Serie A

900 minutos em 9: 32ª rodada

Thiago Motta, de novo: apesar dos desfalques, a Inter continua líder e com o brasileiro em grande fase.
E agora faltam só seis rodadas… (Getty Images)

Entre os líderes, três vitórias. Ao contrário das dez últimas rodadas, que sempre viram tropeços de alguém do “pódio” da Serie A, desta vez todos os postulantes ao scudetto venceram suas partidas. Bom para a Inter, que venceu o Bologna com autoridade em casa, mesmo com cinco desfalques. Não tão perfeito para a Roma, que passou por um teste de fogo batendo o Bari, fora de casa, mas segue a um ponto da líder – e a um jogo a menos para o fim do campeonato. E péssimo para o Milan, que continua precisando de quatro pontos para ultrapassar seu arquirrival, ainda que tenha ganhado do Cagliari, num jogo emocionante na Sardenha.

Ainda nas intermináveis acusações sobre o calciopoli, o ex-ídolo da Inter Christian Vieri pediu a revogação do scudetto da temporada 2005-06, entregue ao time após ser retirado da Juventus. O motivo seriam interceptações telefônicas realizadas a mando do presidente Massimo Moratti. Dentro de campo, a equipe não parece ter sido afetada, mesmo com jogadores “cansados, lesionados e suspensos”, nas palavras do próprio Mourinho, antes da partida contra o Bologna (16º lugar, 35 pontos). Bem pelo contrário. Sem cinco titulares, a Inter (1º, 66) aproveitou-se do retorno de Balotelli após seis jogos e da constante subida de rendimento de Thiago Motta para vencer fácil, por 3 a 0, numa prova de força do elenco nerazzurro. O time atacou do início ao fim e deu pouco espaço para os emilianos, que só não voltaram para casa com uma goleada maior graças à má pontaria do ataque interista e às boas defesas de Viviano. Motta abriu e fechou o placar, intercalado por um gol de Balotelli, que recebeu na grande área um ótimo passe de trivela de um Milito em tarde de garçom.

No San Nicola que abriu espaço para 10 mil torcedores do time giallorosso, a Roma (2º, 65) chegou a ficar na liderança da Serie A por dez minutos. O único gol da vitória contra o Bari (10º, 43) saiu aos 19, com jogada do trio de ataque que os romanistas tanto sonharam e finalmente viram em campo pela primeira vez: Totti tocou para Toni, que adiantou para Vucinic marcar de forma impecável no estádio em que o Bari só havia caído para Milan e Cagliari na temporada, até então. Para encaixar os três ases do baralho, serviu o 4-2-3-1 de hábito, mas bem reformulado. Desta vez, Toni na frente, com Totti na função de bom e velho trequartista, enquanto Taddei e Vucinic fechavam pelas laterais. Pelo Bari, quem mais deu trabalho à defesa romanista foi Alvarez, que encerrou Riise na defesa e fez o norueguês sumir do jogo. Do outro lado do campo, Rivas não foi páreo para um Cassetti em ótima fase. Os biancorossi ainda tentaram, mas não conseguiram se impor sobre uma Roma que parece ter aprendido o que é vencer. A próxima rodada será um bom termômetro, já que os homens de Ranieri entrarão em campo contra a Atalanta já conhecendo o resultado da Inter em Florença.

Já o Milan (3º, 63) sofreu muito para voltar a vencer no campeonato, após três rodadas de jejum. O adversário foi o Cagliari (12º, 40), que contra os rossoneri se recuperou um pouco da forte queda de rendimento no segundo turno. Todos os gols saíram no primeiro tempo: Borriello abriu o placar para o time de Leonardo após ótima tabela com Seedorf e o promissor Ragatzu respondeu pouco depois de Antonini errar um gol incrível na frente de Marchetti. Mais Milan: Huntelaar anotou num golaço de fora da área que encobriu o goleiro adversário, mas Matri empatou num contra-ataque frente a seu ex-clube. Falando em ex-time, coube a Astori, zagueiro cedido pelo próprio Milan, definir o placar com um gol contra, de joelho: 3 a 2. Enquanto o técnico brasileiro não tinha muito o que inventar, sem seus onze lesionados, Allegri pôde apostar na formação de praxe da temporada, o 4-3-1-2 com um magistral Cossu nas costas de Ragatzu e Matri, dupla que já enche de esperanças o torcedor rossoblù para a próxima temporada. Após o intervalo, Dida decidiu a partida em dois milagres. Na melhor definição de vitória aos trancos e barrancos.

Se o Milan se livrou de um vexame, o mesmo não pode se dizer da Juventus (7º, 48). Os bianconeri enfrentaram a Udinese (15º, 35) no Friuli, o grande objeto misterioso desta temporada. E levaram para casa três gols, além de um baile histórico por conta de Sánchez e Di Natale. Mais uma apresentação que torna praticamente inacreditável a péssima campanha do time de Marino ao mesmo tempo em que se soma apenas como a última das doze derrotas do time de Turim na competição. Em mais uma delas, esteve em campo um time apático, anímico, irreconhecível, que agora praticamente diz adeus a uma vaga na Liga dos Campeões, mesmo a três pontos de distância do quarto lugar. A Udinese logo abriu o placar: Di Natale mandou na trave, Sánchez pegou a sobra. No segundo tempo, o chileno ganhou na velocidade de uma trôpega zaga com Legrottaglie-Cannavaro e Manninger até que defendeu bem, mas Pepe matou o jogo no rebote de fora da área. A cereja do bolo veio com o artilheiro da Serie A. Di Natale marcou seu 22º gol numa bela jogada trabalhada contra a sexta pior defesa do campeonato, que só assistiu. No campo em que Alberto Zaccheroni se consagrou, talvez haja algum torcedor da Juventus com saudades de Ciro Ferrara.

Outro derrotado na parte de cima da tabela foi o Palermo (4º, 51), totalmente envolvido pelo Catania (13º, 38) no dérbi da Sicília. Apesar de mais uma ótima partida de Mascara, totalmente recuperado sob o comando de Mihajlovic, quem saiu com os créditos da vitória rossoazzurra foi o argentino Maxi López, que marcou os dois gols da partida e chegou a seis tentos em 11 jogos no campeonato, ultrapassando gente como Amauri, Crespo e Zárate. Nas últimas oito rodadas, aliás, são seis vitórias e dois empates para o Catania, que abriu sete pontos de vantagem sobre a zona de rebaixamento. Já o Palermo se provou refém de Miccoli e Pastore: com a dupla anulada pela defesa adversária, os rosanero não chegaram a dar perigo algum à meta de Andújar. Dentro das quatro linhas, Maxi López fez o primeiro depois de desarmar Goian e o segundo aproveitando outra desatenção depois de passe de Martínez, que se lesionou e corre risco de não ir à Copa com a seleção uruguaia. Fora do gramado, não houve ocorrências policiais. Algo a se comemorar.

A Sampdoria (5º, 51) se aproveitou da bobeira do time de Delio Rossi para encostar na luta por esta última vaga na Liga dos Campeões. Com a vitória por 2 a 1 sobre o Chievo (14º, 38), o time recuperou o fôlego e se igualou ao Palermo em número de pontos. Quem facilitou a tarefa dos blucerchiati foi Cassano, que marcou com menos de um minuto de jogo: Tissone finalizou, Sorrentino espalmou, Guberti dominou e cruzou para o camisa 99 anotar o dele. E quase a Samp deixou mais um logo aos três minutos, mas o árbitro Gabriele Gava voltou atrás em um pênalti que havia marcado sobre Semioli. Depois do intervalo, Pazzini ampliou depois de chutar duas vezes contra a meta clivense. Para os burros alados, o único consolo foi o gol de Mantovani já no fim da partida, algo a se considerar para um time que não havia marcado nos últimos seis jogos e, nesse ritmo, pode chegar ao fim do campeonato lutando contra o rebaixamento.

Com empates por 1 a 1, Napoli (6º, 49), Fiorentina (8º, 45) e Genoa (9º, 45) se afastaram da luta por esta vaga na Liga dos Campeões, ainda que os azzurri se mantenham entre os favoritos por um lugar na Liga Europa. Em Roma, o Napoli tropeçou na Lazio (17º, 34) e perdeu a chance de se igualar ao número de pontos de Palermo e Sampdoria. Floccari abriu o placar pros donos da casa logo aos quatro minutos, com bela cabeçada, e Hamsík empatou aos 38, com um golaço de calcanhar, aproveitando ótimo passe de Quagliarella. E ficou nisso, apesar da insistência das duas partes: a se destacar a boa partida de André Dias na defesa laziale, que viu a distância para a zona de rebaixamento cair a três pontos. Os viola também decepcionaram fora de casa, contra o instável Parma (11º, 43). Nem mesmo outra grande partida de Jovetic foi suficiente para guiar os visitantes rumo à vitória. JoJo deu para De Silvestri a bola de seu primeiro gol na Serie A, batendo assim os 294 minutos de invencibilidade do goleiro Mirante no Ennio Tardini, mas o empate veio no segundo tempo, com o búlgaro Bojinov.

Vexame maior deu o Genoa, que não passou do 1 a 1 em casa com o cada vez mais lanterna Livorno (20º, 26). Os gols saíram só no segundo tempo e os rossoblù marcaram com o estreante Boakye, um ganês de 17 anos que substituiu Suazo, lesionado. A três minutos do fim da partida, apareceu o fato que premiou a insistência do time de Cosmi durante todo o jogo, chegando a jogar com três atacantes por mais de 20 minutos: Diniz cruzou, Danilevicius aproveitou e Tavano empatou desviando quase na linha de fundo, um resultado justíssimo, mas que não fez bem a ninguém. Para fechar a zona de rebaixamento, o vice-lanterna Siena (19º, 26) praticamente deu adeus às esperanças de permanência ao perder por 2 a 0 para a Atalanta (18º, 31), que vem embalada sob a égide do surpreendente Valdés, que marcou o primeiro e controlou a partida inteira. O segundo gol da Dea foi marcado por Ferreira Pinto. E, quem diria, a Atalanta sonha com a permanência na Serie A, a seis jogos do fim da temporada.

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Seleção da 32ª rodada
Dida (Milan); Burdisso (Roma), Zapata (Udinese), Chivu (Inter); Valdés (Atalanta), Thiago Motta (Inter), Pizarro (Roma), Cossu (Cagliari); Di Natale (Udinese), Maxi López (Catania), Borriello (Milan)

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