intervalo com um petardo no ângulo. Dois minutos depois, Castillejo fechou a conta ao aproveitar uma bobeada da defesa adversária. Um dos destaques da partida foi o meia Bonaventura, que não renovou o contrato com o Diavolo e está de malas prontas para acertar com a Roma.

No sufoco: Genoa escapou do rebaixamento na última rodada (LaPresse)

Spal 1-3 Fiorentina

Gols e assistências: D’Alessandro (Valoti); Duncan (Chiesa), Kouamé (Pulgar) e Pulgar (pênalti)
Tops: Pulgar e Chiesa (Fiorentina)
Flops: Bonifazi e Vicari (Spal)

Despedida na Spal e permanência na Fiorentina. Após o último jogo dos spallini antes do retorno à Serie B, o técnico Di Biagio confirmou que não dirigirá a equipe em 2020-21. Por sua vez, Commisso, presidente violeta, declarou que Iachini continuará no cargo na próxima temporada, afastando os rumores de troca no comando do time de Florença. A favor de Beppe pesou a fase final da campanha: com quatro vitórias em seis rodadas, os toscanos conseguiram terminar o campeonato na décima posição.

Em Ferrara, os dois times foram a campo com alguns reservas. Entre tantas experiências, a Fiorentina se fiou em Pulgar e Chiesa, capitão por um dia. Enquanto o ponta foi o principal destaque com a bola rolando, o volante chileno mostrava sua habitual precisão na bola parada – foi assim que deu uma assistência para Kouamé e marcou um gol, na reta final da partida. A Spal chegou a segurar o empate por 50 minutos, mas sucumbiu aos 89 e terminou a competição na lanterna, cinco pontos atrás do Brescia.

Bologna 1-1 Torino

Gols e assistências: Svanberg (Soriano); Zaza (Verdi)
Tops: Juwara (Bologna) e Zaza (Torino)
Flops: Denswil (Bologna) e Lukic (Torino)

No Dall’Ara, Bologna e Torino voltaram a sofrer gols e ratificaram o quanto suas defesas tiveram mais problemas do que o esperado em 2019-20: os bolonheses tiveram a quinta retaguarda mais vazada da Serie A, com 65 tentos, e os piemonteses vêm a seguir, com 68 sofridos. Na curta pré-temporada, peças e orientações terão de ser revistas pelos treinadores. Mihajlovic continua onde está, enquanto o Toro deve substituir Longo por Giampaolo.

O Bologna saiu na frente logo no início da partida, depois que Svanberg concluiu uma jogada iniciada por Juwara, em seu primeiro jogo como titular. Num duelo atravancado, que teve três cartões amarelos para cada lado, os dois times trocavam golpes sem muita convicção, até que Zaza aproveitou a passividade de Denswil para, num sem pulo, concluir lançamento de Verdi. Na reta final da partida, o próprio Zaza e Santander tiveram oportunidades para marcar, mas não conseguiram tirar o 1 a 1 do placar.

Embora tenha mostrado bom futebol em alguns momentos, o Lecce acabou rebaixado (LaPresse)

Sassuolo 0-1 Udinese

Gols e assistências: Okaka (Lasagna)
Tops: Berardi (Sassuolo) e Musso (Udinese)
Flops: Peluso (Sassuolo) e Zeegelaar (Udinese)

Oitavo colocado, o Sassuolo recebeu a Udinese com a expectativa de fazer de Caputo um dos três maiores artilheiros da temporada. No entanto, a equipe treinada por Gotti voltou a ter bom desempenho como visitante na última jornada e fez seu 21º ponto nessa condição, frustrando os planos dos mandantes. Dessa vez, o triunfo passou pela excelente forma do goleiro Musso, autor de quatro defesas difíceis.

Em toda a partida, Berardi aproveitou a produção ofensiva do time de De Zerbi, mas parou nas defesas do argentino. Na mais difícil delas, Musso espalmou um sem pulo do atacante e contou com o travessão para evitar o gol. Naquele momento, a Udinese já vencia. Numa das poucas oportunidades que friulanas que não surgiram de indecisões defensivas dos neroverdi, Lasagna arrancou em alta velocidade e serviu Okaka, que só teve o trabalho de empurrar para o gol vazio.

Brescia 1-1 Sampdoria

Gols e assistências: Torregrossa (pênalti); Léris (Augello)
Tops: Torregrossa (Brescia) e Léris (Sampdoria)
Flops: Gastaldello (Brescia) e Quagliarella (Sampdoria)

Na partida mais desimportante da rodada, as atenções estavam voltadas para o zagueiro Gastaldello. Capitão do Brescia e ex-dono da braçadeira também da Sampdoria, o vêneto encerraria sua carreira num duelo entre os dois clubes. Aos 37 anos, o defensor teve uma despedida digna de Zidane: cometeu um pênalti por colocar o braço numa finalização que ia para fora e ainda marcou um gol contra involuntário. Para sua sorte, a liga considerou que o chute de Léris – que ia para muito longe – tinha a direção da meta de Andrenacci e, por isso, atribuiu o tento ao francês.

De resto, a partida pouco teve de emoção. Em ambos os lados, jogadores queriam mostrar serviço: os da Samp, para se manterem no time ou conseguirem melhor contrato; os do Brescia, para continuarem a atuar na elite, mas por outra equipe. Um dos brescianos que têm tal potencial é Torregrossa, autor de sete tentos nesta Serie A. Se o camisa 11 mandante converteu sua cobrança de pênalti e terminou o ano em alta, o mesmo não se pode dizer de Quagliarella. O veterano é especialista no assunto, mas desperdiçou uma penalidade no primeiro tempo.

Seleção da rodada

Musso (Udinese); Godín (Inter), De Vrij (Inter), Kjaer (Milan); Perotti (Roma), Pulgar (Fiorentina), Bonaventura (Milan), Young (Inter); Mertens (Napoli), Immobile (Lazio), Sanabria (Genoa). Técnico: Antonio Conte (Inter).



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