Serie A

Baseado em fato Real

Bandeira: seu erro absurdo deu muito mais emoção à partida

Real Madrid 1-2 Roma – Taddei; Raúl; Vucinic
Tanto se critica, e com considerável razão, as freqüentes ausências de Aquilani e Cicinho no plantel titular da Roma. Curiosamente, logo ontem, Luciano Spalletti optou por lançá-los a campo. Inevitável o fato de que as alterações causariam certa estranheza para quem já esperava ver em campo Panucci retornando na lateral-direita e a enceradeira David Pizarro no meio. Essa seria só uma pequena de outras surpresas da noite.

Logo no início, pressão do Real Madrid, que foi respondida com dois chutaços de Aquilani: o primeiro, carimbando a trave; e o segundo, logo em seguida, forçando Casillas a fazer uma grande defesa. O jogo seguia tenso, com duas equipes nervosas oscilando em seus lances de perigo. O que se via, ou melhor, o que se viu o tempo inteiro foi um Real sem ataques laterais, visto que na direita havia um limitadíssimo Michel Salgado e na esquerda o defensivo Heinze. Alguns erros de passes entre ambos os times comprovavam o estado de nervosismo e ansiedade presente. O intervalo veio e com ele a indefinição romanista: forçar um gol e correr o risco de sofrer outro ou se defender sem arriscar-se?

Finalmente inspirados, os giallorossi foram grandes no segundo tempo: após início equilibrado com uma falta de Julio Baptista do travessão, a partida seguia a mesma; cautela por parte italiana e tentativas mal-sucedidas por parte espanhola, que começava a ficar mais nervosa. Conforme o tempo passava, a Roma se tranqüilizava um pouco mais com a situação, e viu que não seria uma missão impossível sair de Madrid com uma vitória. Spalletti sacou o inoperante Mancini para fazer jogar um bizonhamente calmo Vucinic. O montenegrino correspondeu com muito, muito mais do que se esperava.

Pouco depois de sua entrada, o jogador acertou o travessão após bom passe de Tonetto. Em seguida, sua meia-lua em Pepe faria com que o luso-brasileiro levasse o segundo cartão amarelo, deixando sua equipe com dez jogadores em campo e totalmente desnorteada. Como resultado, os comandados de Spalletti chegavam cada vez mais perto em meio a buracos sempre mais freqüentes. Até que, com 28 minutos de segundo tempo, Tonetto acertou um cruzamento (!) e Taddei, com um lampejo de Crespo, antecipou-se muito bem e cabeceou perfeitamente, abrindo o placar. Jogo definido? Até parecia, mas Robinho acertou passe para Raúl, totalmente impedido, empatar a partida somente dois minutos depois.

Aí, tudo se incendiou: Roma virou um deus-nos-acuda, Spalletti se mexeu no banco, Robinho queria levar a bola para casa e tudo foi desesperador. Porém, mesmo assim, o Real sentiu muita falta de seus numerosos desfalques: Sneijder, Nistelrooy, Robben, Sergio Ramos e Marcelo. Com uma equipe limitada, um a menos e descontrole, nada se conseguiu senão vários chutões esbarrados e escanteios cobtidos. Melhor para os romanistas, que viram Panucci cobrar falta da direita na cabeça do iluminado Vucinic, que já nos acréscimos classificou a Roma e fez seu quarto gol na competição. No lance, uma falta de entendimento entre Casillas, que foi seco e passou da bola, e a defesa, que deixou o então esterno sinistro cabecear.

Vucinic e maracugina: combinação vitoriosa

Parabéns a Luciano Spalletti, que fez a equipe aprender com os catastróficos 1-7 da temporada passada e melhorar grandiosamente sua postura em campo. Além disso, acertou nas alterações: Vucinic mudou a partida, Panucci cobriu a defesa e ainda cruzou para o segundo gol, e Pizarro… bem, ele acertou.

Interessante é ver como alguns jogadores dividiram opiniões: Cicinho, por exemplo, teve uma das melhores notas do Corriere della Sera (7) e uma atuação muito elogiada. Totti, por sua vez, rachou conclusões: uns dizem que Capitano simplesmente não fez nada, enquanto outros defendem que o camisa 10 cumpriu a sua função tática muito bem, jogando com experiência e prendendo a bola com calma na frente, mesmo jogando sozinho. Mancini, entretanto, não agradou a ninguém e atuou de forma decepcionante, principalmente pelo fato de se esperar do brasileiro sempre uma jogada habilidosa, partindo para cima e resolvendo. Outro que decepcionou foi Perrotta, que não conseguiu ser importante ofensivamente e está fora do próximo jogo nas quartas-de-final devido a mais um cartão.

Já faz vinte anos desde a última vez em que o Real Madrid eliminou uma equipe italiana no torneio. Foi contra o Napoli, aquele de Maradona, pelos dezesseis avos de final da ainda Copa dos Campões da Europa.

E a quarta vez seguida em que a equipe pára nas oitavas-de-final. Suas últimas eliminações foram para Bayern (2006/07), Arsenal (2005/06) e Juventus (2004/05).

Lamentável observar determinada área esportiva de uma grande rede, conhecida por todos no país, errar grafias e situações tão simples em tantos – quase todos -, jogos. Singular se transforma em plural (time giallorossi – equivalente a dizer “time rubro-amarelos” aqui), Tonetto virou “Tolletto” e “Tonnetto”, Perrotta virou “Perrota”. O segundo gol do Roma, aquele no cruzamento de Panucci, agora veio da esquerda, e o impedimento claro e comprovado virou somente posição duvidosa.

É cada vez mais complicado confiar na credibilidade de um site em que o Milan é líder isolado da Serie A por três vezes, Gattuso levou cabeçada de Zidane na final da Copa do Mundo, revistas espanholas se tornam italianas e Doni consegue ter a capacidade milagosa de sofrer gols sem nem entrar em campo, como já publicado.

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