Serie A

O retorno de Costinha

E pensar que na Euro 2004 Costinha estava por cima de Beckham…

Quase todos os clubes italianos trabalham com teto salarial, uma boa política para segurar no verde o balanço no fim da temporada e abrir espaço para os jogadores mais jovens, produzidos no próprio clube. Mas também não é impossível ver algum time que supere esse teto para trazer algum jogador acima de sua média. É um problema que vive a Atalanta, com teto de €450 mil (valor recebido por Bellini, Doni, Barreto e Acquafresca) e que desde 2007 tem uma situação complicada com Costinha, que parece ter fugido do controle da família Ruggeri.

O volante português, campeão europeu com o Porto em 2004, chegou em Bérgamo depois de uma temporada pelo Atlético de Madrid. Pedido expresso de Luigi Del Neri, que com ele havia trabalhado em Portugal, a direção da Atalanta não mediu esforços para contratar o jogador então desvinculado e lhe ofereceu um contrato de três anos, com €730 mil euros por temporada. Sua coletiva de apresentação deve ter convencido muita gente de que o negócio era mesmo quente: “Eu sou aquele que permite que o companheiro com mais técnica faça aquilo que queira, porque se perde a bola não deve recuperá-la. Eu a recupero”.

Na primeira rodada, jogou 53 minutos contra o Parma. E foi só. Algumas lesões minaram sua condição física e, aos poucos, Costinha passou a ver as partidas bem de longe, treinando sempre à parte dos colegas. Nem ao Atleti Azzurri ia. Por outro lado, mais de uma vez foi visto em San Siro para assistir os jogos da Inter de seu amigo Mourinho. Tanto que, em janeiro passado, algumas especulações apontavam para seu desligamento da Atalanta (que já havia perdido quase €2 milhões) e contratação para o staff do Special One. Mas nada mudou. Nem em janeiro, nem no verão europeu. Agora com 35 anos, Costinha decidiu respeitar o contrato que termina em 2010 e recusou deixar Bérgamo.

Em campo, o jogador só reapareceu nessa semana, num amistoso contra o Pergocrema, no qual Gregucci o escalou por todo o primeiro tempo. O mau início de temporada mesmo com a boa dupla Guarente-Barreto pelo centro não excluem uma possibilidade real da recuperação do português, que pode se revelar uma opção razoável perto de sua despedida. Desde que sociedade, comissão técnica e jogador mostrem que não restou muita mágoa dos últimos anos. Porque o valor de Costinha à Atalanta é indiscutível e é uma ótima oportunidade para sua ressurreição.

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