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O campeão mundial Jürgen Kohler foi pilar da Juve nos anos 1990

QUEM É QUE SOOOOOBE? Ninguém subiu no cruzamento de Angelo Di Livio, pela direita. De fato, Matthias Sammer tentou, porém, faltou-lhe altura. Knut Reinhardt, Martin Kree e Steffen Freund ficaram apenas observando Jürgen Kohler dominar e chutar na saída de Stefan Klos. A partida no Giuseppe Meazza terminou em 2 a 2. A semifinal da Copa Uefa de 1994-95 foi decidida com uma vitória da Juventus. Foi nela que o zagueiro fez seu último jogo com a camisa bianconera.

Nascido na cidade de Lambsheim no ano de 1965, Kohler já tinha passado por Waldhof Mannheim e Köln quando foi contratado pelo Bayern Munique. À época, o zagueiro já era bastante popular em seu país, com 22 convocações para seleção alemã. A primeira chamada, para a seleção da então Alemanha Ocidental, aconteceu quando defendia o pequeno time de Mannheim, do sudoeste do país.

No Köln, Kohler aumentou as convocações, pois liderou por dois anos uma das melhores defesas da Bundesliga, e ajudou o time a bater na trave nos dois campeonatos que disputou. No primeiro, um terceiro lugar, no segundo, um vice-campeonato – com pequena distância de pontos para os campeões. Na Bavária, pelos gigantes de Munique, o zagueiro estreou com o título nacional, e ganhou uma vaga no time da Alemanha que jogaria a Copa de 1990, disputada na Itália. Titular da equipe comandada por Franz Beckenbauer, o jogador chegaria, bem cedo, ao topo do mundo. Após o vice-campeonato local do Bayern no ano posterior à glória mundial, Kohler mudou de ares novamente, prestes a completar 26 anos.

Na temporada de 1991-92, Kohler deixou a Alemanha para jogar na Itália, que já conhecera bem em 1990. A Juventus queria investir em seu setor defensivo após quebrar o recorde de transferências na época anterior – a Fiorentina recebeu 7,7 milhões de euros (em valores atualizados) por Roberto Baggio – e, mesmo assim, ficar na pior posição no campeonato desde 1962 (7º lugar). Para isso, nada melhor que trazer um zagueiro campeão alemão e titularíssimo da seleção vitoriosa na Copa do Mundo.

Kohler era só descontração com o ex-companheiro Raimond Aumann (The Gentleman Ultra)

A Juve pagou o equivalente a 7,5 milhões de euros por Kohler. Em Turim, o germânico não enfrentou tantas dificuldades para impor seu estilo dentro de campo: era uma máquina em ganhar bolas pelo alto, consistente e com uma habilidade incrível de ler o jogo. O problema do xerife foi outra equipe: o histórico Milan de Fabio Capello, que parecia substituir à altura um técnico consagrado como Arrigo Sacchi. O time a ser batido, em nível nacional, levou a melhor sobre a Vecchia Signora por três temporadas consecutivas. O título italiano bateu na trave duas vezes antes de a Juve ganhar o 23º scudetto da história, em 1994-95. Naquela temporada, a Juventus conquistou também a Coppa Italia, fazendo uma rara dobradinha – apenas 20 anos depois, em 2015, a equipe de Turim alcançou o feito outra vez.

O zagueiro foi titular, também, na conquista de sua única Copa Uefa. Em 1993, a Juventus passou por Benfica, Paris Saint-Germain e na final bateu o Borussia Dortmund, com placar agregado de 6 a 1 e duas atuações impecáveis de Roberto e Dino Baggio.

É verdade que a segunda ficou no quase. Em 1994-95, depois de empatar o jogo de ida de forma heroica, Kohler saiu de campo com uma lesão aos oito minutos do primeiro tempo, no Westfalenstadion, quando o Borussia Dortmund tentava dar o troco, em um dos muitos confrontos continentais entre os times na década de 1990. Ele não entrou em campo nas finais contra o Parma – outro rival vezeiro naqueles anos. Resultado: medalha de prata.

Com a camisa da Juventus e contra o Dortmund: os dois times que mais vezes tiveram o prazer de ter o zagueiro em campo (Getty)

Negociado com o próprio Dortmund por valor equivalente a 2,6 milhões de euros, Kohler ainda foi bicampeão do Campeonato Alemão e foi titular no título europeu contra a Juve, em 1997. Na volta olímpica, o zagueiro colocou um cachecol da Juventus, mostrando seu apreço pela torcida bianconera.

Em Dortmund, o zagueiro passou sete anos de sua carreira e fez história. Além dos títulos citados, ele pode comemorar a vitória da Copa Intercontinental, sobre o Cruzeiro, mesmo sem ter sido relacionado para a partida – nesta ocasião, o time era comandado pelo italiano Nevio Scala, ícone do Parma dos anos 1980 e 1990.

Pela seleção alemã, Kohler disputou três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998) e três Eurocopas: caiu nas semifinais da de 1988, foi vice em 1992 e, enfim, faturou o título em 1996. Kohler pendurou as chuteiras em 2002, em sua 500ª partida como profissional. No entanto, não comemorou: na final da Copa Uefa contra o Feyenoord, cometeu pênalti, foi expulso e viu seu time ficar com o vice diante dos holandeses.

Após a aposentadoria, aos 37 anos, Jürgen Kohler se dividiu entre treinador e diretor esportivo. Como técnico, conduziu Alemanha sub-21, Duisburg Aalen, Bonner (sub-19) e Wirges; e nos bastidores foi diretor de futebol de Bayer Leverkusen, Aalen e Waldhof Mannheim. Após sofrer com alguns problemas cardíacos, tentou seguir na carreira de treinador, e hoje está à frente do Hauenstein, da quinta divisão alemã.

Adaptado do texto original, “Hoje é dia de Kohler”, publicado no Gazzebra, do ESPN FC.

Jürgen Kohler
Nascimento: 6 de outubro de 1965, em Lambsheim, Alemanha
Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Waldhof Mannheim (1983-87), Köln (1987-89), Bayern Munique (1989-91), Juventus (1991-95) e Borussia Dortmund (1995-2002)
Títulos conquistados: Copa do Mundo (1990), Eurocopa (1996), Liga dos Campeões (1997), Copa Intercontinental (1997), Copa Uefa (1993), Bundesliga (1990, 1996 e 2002), Serie A (1995) e Coppa Italia (1995)
Seleção alemã: 105 jogos e 2 gols

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