Serie A

A Europa sorri

A cada rodada, a amargura de um. Desta vez, o sol nasceu para todos. Na rodada européia dessa semana, o único italiano que saiu de campo sem comemorar vitória foi a Roma – e, ainda assim, praticamente se garantiu na próxima fase. O Manchester United já anunciou que escalará os reservas nos próximos jogos, e como os giallorossi, além de três pontos a mais, possuem vantagem no confronto direto, a vaga deve ser selada já na próxima rodada, caso o time confirme o favoritismo e bata o Dinamo, mesmo na Ucrânia. A última chance será contra o United, no Olimpico. Situação mais complicada está do outro lado da cidade eterna, mas pelo menos desta vez a classificação depende apenas da Lazio. Ou das orações de algum benzedeiro carcamano, porque, mesmo com o segundo lugar em seu grupo, conseguir uma classificação com um sem-número de lesionados é um feito incrível. Os laziali, na seqüência, encaram o Olympiacos em casa e o Real Madrid no Bernabéu.

Em Milão, as duas classificações devem sair em questão de tempo. O Milan lidera o grupo e, com uma vitória sobre o decepcionante Benfica na rodada, praticamente se garante em primeiro. O último jogo é contra o Celtic, no San Siro. Já a Inter, que parecia se complicar no início do torneio, venceu suas últimas três partidas e basta empatar com o Fenerbahçe, na próxima rodada, para praticamente assegurar sua classificação. Um outro empate, porém contra o PSV, na Holanda, é o suficiente para os nerazzurri alcançarem as oitavas. Um degrau abaixo, na Copa Uefa, a Fiorentina terá dois jogos para vencer um e se garantir na fase final – AEK, em Atenas, e o azarão tcheco Mladá Boleslav em casa. Se depender do que o time tem mostrado na competição, mesmo com time misto, a meta será a final no City of Manchester.

Shakhtar Donestk 0-3 Milan
Sete brasileiros entre os titulares das duas equipes, mas uma bola na trave de Ambrosini, no primeiro tempo, foi o máximo de emoção da partida antes do intervalo, com domínio do Shakhtar. Mas a entrada do talismã Inzaghi, durante o segundo tempo, outra vez ajudou o Milan a deixar o tédio de lado – e em alto estilo. Vale lembrar que, nos dias anteriores à partida, Pippo havia trocado farpas com Ancelotti pela imprensa, questionando o banco nas últimas semanas. Com seus dois gols na partida gélida em Donetsk, porém, Inzaghi chegou aos 62 gols na Liga dos Campeões, igualando-se a Gerd Müller como recordista do torneio.

Inzaghi: com a doppietta, bomber se eterniza na história da Liga

Lucescu sacou Lewandowski minutos antes do jogo, optando por Hubschman. Porém foi a surpresa de Ancelotti que causou mais efeito. Serginho na lateral esquerda atacou com eficiência, mesmo deixando a defesa desguarnecida em algumas oportunidades. E o italiano novamente se superou nas substituições: ao sacar o (desta vez) inócuo Gilardino a favor de Inzaghi, Ance garantiu a vitória. Seu primeiro gol surgiu dos pés de Pirlo, que desarmou Fernandinho e lançou para Pippo na grande área matar o goleiro Pyatov. E foi Inzaghi que serviu de pivô para Kaká ampliar, pouco depois. Já nos acréscimos, o brasileiro retribuiu o favor e, com o gol escancarado, preferiu tocar para que Pippo atingisse seu recorde com dois gols, olhem só, de pé direito. O Shakhtar sempre esteve com mais volume de jogo. Mas o Milan e seu artilheiro, na Europa, são inconfundíveis.

Lazio 2-1 Werder Bremen
A Lazio – surpresa! – ainda está viva na Liga. Delio Rossi, antes do jogo, pediu a seus comandados uma partida disputada com o coração e com o orgulho, para tentar curar as mágoas dos três maus resultados anteriores. E os aquilotti venceram merecidamente, numa partida em que dominaram por completo. Seja pela vontade contagiante de Rocchi, pela noite mágica de Meghni ou pelos desarmes certeiros do sempre regular Ledesma. E pensar que o coração do torcedor laziale deve ter ficado na mão quando o nervosismo do time garantiu três cartões antes dos dez minutos principais.

Rocchi: recuperado de última hora, de volta às redes do Olimpico

Sem Pandev, Rossi optou por Makinwa. No papel, um time parecido com o da última temporada. Se não fossem os faltosos três dos principais representantes daquela espinha dorsal: Peruzzi, Siviglia e Mauri. Em seus lugares, vontade de vencer. Postura provada no primeiro gol de Rocchi, quando o punta praticamente dividiu com o goleiro Wiese para pegar o rebote de seu pênalti falhado. O segundo tento saiu num lançamento de 50 metros de Meghni para Rocchi vencer a zaga do Werder na corrida e anotar sua dopietta. No fim do jogo, Cribari ainda fez pênalti em Diego e foi expulso. O meia também levou vermelho ao querer iniciar briga em campo. Vitória na batalha, problemas para a guerra: a suspensão de Cribari e a lesão de Zauri se unem aos intermináveis problemas na formação do elenco laziale.

Inter 4-2 CSKA Moscou
Pouca torcida para acompanhar a Inter no Giuseppe Meazza. E sofrer, antes de comemorar. Primeiro, graças aos erros da defesa nerazzurra e a Vágner Love; depois, graças à dobradinha Ibrahimovic-Cambiasso. Pela primeira vez na Liga, Mancini pode escalar sua linha defensiva titular, com Maicon, Córdoba, Samuel e Chivu – considerando a longa lesão de Materazzi, claro. Sem Figo e Stankovic, Zanetti e Samuel fizeram o setor externo. E Crespo retomou seu lugar no ataque de forma inócua, até a entrada de Cruz, que mudaria a história do jogo. No CSKA, Akinfeev finalmente retornou à equipe, atrás de três zagueiros. Na frente, o trio Daniel Carvalho, Jô e Vágner Love.

Zanetti e Cambiasso: outra ótima apresentação da dupla, sempre regular

O primeiro gol russo pegou a Inter de surpresa e fez os comandados de Mancini seguirem atônitos até o segundo. Mas a passagem de Love à frente de Córdoba foi o último motivo de comemoração do CSKA. Até porque Ibrahimovic precisou de apenas um minuto para desviar cobrança de falta de Chivu. E mais outro minuto até que Cambiasso recebesse de Maicon na grande área para empatar o jogo. A Inter ainda pressionaria durante o resto do primeiro tempo, então Gazzaev sacou Jô para trancar sua equipe. Não esperava, claro, pela entrada do giardinero Cruz. Com duas assistências do argentino após passes de Chivu, Ibra e Cambiasso fecharam a partida a favor dos italianos mais internacionais que já se teve notícia. Com um pé nas oitavas.

Sporting 2-2 Roma
“Un grande maestro, grandi ricordi, ciao Barone!” – assim cantava a torcida romanista a plenos pulmões, antes da partida de Lisboa, na qual a Roma subiu com faixas negras em luto por Liedholm. Ainda sem Totti, jogo de vida ou morte para o futuro de Roma e Sporting na competição. Além do capitano, os giallorossi ainda entraram sem Taddei, Aquilani, Panucci e Tonetto, lesionados. Pelas laterais, Cicinho e Cassetti, improvisado. Na linha de três do meio, Mancini, Perrotta e um sempre deslocado Giuly, pela esquerda. À Roma bastava um empate, para o Sporting só a vitória interessava. E o caminho romanista parecia se tornar límpido após o golaço de Cassetti, de fora da área, antes dos cinco minutos. Apenas parecia.

Juan, Doni e Mexès: romanistas incrédulos após falha no primeiro gol

Outra vez a Roma considerou vencida uma partida com apenas um gol de diferença, e entregou o campo ao adversário. E os leões logo encontraram o empate: Juan não conseguiu cortar um cruzamento baixo da direita, Mexès antecipou-se mal a Doni e o lance terminou com os dois no chão e uma bola nas redes, por Liédson, anotando seu centésimo gol com o clube português. A pressão do Sporting durou toda a partida, mas só deu resultado no segundo tempo, quando Izmailov recebeu um escanteio rápido para cruzar para Liédson, novamente, antecipar-se a Juan e firmar a virada. Encolhida e assustada, a Roma praticamente não voltou a atacar. Mas a sorte esteve do lado giallorosso. Nos últimos minutos, Pizarro chutou com violência e a bola ainda bateu na cabeça em Polga antes de enganar o goleiro Tiago e confirmar o empate. Com gosto de vitória, apesar do péssimo futebol apresentado.

Fiorentina 6-1 Elfsborg
Prandelli, poupando seus jogadores para a continuidade da Serie A, surpreendeu ao escalar a Fiorentina pela primeira vez na temporada num 4-4-2. Semioli foi recuado, e compôs a dupla de esterni com Jorgensen, primeira partida de titular após a grave lesão que o tirou dos gramados por quatro meses. Os dois fizeram grande exibição. Outro a surpreender positivamente foi Vanden Borre, utilizado na lateral direita. Aliás, difícil encontrar alguém que não vá bem quando o time vence com cinco gols de diferença. Prova disso é Osvaldo, o mais apagado do time, dono de uma assistência incrível para Vieri marcar em seu melhor estilo centravanti logo aos cinco minutos.

Vieri: outro gol europeu coloca, em definitivo, Bobo de volta à grande fase

Mas o de Vieri foi apenas o segundo gol, Jorgensen já havia marcado após cruzamento de Semioli. A Fiorentina, então, guardou na barriga o instável Prodi (na falta de um rei…) e o gol de Ishizaki, para o Elfsborg, aproveitando falha de Balzaretti, por pouco não causou mais problemas. Prandelli deve ter sido claro no intervalo: a partida viola recomeçaria a todo vapor, durando os 45 minutos seguintes. Donadel ampliou com um tirambaço, e o poker veio com Kroldrup, desviando falta de cabeça. Ao fim do jogo, Jorgensen fez sua doppietta pessoal e ainda deu espaço para o jovem Di Carmine marcar seu primeiro gol como profissional. E a Fiorentina segue firme na Uefa. Se é time misto, está sempre quente.

2 comentários

  • Ainda bem que por uma vez è a Roma que marca nos ultimos minutos e não o contrario!Esse empate deu com muitas probabilidades a qualificaçao para as oitavas de finais que serão, com muitas probabilidades, uma pedreira. Serà dificil para a Roma se qualificar como primeira classificada e em razão disso (chegando assim no segundo lugar)irà enfrentar um time (que não seja italiano o, o proprio M.Utd)que nesse momento està liderando as outras chaves. Com certeza naquela ocasião o Spalletti terà que tomar atitudes diferentes no posicionamento dos giallorossi.
    Parabens pelo belo artigo que deu uma perfeita imagem da rodada europeia.Aguardo publicaçao sobre os tristes acontecimentos domesticos aonde, infelizmente,não irà se falar de futebol 🙁
    Abraço

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