Serie A

Ah, os árbitros… parte dois

Inter 3-2 Parma – Cambiasso; Cigarini, Gasbarroni; Ibrahimovic (p), Ibrahimovic
Após Cambiasso abrir o placar, dava-se a impressão de que viria mais uma vitória tranqüila da Internazionale. Ou não. Muito aplicado tanto tática quanto tecnicamente, o Parma conseguiu chegar a um justo empate, e, principalmente, muito próximo da vitória, após cobrança de falta de Gasbarroni e falha de Júlio César. O panorama mudava de lado, e então parecia que os nerazzurri sofreriam sua primeira derrota na competição. Até que, com mais ou menos 45 minutos de segundo tempo, um chute na sobra da área pinga no chão e Fernando Couto, único defensor no local (Bucci fora do lance), jogou-se de cabeça para tirar a bola das redes. Resultado? Pênalti para os donos da casa, pois, segundo o árbitro após consulta com assistente, o zagueiro interceptou com o braço. Dúvidas até agora, com direito a vários replays – é fácil culpar um bandeira que dificilmente poderia tirar conclusões certeiras em um lance tão rápido e interpretativo. Fato é que o ocorrido gerou muita polêmica na Itália, principalmente sobre um possível favorecimento à Inter. Mas o favorecimento em si foi presente no primeiro tempo, quando Córdoba cometeu pênalti claro em Corradi. Ah, Ibra converteu a infração e ainda virou o jogo depois.

Palermo 2-3 Siena – Amauri; Locatelli, Maccarone; Miccoli (p); Loria
Um dos jogos mais emocionantes da rodada começou com um gol logo aos quatro minutos, marcado pelo brasileiro – e futuramente oriundo – Amauri, de cabeça após cobrança de falta vinda da direita. Até aí, a impressão que se dava era de uma vitória fácil do Palermo, o que não aconteceu. Somente um minuto depois, a bola foi alçada na área rosanera, a zaga se atrapalhou toda e Locatelli não desperdiçou a sobra em sua frente. Em outro cruzamento, dessa vez da direita, o Siena conseguiu virar a partida com boa escorada ao gol de Maccarone – isso tudo com dez minutos de jogo. Mais cinco minutos se passaram e Loria cometeu um pênalti extremamente infantil em Guana; Miccoli bateu e acertou o travessão. Depois do intervalo, outro pênalti: aos 34 minutos de jogo, uma falta cobrada em frente ao gol bateu no braço levantado de Maccarone, e de nada adiantou reclamar. Miccoli não desperdiçou a oportunidade dessa vez, e, incendiando o estádio, foi mais um a quebrar a cara quando Loria, em outro cruzamento lateral, cabecear de longe e surpreender Fontana, dando três pontos valiosíssimos ao Siena.

Lazio 2-2 Napoli – Hamsík; Ledesma, Pandev; Hamsík
O Napoli começou fulminante: já com cinco minutos de partida, uma boa jogada pela esquerda permitiu a finalização do garoto Hamsík, que pegou Ballotta no contrapé e abriu o placar para os visitantes. Vinte minutos depois, uma preciosa bola sobrou fora da área e Ledesma, com um excelente chute de perna esquerda, acertou um belíssimo gol, empatando a partida. Não demoraria mais que cinco minutos para Goran Pandev, após receber bom passe da esquerda, concluir bem às redes, virando o jogo para os donos da casa, e, até então, lavando a alma dos celestes. Até o final da partida, o que se via era uma grande participação do criticado Ballotta, que conseguia salvar sua equipe várias vezes. Ledesma ainda acertou a trave em precisa cobrança de falta, que poderia ter matado a partida ali. Entretanto, o destino foi cruel, e depois de tanta insistência, o mesmo Hamsík empatou o jogo em seu lance final para um Napoli que já contava com um jogador a menos, visto que Blasi havia recebido seu segundo cartão amarelo três minutos antes. Foi o terceiro gol do eslovaco no Stadio Olimpico, porque no primeiro turno já havia feito um gol na Roma. Polêmicas com o árbitro e seus longos acréscimos colocaram tensão no clima da partida após o apito final.

Roma 2-0 Catania – Giuly, De Rossi (p)
Ao contrário do avassalador 7 a 0 na temporada passada, desta vez a Roma teve certas dificuldades para bater o Catania em casa. Ainda no primeiro tempo, Taddei chutou muito bem de esquerda, a bola bateu na trave, e, no rebote, um Giuly bem-posicionado só encostou para as redes. Ainda eram os donos da casa que dominavam, porém os sicilianos chegavam aos poucos, ameaçando vez ou outra o goleiro Doni. Já no segundo tempo, o protagonista Taddei foi para cima da defesa e sofreu um pênalti. De Rossi, provavelmente traumatizado com sua pífia tentativa de cucchiaio, encheu o pé e garantiu a vitória romanista.

Reggina 2-0 Cagliari – Brienza, Cozza
Excelente estréia de Franco Brienza: o ex-palermitano conseguiu abrir o placar com um grande sem-pulo de perna esquerda – isso já no segundo tempo – aos 69 minutos de jogo, mais precisamente. Resultado que não era nada exceto necessário para a Reggina. Para sacramentar o caixão rossoblù, Cozza acertou um petardaço de direita na entrada da área, que chegou a bater no travessão antes de balançar as redes. O Cagliari está desde 30 de setembro sem vencer, e vê cada vez mais o pesadelo do rebaixamento se tornar realidade.

Livorno 1-0 Empoli – Tavano (p)
Derbys são derbys. E não foi na sua 200ª partida comandando alguma equipe na Serie A que Malesani, técnico do Empoli, conseguiu a vitória. Sua equipe, explorando bem os ataques laterais, começou melhor em campo e seu gol ‘amadurecia’ aos poucos. O lance de maior destaque do primeiro tempo foi com Saudati, que, recebendo excelente passe do também excelente Vannucchi, chegou perto do gol e bateu no canto. Amelia, muito bem posicionado, conseguiu salvar sua squadra. Já no segundo período, a bola foi alçada na área e o árbitro Antonio Damato assinalou pênalti de Pratali em Vidigal. Francesco Tavano, sempre ele, bateu firme em meia-altura e marcou o único gol da partida. O Empoli ainda continuou pressionando fortemente e obrigou Amelia a fazer mais algumas grandes defesas. Outros lances de pressão não foram suficientes para tirar a vitória dos comandados de Camolese, que, quem diria, já estão na 13ª posição.

Udinese 0-1 Milan – Gilardino
Ka-Pa-Ro: o trio brasileiro do Milan não conseguia furar a protegida retaguarda da Udinese. Possível pênalti lá, outro ali, e a partida continuava muito equilibrada. Os donos da casa, como não são bobos, conseguiam vez ou outra chegar próximos de abrir o placar. Os milanistas, organizados em campo mas sem grandes oportunidades, forçavam aos poucos com um grande esforço ofensivo. Kaká não conseguia liberdade, mas tentava ao máximo construir o jogo – ao contrário dos comentários de Silvio Lancellotti -, o qual afirmava que o camisa 22 foi extremamente mal, um exagero. A partida se encaminhava para um placar fechado quando, em um ato de extrema infelicidade, Obodo tentou sair driblando da defesa e perdeu a bola para Pato, que rapidamente tocou para Kaká, que em grande passe de calcanhar, serviu Gilardino; o violonista, em posição duvidosa, não perdoou.

Juventus 0-0 Sampdoria
Uma Juve inoperante até conseguia criar lances incisivos de gol, mas, quando o fazia, desperdiçava. Marchionni conseguiu perder um gol feito, quase embaixo da trave – daqueles que, em pelada de fim de semana, sacramenta uma briga. Além disso, Trezeguet carimbou o travessão ainda no primeiro tempo. Ainda antes do intervalo, Maggio cabeceou na trave, o que teria deixado a partida mais emocionante, pelo menos. Até aí, era a vecchia signora quem dominava a partida. Depois do intervalo, o ritmo bianconero caiu bastante, especialmente com a entrada de Iaquinta no lugar de Del Piero. Nada de muito especial na partida, que acaba com a Juve de olho nas quartas-de-final da Coppa Italia contra a Inter.

Recapitulando os lances que geraram polêmica no calcio durante o conturbado final de semana:

– Em Florença, dois pênaltis suspeitíssimos marcados em Mutu, sendo o segundo simplesmente ridículo.
– Gol anulado da Atalanta, e, 30 segundos depois, gol do Genoa.
– Pênalti não marcado de Córdoba em Corradi.
– Pênalti marcado após suposto toque com o braço de Fernando Couto.
– Polêmica nos acréscimos entre Napoli e Lazio. Gol de empate, marcadou por Hamsik, saiu aos 49 minutos, e logo depois foi encerrada a partida.
– Possível pênalti não marcado em Di Natale, no jogo entre Udinese e Milan.
– Possível impedimento de Gilardino no gol da vitória do Milan.
– Pênalti marcado em toque com o braço possivelmente intencional no jogo entre Palermo e Siena.

1 comentário

  • Tão bom não ver a Juve nessa lista… tão bom!

    Em geral, é comum haver choradeira de torcedores em relação a possíveis colaborações de arbitragem para um time que está na frente no campeonato. Principalmente quando esse time é tão melhor que os outros que não há outra opção possível que não seja choramingar.

    Não sei se é o caso. Mas parece ser. Porque essa Inter não precisa de arbitragem nenhuma para ganhar fácil, mas fácil mesmo esse campeonato.

    Abraços.

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