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Eternas promessas: Luigi Sartor

Luigi Sartor começou com o pé esquerdo: em sua estreia pela Juve, aos 17 anos, ele marcou um gol contra no goleiro Peruzzi. Foi a sua única partida na Serie A. Na Champions League, entrou em campo e foi o atleta mais jovem da história da Juventus a atuar na competição. Nascido em Treviso e oriundo das categorias de base do Padova, o lateral-direito já atuava pela seleção sub-17. Com bom porte físico e boa noção defensiva, Sartor tinha tudo para se firmar no futebol italiano – o qual, na temporada seguinte, veria um garoto Panucci ganhar lugar no poderoso Milan.

Foi cedido à Reggiana, mas, em seis meses – nos quais disputou só cinco partidas -, surgiu o Vicenza, da Serie B, em dezembro de 1994. O lateral, que já defendia a seleção sub-21, mas precisava se firmar no cenário nacional -, logo se transferiu, e ajudou a equipe a subir para a divisão de elite logo de cara. Foi lá que Sartor também jogou de zagueiro – e com êxito. Titular na lateral direita em suas duas primeiras temporadas, cobriu a saída do sueco Björklund no centro da defesa. Na temporada 96/97, jogando na zaga, ajudou os Lanerossi a conquistar a única Coppa Italia da história do clube.

Antes do inédito título, porém, o defensor havia ganhado uma outra competição importante: o Europeu sub-21, na Espanha, com a Itália. Luigi Sartor foi reserva de, adivinhem só, Christian Panucci. Aquele elenco também contava com Buffon, Cannavaro, Nesta, Tommasi, Delvecchio e Totti. Alguns meses depois, também disputou as Olimpíadas com o grupo sub-23. Este, porém, decepcionou, não passando da primeira fase. As participações internacionais nas seleções de base, somadas ao bom desempenho com o Vicenza, valorizaram o atleta, que assinou com a Inter na temporada 1997/98, aos 22 anos de idade.

Foi como jogador da Inter que o lateral vestiu a camisa da seleção maior pela primeira vez, pouco antes da Copa do Mundo 98. Com os nerazzurri, Sartor conquista uma Copa Uefa – a segunda de sua carreira – e, mesmo sem se firmar, interessou ao Parma, para o qual se transferiu. Vale lembrar que, à época, os gialloblù eram um time de ponta no país e ocupavam as primeiras posições da Serie A. Sua primeira temporada no clube, porém, foi altamente comprometida por problemas físicos: só disputou 13 partidas em um ano. Já 1998/99 rendeu bons frutos: o Parma levou a Coppa Italia e a Copa Uefa.

Luigi Sartor, porém, não conseguiu em momento algum ser unanimidade. Mesmo sendo sua passagem mais longa por algum clube – quatro anos – ele não foi capaz de se impor num elenco de nível alto. Àquela época, o Parma pode contar com Thuram, Cannavaro e Sensini só na defesa. O lateral trevisano jogou, nessas quatro temporadas, o que um titular jogaria em duas. Em parte por lesões e em parte por falta de competência, Sartor já se encaminhava para o inglório rol das eternas promessas do esporte.

Apesar disso, surgiu a Roma, em 2002, para fechar com o jogador. Ele iria à capital para compor elenco e ser reserva do onipresente Panucci. Lá, Sartor teve poucas oportunidades, e, quando em campo, nunca mostrou grande impacto. Pelo contrário, o lateral foi tão ineficiente que chegou a ser largado no elenco, chegando a contabilizar zero atuação em seis meses. Posteriores empréstimos a Ancona e Genoa não salvaram o atleta, que continuava, além de tudo, sendo atrapalhado por contusões.

Quando seu contrato com a Roma expirou, em 2005, Sartor foi à Hungria para defender o Sopron. Um ano depois, assinou com o Hellas Verona e continuou sofrendo com lesões: em uma temporada, foram somente sete partidas disputadas. No início de 2008, novamente desvinculado, reforçou a Ternana, e, aos 33 anos, passou, ironicamente, por uma das melhores fases da sua carreira. Na Prima Divisione, o lateral disputou quase todos os jogos da equipe, ajudando a garantir a permanência do clube na terceira divisão do país. Luigi Sartor jogou mais meia temporada, arrumou mais uma lesão no joelho e hoje está sem clube.

Luigi Sartor
Nascimento: 30 de janeiro de 1975, em Treviso.
Posição: lateral-direito.
Clubes: Juventus, Reggiana, Vicenza, Inter, Parma, Roma, Ancona, Genoa, Sopron-HUN, Verona, Ternana.
Títulos: 3 Coppa Italia (Vicenza e Parma, duas vezes); 1 Supercoppa (Parma); 3 Copa Uefa (Juventus, Inter, Parma); Europeu sub-21 (Itália).
Seleções de base: Itália sub-17, sub-18, sub-21 e sub-23.

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