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Massimo Mauro, o meio-campista que corria pelos craques dos anos 1980



Pode um jogador ter atuado ao lado de Zico, Michel Platini e Diego Maradona e mesmo assim não ser querido pelas torcidas dos clubes que defendeu? Massimo Mauro é a prova de que, sim, é possível. Embora a maior parte da antipatia que paira sobre sua figura tenha surgido após o final de sua trajetória como jogador, devido à sua atuação como parlamentar e pelo despreparo como comentarista esportivo, o ex-volante nunca contou com muita simpatia por parte dos napolitanos, mesmo que tenha passado primeiro pela Juve.

Massimo não teve dificuldades de escolher sua primeira profissão. Afinal, seu irmão mais velho, Gregorio Mauro, era um atleta e uma grande influência. O primogênito atuava no meio-campo e passou grande parte de sua carreira no Catanzaro, clube de sua cidade natal. Massimo também começou no clube calabrês, em 1979.

Os irmãos Mauro tiveram poucas oportunidades de jogar juntos, já que Massimo defendeu o Catanzaro entre 1979 e 1982 e apenas uma das cinco passagens de Gregorio pelos giallorossi ocorreu no mesmo período, em 1979-80. Massimo teve sua estreia como profissional na Serie A, em abril de 1980, numa derrota para a Milan, por 3 a 0, e marcou seu primeiro gol como profissional justamente contra os rossoneri, em novembro de 1981 – na ocasião, o Catanzaro devolveu o placar de 3 a 0.

Mauro atuou pelo Catanzaro durante os melhores anos da história do clube. Em 1981, as águias do sul terminaram a Serie A na oitava colocação, sua mais alta classificação, e em 1982 foram semifinalistas da Coppa Italia. Mostrando consistência no centro do gramado, Massimo ganhou suas primeiras chances na seleção sub-21 da Itália e acabou contratado pela Udinese.

O meia, que atuava pela direita ou centralizado, ficou três temporadas na Udinese, entre os 20 e os 23 anos. Nesse período, disputou dois Europeus Sub-21 pela Itália e contribuiu, sempre com bom desempenho, para campanhas positivas dos friulanos. No total, Mauro atuou em 102 jogos – perdeu apenas sete partidas oficiais – e marcou oito gols.

Mauro treina no CT do Catanzaro, em início de carreira (Catanzaro nel Pallone)

A temporada 1982-83 foi a melhor de Mauro na Udinese. Nela, o meia contribuiu para que a equipe surpreendesse e concluísse a Serie A na sexta posição, três pontos atrás do Verona, que se classificou para a Copa Uefa. A contratação de Zico obrigou o calabrês a executar mais atribuições defensivas nos dois anos seguintes, mas não lhe impediu de aparecer no ataque como elemento surpresa – sete dos oito gols de Massimo pela agremiação de Údine ocorreram no período em que foi colega de Zico.

Em 1985, tido como um dos melhores jovens em circulação na Itália, Mauro foi comprado pela Juventus, que acabara de se sagrar campeã da Europa. Sua chegada tinha um objetivo muito simples: Massimo seria um dos caras que teriam a obrigação de correr por dois e possibilitar que Platini pudesse brilhar sem muitas amarras e obrigações como marcador.

No primeiro ano, Mauro venceu logo uma Serie A e um Mundial Interclubes – o meia começou a partida contra o Argentinos Juniors como titular e foi substituído aos 75 minutos. Giovanni Trapattoni deixou Turim em 1986, dando lugar a Rino Marchesi, e Massimo continuou como titular. A Juve foi vice-campeã no ano de despedida de Platini, mas começou a enfrentar dificuldades sem o seu craque. O calabrês também passou por questionamentos naquele período e, a partir de 1987-88 – seja com Marchesi, seja com Dino Zoff –, deixou de ter sua titularidade garantida. Ainda assim, foi convocado para disputar a Olimpíada de 1988, em Seul.

Sem o mesmo espaço de outrora na Juventus, Mauro trocou de clube, após 149 jogos e sete gols pela Velha Senhora. No verão de 1989, o meia passou ao Napoli por 3 bilhões de liras e se tornou opção a Luca Fusi e Alemão na campanha do segundo scudetto azzurro, sendo utilizado com certa regularidade. Era uma espécie de 12º jogador daquele time: atuou em 30 das 34 rodadas e teve 1880 minutos em campo.

O volante viu sua participação no time rarear subitamente a partir da temporada seguinte e ir diminuindo drasticamente com o passar do tempo. Em 1990-91, Mauro atuou 14 vezes na Serie A (1041 minutos) e, em 1991-92 e 1992-93, só jogou em 10 ocasiões – recebendo oportunidades em apenas 604 e 441 minutos, respectivamente. Depois de totalizar 90 jogos e quatro gols pela equipe da Campânia, o calabrês deixou o esporte, por conta de um problemas nas costas. Massimo tinha apenas 31 anos.

Pela Udinese, Mauro marca Di Gennaro, do Verona (L’Arena)

Aposentado, Mauro trocou o fardamento esportivo pelos ternos e gravatas. O ex-jogador iniciou a carreira política como deputado na Câmara dos Deputados da Itália, sendo eleito pela região da Calábria em 1996. De outubro de 1997 a 1999, Massimo também foi presidente do Genoa, numa época em que o clube passava por dificuldades financeiras e iniciava uma frequente troca de presidentes – que durou até 2003, quando Enrico Preziosi, atual dono da agremiação, a adquiriu.

Em 2001, Massimo Mauro relembrou os seus momentos de glória numa autobiografia, escrita por ele e Luca Argentieri. Como foi coadjuvante ao longo de sua carreira, o ex-meia se dedicou a contar como foi a honra de dividir o vestiário com craques como Zico, Platini e Maradona. Não à toa, o livro se chama “Ho giocato con tre geni” – “Joguei com três gênios”, em tradução livre.

Pelo movimento L’Ulivo, de centro-esquerda, Mauro foi eleito para o conselho municipal de Turim, em 2006, e ocupou um cargo análogo ao de vereador no Brasil. Desde 2009, Massimo é membro do Partido Democrático, situado no mesmo espectro político, mas nunca mais se candidatou a cargos políticos.

De fato, o ex-jogador se dedicou quase que integralmente à sua terceira profissão: a de comentarista. Entre 2005 e 2018, trabalhou na Sky Sports e, desde 2013, colabora para o jornal La Repubblica. Além disso, Mauro mantém, juntamente a Gianluca Vialli, uma fundação beneficente que visa arrecadar fundos para pesquisas contra o câncer e a esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Massimo Mauro
Nascimento: 24 de maio de 1962, em Catanzaro, Itália
Posição: meio-campista
Clubes: Catanzaro (1979-82), Udinese (1982-85), Juventus (1985-89) e Napoli (1989-93)
Títulos: Serie A (1986 e 1990), Supercopa Italiana (1990) e Mundial de Clubes (1985)



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