Serie A

De Foggia a Quagliarella

Na temporada 2005-06, uma das maiores revelações européias foi o esterno Pasquale Foggia. Formado nas categorias de base do Milan, Foggia já tinha uma longa trajetória pelas seleções amadoras italianas. No modesto Treviso, havia assumido a condição de titular aos 17 anos e assim permanecido por três anos. No último destes, foi comandado por Marco Giampaolo. Negociado com o Empoli, o franzino Foggia não conseguiu se firmar na Serie A e parecia fadado ao fracasso. Até o Ascoli de Giampaolo investir em seu empréstimo junto ao Milan, em 2005.

Nesta mesma época, Fabio Quagliarella já era tido como uma promessa perdida. Revelado pelo Torino, nunca conseguiu seu espaço na equipe principal. Foi preterido até mesmo na Fiorentina, então na Serie C2, que o dispensou na metade da temporada. De volta ao Toro, foi peça-chave do time no retorno à Serie B, mas Quagliarella teve de sair junto da primeiro proposta, graças às frágeis condições financeiras dos granata. A Udinese pagou e o emprestou para o Ascoli.

Mesmo com tudo apontando para o desastre, Marco Giampaolo montou um time baseado em dois jovens de apenas 22 anos. Uma aposta bem arriscada, mas que no fim deu certo. O simpático Ascoli passou de rebaixável a sensação e terminou o campeonato à frente de clubes tradicionais como Udinese e Sampdoria, fora o futebol chamativo. O futuro dos dois, é claro, voltaria a prometer.

Quagliarella foi chamado de volta pela Udinese, mas logo metade de seu passe foi negociado com a Sampdoria. Depois de um início claudicante, durante a temporada o “homem do queijo” deu a volta por cima com belas jogadas e vários golaços. Ao fim da temporada, a Udinese o resgatou para outro começo complicado e conseqüente afirmação. Efetivado no centro do ataque friulano, Quagliarella reencontrou os gols e o bom futebol, chegando à seleção de Donadoni.

Já Foggia até voltou para o Milan com uma certa pompa, mas foi negociado com a Lazio durante a pré-temporada. Indisciplinado, foi repassado à Reggina em janeiro e no fim da temporada já era considerado grande decepção. Até que Giampaolo voltasse à cena. Emprestado ao Cagliari, os problemas extra-campo continuaram pipocando, mas, dentro deste, foi peça-chave de uma salvezza inesperada, chegando a lutar por vaga na seleção italiana. Foggia ainda pertence à Lazio e seu futuro é uma incógnita. Mas já surgiram as especulações de que Giampaolo será seu técnico – pela quarta vez.

Na próxima temporada, o técnico comandará o Siena, e Foggia já é apontado como possível reforço do clube toscano. Uma das principais surpresas do campeonato, o Siena deixou de lado alguns dos “senadores” e apostou em sangue novo, com resultados superando as expectativas. Rossettini foi uma grata surpresa do time, De Ceglie convenceu atuando pela faixa esquerda e Galloppa liderou um forte meio-campo. O último, de passagem apagada no Ascoli, ainda tem metade de seu passe pertencente a Roma e não seria de surpreender se já em setembro fardasse em giallorosso. Sua performance nos Jogos Olímpicos, para o qual sua convocação é dada como certa, será crucial para seu futuro.

Outro nome fácil para Pequim é o de Riccardo Montolivo. O único da lista de pré-convocados de Donadoni a ser cortado, o regista bergamasco deverá aproveitar o período da Euro como descanso para as Olimpíadas. Na verdade, seu nome só surgiu entre os possíveis 23 graças aos problemas físicos de gente como Aquilani e Perrotta, que corriam risco de ser cortados. Montolivo teve outro grande ano pela Fiorentina e suas intervenções na Copa da Uefa foram fundamentais. No 4-3-2-1 proposto por Casiraghi, deverá atuar como Pirlo o faz no Milan, protegido por Nocerino e um entre Dessena e Galloppa.

Apesar da tenra idade, Montolivo deverá dar um bom toque de experiência à equipe: já calejado, o meia viola tem mais de 120 partidas pela Serie A. Por outro lado, o ponto de desequilíbrio da seleção é o comando do ataque. Osvaldo tem sido utilizado mais recuado, Acquafresca subaproveitado e Pellè confirmou as expectativas de quem esperava um foguete molhado. O que pode fazer com que ninguém menos que Inzaghi seja um dos três fuoriquota em Pequim. Para quem ficou de fora da Euro, ter a chance de um ouro olímpico que não vem desde 1936 seria uma despedida importante da camisa azzurra.

*Originalmente para o Olheiros.

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