É hora da festa? Pela segunda vez consecutiva, o calendário da Serie A oferece à Inter a chance de encerrar a disputa antes da última curva, agora em um cenário mais controlado e dependente apenas de si própria. O desfecho que escapou na rodada anterior – quando a goleada do Napoli sobre o Napoli adiou qualquer chance de celebração – reaparece sob outra configuração, menos difusa e mais direta. A conquista do 21º scudetto está mais próxima do que nunca para os nerazzurri.
Nesse contexto, a 35ª jornada se estrutura a partir deste evidente eixo central. A Inter entra em campo no domingo, diante de um Parma já salvo do descenso e sem objetivos no campeonato, com a possibilidade de selar matematicamente o título diante de sua torcida. A combinação é simples: uma vitória em casa encerra a corrida. Há ainda a hipótese de confirmação antecipada e comemoração no sofá. Para que o scudetto seja conquistado antes de a bola rolar em Milão, é necessário que o Como vença o Napoli e que o Milan não derrote o Sassuolo. Ainda que viável, esse cenário não atende ao que se espera no ambiente nerazzurro, que projeta a confirmação dentro do estádio.
A moldura do duelo em San Siro também tem perspectivas simbólicas. Cristian Chivu pode confirmar o título justamente contra o clube em que iniciou sua trajetória recente como treinador para além dos juvenis – o mesmo Parma que havia salvo do rebaixamento na temporada passada. Com apenas 13 partidas como técnico profissional à época de sua chegada à Inter, o romeno atravessou um percurso curto e contestado até um ponto de consagração que pode se materializar logo diante dos crociati.
Ao redor desse centro gravitacional, a rodada distribui disputas que tensionam principalmente a zona de classificação continental. Como e Napoli se enfrentam em um jogo que combina dois vetores claros: de um lado, a tentativa napolitana de adiar a definição do título; de outro, a necessidade do time da casa de sustentar a pressão sobre a Juventus, quarta colocada, hoje a três pontos de distância. A Velha Senhora, por sua vez, recebe o Verona – que será rebaixado em caso de derrota – em um contexto favorável, no qual tende a manter a diferença na tabela. Já a Roma, com a mesma pontuação dos comascos e nos calcanhares da Juve, encara a Fiorentina buscando reduzir essa margem diante de um adversário que pode assegurar matematicamente a permanência com um triunfo associado a tropeço da Cremonese.
A jornada também pode produzir definições imediatas na parte inferior da tabela. Como mencionado acima, o Verona entra em campo sob risco direto de queda, enquanto o Pisa abre o feriadão pressionado: um empate em casa com o Lecce, no Dia Mundial do Trabalhador, já sela seu rebaixamento, tornando a vitória a única alternativa possível. Confira a prévia da rodada.
O jogão
Domingo, 3/5, 15h45
Inter x Parma
Teremos definição de título em San Siro, antes da rodada, só um adiamento ou a líder vai ser capaz de entregar o troféu para um rival? Bem, o mais provável é que o jogo entre Inter e Parma valha a taça para os nerazzurri, tal qual ocorreu em 2008, sob um dilúvio bíblico – mas no Ennio Tardini e na última rodada. Basta uma vitória para que a Beneamata celebre, pela sexta vez em sua história, uma conquista com pelo menos três jornadas de antecedência. E pode ocorrer até antes disso, se o Napoli perder para o Como, no sábado, e o Milan não superar o Sassuolo, na tarde de domingo na Itália.
A equipe de Milão chega sem Çalhanoglu, enquanto Lautaro retorna, mas com a tendência de começar no banco de reservas, como opção a Esposito. Ainda assim, pode não fazer tanta diferença, visto que Thuram concentra sete participações em gols desde o início de abril, liderando no quesito nas cinco maiores ligas europeias. O francês marcou cinco vezes e forneceu duas assistências em 322 minutos – uma ação decisiva a cada 46 –, tendo um salto significativo em relação às 21 partidas anteriores, nas quais produziu o mesmo total, mas com média de um a cada 189.
O conjunto nerazzurro construiu uma sequência de oito partidas sem derrota contra os emilianos (cinco vitórias e três empates), com pelo menos dois gols marcados em cada uma das últimas sete – 15 no total, média de 2,1 por encontro –, além de manter um retrospecto amplamente favorável como mandante contra os crociati: perdeu apenas duas vezes para o Parma, em 1999 e 2018 em 28 jogos realizados em San Siro, com 16 triunfos a favor e 10 empates. Só contra a Roma (29), os ducali perderam mais vezes como visitantes na Serie A.
A Inter vem sustentando sua campanha num forte ataque. São 80 gols na Serie A 2025-26, número inferior apenas aos de Barcelona (87) e Bayern de Munique (113) entre as cinco grandes ligas europeias, com possibilidade de alcançar a quarta melhor marca da história do clube após 35 rodadas – superando, inclusive, o registro recente de 81 em 2023-24. Grande parte deles (17, mais especificamente) vem de bolas aéreas. São ao menos oito a mais que qualquer outro time da competição e a apenas um de se isolar no quesito considerando dados válidos desde 2006-07. Em casa, o saldo de 32 (com 47 feitos e 15 sofridos) é o mais alto da Beneamata após 17 compromissos internos em seis décadas.
O Parma chega sem pressão alguma, e com indicadores defensivos que mostram o bom trabalho do jovem Carlos Cuesta, substituto de Cristian Chivu na Emília-Romanha. O time gialloblù soma 42 pontos em 34 rodadas e pode atingir ao menos 43 a três jornadas do fim pela primeira vez desde 2019-20, quando encerrou com essa pontuação, na 11ª posição. A equipe vem de duas vitórias consecutivas sem sofrer gols, podendo alcançar três sucessos seguidos com clean sheet pela primeira vez desde dezembro de 2002, quando era treinada pelo já aposentado Cesare Prandelli. No total, os ducali acumulam 12 partidas sem serem vazados, marca que os coloca, junto ao Torino, como donos da melhor defesa entre os integrantes da metade inferior da tabela da Serie A.
Prováveis escalações
Inter: Sommer; Bisseck, Akanji, Bastoni; Dumfries, Barella, Zielinski, Mkhitaryan, Dimarco; Thuram, Esposito.
Parma: Suzuki; Circati, Troilo, Ndiaye; Delprato, Bernabé, Nicolussi Caviglia, Keita, Valeri; Gabriel Strefezza, Pellegrino.
Fique de olho
Sábado, 2/5, 13h
Como x Napoli
O duelo entre Como e Napoli opõe um mandante que sustenta produção recente elevada a um visitante que tem ficado marcado pela fragilidade fora de casa. O time da casa chega invicto nos dois últimos confrontos diretos na Serie A (uma vitória e um empate) e pode alcançar três jogos seguidos sem derrota ante os azzurri pela primeira vez na competição. Esse dado dialoga com o histórico recente no Giuseppe Sinigaglia, onde a equipe partenopea venceu apenas uma das últimas seis visitas partidas, tendo empatado em quatro delas – o triunfo ocorreu em 1989. Antes disso, os napolitanos tinham vencido cinco das seis primeiras partidas no estádio pelo torneio.
O momento do Como, porém, é de queda defensiva recente em recortes específicos. Após a derrota por 4 a 3 para a Inter, está no ar a possibilidade de dois reveses consecutivos em casa pela primeira vez desde fevereiro de 2025. Essa inflexão se explica por números: oito gols sofridos nas últimas cinco partidas como mandante, contraste direto com os sete concedidos nas primeiras 12 apresentações no Sinigaglia nesta Serie A. Ou seja, o time de Cesc Fàbregas perdeu consistência em seu território.
Ainda assim, o quadro geral defensivo continua sólido em escala de temporada. São 16 clean sheets, o maior número entre as equipes dos cinco grandes campeonatos europeus, indicador que sustenta organização estrutural apesar da oscilação recente. No recorte de 2026, o desempenho ofensivo do Como reforça esse equilíbrio: 37 gols em 18 jogos, média de 2,1 por partida, número inferior apenas ao da Inter (45) no período. Em 2026, os lariani só pontuaram menos do que a líder e do que o seu rival de sábado – 34 contra 35 do Napoli e 43 dos nerazzurri.
O Napoli chega com oscilações. Fora de casa, acumulou nove derrotas em 21 jogos na temporada, aproximando-se de um patamar que não atinge desde 2014-15, quando chegou a 11 sob as ordens de Rafa Benítez. Por outro lado, não costuma desperdiçar chances quando sai na frente do placar: perdeu apenas três pontos após abrir vantagem – todos numa derrota para a Atalanta. Além disso, é o segundo que mais pontuou após sair atrás (somou 13 pontinhos, ao lado do Sassuolo, e atrás apenas do Milan, com 14).
No plano individual, Douvikas e Paz somam 12 gols cada, aproximando-se das melhores marcas históricas do Como na Serie A – apenas Baldini (13 em 1951-52) e Ghiandi (18 em 1949-50) fizeram mais em uma mesma edição do certame. Pelo Napoli, McTominay marcou nas últimas três partidas longe da Campânia e pode se tornar o primeiro meio-campista a balançar as redes em quatro jogos consecutivos como visitante na era dos três pontos por vitória, iniciada em 1994.

O Como precisa bater o Napoli – que já jogou a toalha na disputa com a Inter – para seguir na pressão à Juventus, que terá compromisso abordável (Getty)
Segunda, 4/5, 15h45
Roma x Fiorentina
O encontro entre Roma e Fiorentina mexe com as duas metades da tabela. A equipe da capital, com a mesma pontuação do Como e próxima da Juventus, entra em campo buscando reduzir essa margem na disputa por vaga na Champions League, enquanto a Viola atua com objetivo distinto: pode assegurar matematicamente a permanência com uma vitória combinada a um tropeço da Cremonese. Dentro desse cenário, o confronto se apoia em um histórico volumoso e curioso. A Loba tem 60 triunfos em 173 partidas e só bateu mais vezes o Torino pela Serie A – 72. Além disso, os giallorossi são um dos cinco adversários que os toscanos venceram em pelo menos 50 ocasiões (51, no caso) e foram vazados em 213 oportunidades nesse duelo – os gigliati só marcaram mais (224) contra a Inter.
O recorte recente desloca esse equilíbrio histórico para um padrão mais favorável aos mandantes. Após quatro partidas de invencibilidade (duas vitórias e dois empates), a Fiorentina perdeu os dois últimos confrontos diretos e não sofre três derrotas consecutivas nesse encontro desde a sequência de cinco entre dezembro de 2019 e agosto de 2021. No Olímpico, o domínio da Roma é consistente: sete jogos de invencibilidade, com cinco vitórias, e apenas três derrotas nas últimas 51 partidas nesse cenário, sendo a mais recente em 2018.
A consistência interna recente reforça esse desenho competitivo. A Roma está invicta nas últimas 19 partidas de returno da Serie A que fez como mandante, somando 13 vitórias, seis empates e 10 clean sheets nesse período; a última derrota nesse recorte ocorreu em abril de 2024, contra o Bologna. Esse desempenho se ancora na solidez defensiva da equipe de Gian Piero Gasperini: apenas 10 gols sofridos como mandante nesta edição, melhor marca do campeonato e segunda entre as cinco principais ligas europeias, empatada com o Paris Saint-Germain e atrás apenas do Barcelona (nove).
Do lado visitante, o momento recente indica crescimento consistente dentro da própria campanha, ainda que com objetivo distinto na tabela. A Fiorentina conquistou 20 dos 37 pontos (54%) nas últimas 11 rodadas (graças a cinco vitórias, cinco empates e apenas uma derrota), desempenho que a colocaria em terceiro lugar nesse recorte, ao lado do Como e atrás apenas de Napoli (23) e Inter (24). Esse avanço recente, liderado por Paolo Vanoli, foi fundamental para a permanência na elite, que carece apenas de confirmação matemática.
Individualmente, o duelo opõe produção ofensiva em alta a capacidade de criação no meio-campo. Malen soma 11 gols em 14 partidas de Serie A e tem apenas um precedente superior nas primeiras 15 aparições pelo clube na era dos três pontos – o lendário Batistuta, com 14 –, além de liderar a competição em finalizações no alvo (22) e em gols desde 18 de janeiro. Pela Fiorentina, Fagioli participou de cinco tentos (duas bolas nas redes e três assistências) e apresenta forte volume criativo: 60 passes que resultaram em finalizações de companheiros, número inferior apenas ao de Barella (67) entre os meio-campistas.
Demais jogos
Segunda, 1/5, 15h45
Pisa x Lecce
Sábado, 2/5, 10h
Udinese x Torino
Sábado, 2/5, 15h45
Atalanta x Genoa
Domingo, 3/5, 7h30
Bologna x Cagliari
Domingo, 3/5, 10h
Milan x Sassuolo
Domingo, 3/5, 13h
Juventus x Verona
Segunda, 4/5, 13h30
Cremonese x Lazio
