Serie A

Nils Liedholm eterno

Valdemarsvik, 8 de outubro de 1922
Cuccaro Monferrato, 5 de novembro de 2007

(La Repubblica)

*Leia também: Jogadores – Nils Liedholm

Liedholm foi jogador e técnico. Com a bola nos pés, formou ao lado de seus compatriotas Nordahl e Gren o trio Gre-No-Li, responsável pelas grandes conquistas do Milan no início da década de 1950. Pela seleção sueca, marcou o primeiro gol da final da Copa de 1958, contra o Brasil de Pelé e Garrincha, feito do qual sempre se orgulhou. Dono de uma extraordinária visão de jogo e com um toque de bola perfeito, Liedholm contava que, certa vez, todo o estádio se surpreendeu ao vê-lo errar um passe – coisa que não ocorria há dois anos.

Como técnico, foi tão ou mais importante do que como jogador. Pelo Milan, conquistou o décimo scudetto da história do clube, na campanha que marcou a despedida de Rivera e o surgimento de Baresi. Pelo Verona, guiou o clube de volta à Serie A; e fez o mesmo pelo Varese. Pela Fiorentina, foi o responsável pela contratação de Antognoni, junto ao Asti, da Serie C e por montar a base do time que bateria o Milan na final da Coppa em 1975. Pela Roma, venceu o segundo scudetto do clube, implementou uma nova mentalidade ao calcio e tirou o clube do antigo status de Rometta.

Liedholm ao centro, acompanhado de Falcão e Cerezo (Pagine Romaniste)

Apaixonado por carros e vinhos, em 1989 deixou a squadra giallorossa para cuidar de sua vinícola na Alessandria, mas voltou ao banco por duas vezes: em 1992, para uma tentativa mal-sucedida de salvar o Verona do rebaixamento e em 1997, para substituir Bianchi no comando da Roma, também ameaçada pela serie cadetta. Sempre bem humorado, em uma entrevista à Guerin na década de 80 disse que sua maior qualidade era não contar mentiras. Mas que seu maior defeito era não conseguir fazer com que acreditassem nisso.

Em sua coluna de hoje no Zero Hora, Falcão contou um pouco de seu relacionamento com o barone, bem como uma curiosidade sobre jogadores librianos: “Liedholm gostava de dizer que os melhores jogadores da história eram do signo de Libra: ele mesmo, Pelé, Maradona e este seu pupilo. Não sou dos mais crentes em astrologia, mas é uma honra integrar esta turma”. Para ler a coluna por completo, clique aqui. Para os com italiano afiado, aqui está uma coletânea de frases no Il Romanista.

Prova de sua importância está nas homenagens prestadas por Juventus e Inter. Liedholm não foi crucial apenas para a história de Milan e Roma. Com ele e por ele, o calcio iniciou sua renovação.

Junto de Berlusconi, em visita ao Papa João Paulo II (Gazzetta)

3 comentários

  • Parabens pelo belo post. Aqui em Roma muitas emissoras radiofonicas celebraram o Barone con entrevistas aos varios jogadores e tecnicos que estiveram perto dele. Não faltou de lembrar a engraçada irreverencia de Nils. Se falou por exemplo de quando o Barone contou que quando atuava como jogador no Milan uma vez ele marcou o Di Stefano durante um jogo contra o Real. O Barone sempre gostava de lembrar que ele atuou muito bem naquele jogo e que o Di Stefano quase nem jogou. Questionado sobre o fato que o Di Stefano naquele jogo marcou 3 gols ele sempre gostava de rebater “…viù? naquele jogo o Di Stefano entrou em contato com a bola sò 3 vezes…”
    Eis o link do blog aonde a gente se ocupa de “Samba” e de “Tango”.
    http://futbolandia.ilcannocchiale.it
    Espero a visita de voces,fiquem a vontade, na eventualidade de um comentario em portugues eu irei traduzir.
    Abraço
    Brahma

  • Braitner,
    Parabéns pelo post, ficou ótimo! ‘Il Barone’ realmente foi um ser humano incrível.
    Se tiver um tempinho, dê uma passadinha no ‘Calcio Serie A’, vez que também fiz um post para o Liedholm, na coluna ‘Memorabilia’.
    Abraços,

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