Coppa Italia

Mudança de comportamento

“Esta noite devíamos vencer e infelizmente não conseguimos. Por sorte agora ainda teremos muitas partidas, não vejo a hora porque estamos fazendo tantos sacrifícios e trabalhando muito, não é fácil jogar a cada três dias. Já neste domingo deveremos enfrentar a partida com mentalidade vencedora: entrar em campo para vencer todas porque agora os empates já não bastam.” A mentalidade que pede Kaká é a mesma que esteve em campo contra o Napoli, na estréia de Alexandre Pato, e fez o Milan retomar a busca por uma vaga na Liga dos Campeões. E que, num piscar de olhos, parece ter desaparecido.

Atalanta 2-1 Milan – Langella, Tissone; Gattuso
Um estádio sem torcida recebeu a partida que conta pela 12ª rodada da Serie A, mas paralizada na data graças à tentativa de invasão de campo da torcida bergamasca após os incidentes que culminaram na morte de Gabriele Sandri. Nas tribunas, a ausência foi de Ivan Ruggeri, presidente da Atalanta, operado na terça-feira após sofrer um aneurisma cerebral. No gramado, Gilardino preteriu Ronaldo e – surpresa – Bonera foi escalado no lugar de Oddo na tentativa de segurar o forte lado esquerdo do time de Bérgamo. O Milan, sempre no comando, abriu o placar com uma bola que sobrou para Gattuso dentro da grande área após uma seqüência de três escanteios. E a seguir perdeu uma sucessão de gols, em uma delas com Pato livre na frente de Coppola.

Bellini pára Pato: o eterno lateral da Atalanta foi decisivo

Bonera voltou a decepcionar, porém, ainda no primeiro tempo. Langella surgiu livre em suas costas após genial cabeceio de Doni e bateu de direita, sem chances para Kalac. A partida disputada no meio-campo tornava opaca a participação dos principais jogadores milanistas – Seedorf foi o grande nome do primeiro tempo. No início do segundo tempo, Doni deixou o campo com uma suspeita de contratura muscular (posteriormente não confirmada) para a entrada de Simone Inzaghi. A Atalanta pouco ameaçava, mas se apoiava nas grandes atuações de seus jogadores de defesa, em especial Carrozzieri e Tissone. E Pato, após outra apresentação abaixo da média, deixou o campo para a entrada de Ronaldo.

Langella saiu para a entrada de De Ascentis, com a missão de segurar de vez o empate; Ancelotti respondeu com Oddo no lugar de Bonera. A pressão descontrolada do Milan acabou premiando as escolhas de Del Neri: a Atalanta desceu num rápido contra-ataque e, aos 23 minutos, Inzaghi esperou que Kalac saísse do gol para que Tissone, sozinho na grande área, recebesse seu passe para a virada. O argentino ainda acertaria a trave cinco minutos depois, enquanto a equipe rossonera, totalmente desequilibrada, via o primeiro de seus três jogos recuperados escapar por entre os dedos. Se Ancelotti comemorou a queda prematura da Coppa para que o time se focasse nesses jogos, a derrota pode ser decisiva para qualquer sonho que mire a elite européia nos próximos meses. Até porque não parece provável algum grande golpe de mercado nos próximos dias.

Pelos confrontos de ida das quartas-de-final da Coppa Italia:

Sampdoria 1-1 Roma – Ziegler; Vucinic
Após perder o embate da Serie A, finalmente Cassano reencontrou a Roma. Escalado por Mazzarri desde o primeiro minuto, não obstante a opção do técnico por dar ritmo a alguns reservas, Peter Pan foi o grande nome da partida, não importa o ponto de vista. Desequilibrou a defesa adversária com bons passes, pôs a mão na bola antes de Sala marcar um gol posteriormente invalidado, sofreu a falta que custou a Mexès uma expulsão prematura e entrou sobre Tonetto de forma discutível, acendendo uma discussão em campo. Já Spalletti, ainda lutando contra contra lesões de alguns de seus jogadores-chave, optou por poupar apenas Taddei, Pizarro e Doni. No lugar do chileno, Aquilani desde o primeiro minuto.

Mesmo com a expulsão do francês aos 18 minutos, a Roma manteve o passo e chegou a encontrar a trave com Panucci. No segundo tempo, porém, a Samp fez jus a sua superioridade e chegou a dominar por alguns momentos, como no gol do suíço Ziegler, que avançou pela esquerda e bateu em diagonal para outra falha no currículo de Curci. Os giallorossi empataram pouco depois, com um grande gol de Vucinic após lançamento de Mancini. Chances de vitória para ambos os lados marcaram a partida que, pelas circunstâncias, tornou-se bom resultado para a Roma. Detalhe apenas para a formação defensiva do time para o retorno, no Olimpico: com Juan lesionado e Mexès e Ferrari suspensos, tudo aponta para a escolha de uma dupla inédita, Andreolli-Panucci.

Panucci disputa com Cassano: o barês incomodou a defesa romanista

Udinese 3-2 Catania – Ferronetti, Pepe (p), Felipe; Izco, Martínez
Os times protagonizaram um jogo cheio de alternativas. Os bianconeri, apesar de contar com apenas três de seus titulares habituais, buscavam uma vitória para esquecer o amargo fim da partida contra o Milan e buscar uma semifinal de prestígio – seja com Roma ou Sampdoria. Já os etnei, após surpreenderem o mesmo Milan há uma semana, viram em campo um turnover forçado na defesa, graças às suspensões de Sardo, Terlizzi e Sottil e a lesão de Sabato.

Os sicilianos terminaram o primeiro tempo em vantagem. Ferronetti abriu o placar para a Udinese após cobrança de falta pela esquerda, mas três minutos depois a defesa friulana cortou mal um escanteio, nos pés de Izco, que concluiu bonito de média distância. De cabeça também a virada do Catania, com Martínez antecipando-se a Chimenti. Em sérias dificuldades, Marino pôs em campo Pepe e Quagliarella, e sobre o segundo o árbitro marcou um pênalti após falta de Martínez. Pepe cobrou com categoria e reempatou a partida por mais cinco minutos, até que Felipe anotasse o seu, com liberdade na área após desvio de Inler em escanteio. Os torcedores da Udinese respiram fundo com o resultado, mas os dois gols permitem ao Catania sonhar mais alto.

Amanhã, um apanhado das movimentações do mercado italiano ocorridas nesta semana e um resumo dos confrontos da outra chave da Coppa: o empate entre Inter e Juve e a vitória da Lazio sobre a Fiorentina.

1 comentário

  • Um Milan apático em campo. Me lembrou, guardadas as devidas proporções, o Corinthians neste começo de Campeonato Paulista. Ganhou a primeira partida e, na segunda, jogou como se fosse vencer a qualquer momento. Não venceu. Nem Corinthians, nem Milan.

    Abraços.

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