Liga dos Campeões

A segurança de Onana fez a Inter passar pelo Porto e avançar às quartas da Champions League

Os torcedores da Inter viveram um dia tenso, mas puderam respirar aliviados em seu término. Após 12 anos, a Beneamata voltou a se classificar para as quartas de final da Champions League, ao eliminar o Porto graças a um magérrimo 1 a 0 no placar agregado. No Estádio do Dragão, os nerazzurri amarraram o jogo e tiveram de se desdobrar nos derradeiros minutos para segurar o empate sem gols e garantir a sua presença no grupo das oito melhores equipes da competição. Sem o arqueiro Onana, no entanto, talvez isso não fosse possível.

Havia alguns anos que a torcida da Inter sonhava com a contratação de um goleiro para tomar a titularidade de Handanovic, ídolo que vinha sofrendo com uma intensa queda de rendimento. Adquirido a custo zero, Onana chegou no verão de 2022 e não foi alçado imediatamente ao onze inicial, o que gerou alguma insatisfação dos nerazzurri. O camaronês estreou contra o Bayern Munique, no debute da equipe pela Champions League, e não demorou para se tornar a primeira opção de Simone Inzaghi.

Meses depois de sua estreia, Onana fez milagres para garantir a vitória da Inter sobre o Porto em Milão, no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. No Estádio do Dragão, se destacou pela segurança ao longo de 90 minutos e, nos acréscimos, além de efetuar um milagre, contou com a sorte e a ajuda dos companheiros para sair de campo como um dos pilares da classificação nerazzurra.

A passagem de turno também é uma vitória de Inzaghi, que vinha sendo duramente criticado nas últimas semanas pelo desempenho irregular da equipe na Serie A e, de maneira mais global, pelos deslizes que a Inter coleciona no torneio de pontos corridos desde a sua chegada, no verão europeu de 2021. No mata-mata, o ex-técnico da Lazio se transforma: venceu duas edições da Supercopa Italiana, uma Coppa Italia e, na atual temporada, ainda tem chance do bis. Afinal, conduziu a Beneamata às semifinais, fase em que encara a Juventus.

Inzaghi ainda tem, a seu lado, um moderado sucesso na Champions League – o que representa o bem-vindo aporte de alguns milhões de euros ao caixa da agremiação. Os títulos conquistados valem muito, mas avançar na competição europeia é algo ainda mais significativo para a Inter e para a avaliação que a diretoria faz do trabalho do treinador.

Na última temporada, Inzaghi levou a Beneamata às oitavas de final da Champions League, encerrando ausência de uma década nesta etapa do torneio. Ademais, fez a sua equipe realizar um confronto muito equilibrado com o Liverpool, que foi decidido a favor dos Reds apenas nos detalhes. Dessa vez, o futebol mostrado contra o Porto não foi dos mais exuberantes, é verdade, mas a Inter teve um desempenho esplêndido na fase de grupos, quando eliminou o Barcelona, com direito a impiedosa vitória por 3 a 1 em pleno Camp Nou, e ainda voltou às quartas da Liga dos Campeões.

Os nerazzurri não ficavam entre os oito melhores da Europa desde que a geração que levantou a Tríplice Coroa, em 2010, deu seus últimos suspiros em nível continental, na campanha seguinte. Cerca de 12 anos depois da queda da Inter para o Schalke 04, num duelo rocambolesco, Inzaghi se agarra a seus feitos para seguir no cargo independentemente do que virá pela frente. Mas não só: visivelmente mordido pelas críticas, embora muitas delas sejam merecidas, deixou claro na entrevista coletiva pós-jogo que o seu principal objetivo no restante da temporada é levar a sua equipe ainda mais longe na Champions League.

A atuação aguerrida da defesa interista, em especial a de Darmian, foi fator-chave para a classificação dos italianos ante o Porto (Getty)

O jogo

A bem da verdade, não tivemos um espetáculo no Estádio do Dragão. Muitos torcedores da Inter que viajaram até o norte de Portugal, inclusive, sequer puderam assistir às más traçadas linhas de futebol, ainda que tivessem ingresso: centenas ficaram de fora da arena, por motivos ainda não explicados. A diretoria da equipe italiana informou que fará uma reclamação em caráter oficial à Uefa.

O jogo foi disputado em ritmo muito baixo até o Porto partir para o desespero, na reta final do segundo tempo. Até lá, a Inter manteve suas linhas baixas e, quando teve a bola, soube manter a posse de forma inteligente – o que ajuda a explicar o fato de Çalhanoglu ter sido escolhido, pela Uefa, como o melhor em campo.

No primeiro tempo, o Porto ameaçou duas vezes, ambas em erros da Inter em campo de defesa, quando os dragões tentavam pressionar a saída de bola. Aos 19 minutos, Dumfries perdeu a posse perto da grande área e Eustáquio teve boa chance ao efetuar finalização no canto direito e parar em Onana. Aos 40, foi a vez de Mkhitaryan se enrolar: na sequência da jogada, Dimarco travou o chute de Evanilson. Apesar disso, a melhor oportunidade da etapa inicial foi dos italianos, após um contragolpe de três contra dois. Dzeko recebeu e arrematou cruzado, mas Diogo Costa se esticou para defender.

Após o intervalo, os minutos se passaram e o duelo continuava favorável para a Inter. Em relação ao primeiro tempo, o Porto finalizava ainda menos, mas a dedicação dos nerazzurri à fase defensiva era maior: as linhas se compactavam, a marcação era mais agressiva e, principalmente, os jogadores pareciam mais atentos e disciplinados. Darmian, com dois carrinhos providenciais, foi o grande nome dessa fase do jogo.

Aos 76 minutos, então, o Porto finalmente levou perigo. Grujic arriscou um chute cruzado da entrada da área, mas Onana se atirou para fazer uma defesa difícil – havia muitas pernas em seu campo de visão. O jogo logo voltou à toada anterior, mas com o camaronês aparecendo com maior destaque para agasalhar as bolas lançadas à área. Do outro lado, num contra-ataque, Lukaku e Lautaro chegaram a assustar os portistas.

Encaixotado, o Porto foi para o “abafa” definitivo somente nos acréscimos e foi ali que os torcedores da Inter viram os seus corações saírem pela boca. Aos 95, Dumfries escreveu mais um capítulo positivo em sua história de altos e baixos pela Beneamata ao cortar, em cima da linha, uma conclusão cruzada de Marcano. Na sequência, Taremi cabeceou com maestria e Onana saltou para efetuar um desvio suficiente para jogar a bola em direção à sua trave. Após a milagrosa defesa do camaronês, foi a vez de Grujic testar e carimbar o travessão.

Atordoado pelas grandes oportunidades perdidas, o time português ficou nervoso e D’Ambrosio ainda aproveitou para cavar a expulsão do brasileiro Pepê, nos segundos derradeiros. Exalando um perfume dotado de notas de drama, a Inter se juntou ao rival Milan e lhe acompanhará às quartas de final pela primeira vez desde 2006. A propósito, a Itália tem boas chances de encerrar um jejum de 17 anos sem colocar três clubes entre os oito melhores do continente, visto que o Napoli detém ótima vantagem no duelo com o Eintracht Frankfurt e, nesta quarta, pode se juntar à dupla lombarda.

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