Serie A

900 minutos em 9: 34ª rodada

Gol após gol, Vucinic faz a Roma dar passos cada vez mais importantes para a disputa do scudetto (Reuters)

Na partida em que tinha mais chances de tropeçar, a Roma (líder, 71 pontos) venceu a Lazio (16ª, 37) no dérbi da capital e segue sonhando com o scudetto. Prova de superação para os giallorossi, que foram dominados pela equipe de Edy Reja no primeiro tempo e viraram o placar graças a Mirko Vucinic e a ousadia de Claudio Ranieri, que teve sucesso ao substituir as bandeiras Totti e De Rossi por Ménez e Taddei no intervalo do jogo. Reja armou sua equipe com dois esternos bem postados no campo de defesa, ajudados por um meio-campo brigador e que só atacava quando surgiam espaços. Ledesma, em ótimo lançamento, achou Rocchi em meio a má posicionada defesa da Roma para abrir o placar. Já no segundo tempo, Kolarov foi derrubado por Cassetti dentro da área e a Lazio tinha chance de ouro para abrir ótima vantagem sobre os rivais. Porém, Floccari bateu em cima de Julio Sergio e a desperdiçou, ao contrário de Vucinic, que teve cobrança a seu favor poucos minutos depois e empatou o dérbi. Pouco depois, a Roma virou com o montenegrino, que bateu falta com força e viu a barreira abrir e Muslera não ter reação, apesar de a bola ter ido em sua direção. Daí em diante, a Lazio pouco fez contra a defesa fechada da Roma e ainda teve Ledesma expulso por reclamação. No fim do jogo, a comemoração descortesa de Totti provocou polêmica e pode ser julgada pela corte arbitral.

A vitória da Roma praticamente anulou a vitória da Inter (2ª, 70) sobre a Juventus (7ª, 51) por 2 a 0 no Giuseppe Meazza. Na partida em que Zanetti completava 500 jogos como capitão da Inter, a Velha Senhora até começou a partida de maneira surpreendente, partindo para cima da atual campeã e dominando o meio-campo, sem deixá-la jogar. Mas a equipe dona da casa logo começou a valorizar mais a posse de bola com Sneijder – atuando um pouco mais atrás de Cambiasso, como um regista – e se aproveitava da má partida de Zebina para inserir Pandev ou Eto’o em seu setor para criar as melhores chances do jogo. Foi naquela região que Sissoko cometeu falta dura sobre Zanetti e foi expulso por segundo cartão amarelo, dando a deixa para as reclamações juventinas e para a Inter matar o jogo. Porém, a Beneamata criava e perdia gols feitos na mesma proporção, com Eto’o e Milito. Até que, faltando 15 minutos para o fim do jogo, Maicon aproveitou sobra na frente da grande área, deu um chapéu em Amauri e chutou forte, marcando um dos gols mais bonitos da temporada e comemorando manifestando sua vontade de permanecer em Via Durini. Balotelli ainda acertou o travessão em cobrança de falta, mas foi Eto’o quem definiu o placar após completar cruzamento de Muntari. O resultado complica as chances de a Juventus conseguir classificação para a LC e mantém a Inter na briga pelo scudetto e na torcida contra a Roma, que enfrenta a Sampdoria (4ª, 57) na semana que vem.

Falando em briga pelo scudetto, o Milan (3º, 64) perdeu para a Samp e disse adeus às chances de título. Os rossoneri até começaram jogando melhor na visita ao Marassi e saíram na frente em menos de 20 minutos de jogo, quando Borriello subiu mais alto que Lucchini e cabeceou no canto de Storari. Mancini ainda teve uma chance sem goleiro em seguida, mas o chute torto mostrou porque o brasileiro não marca há dois anos na Serie A. Após sofrer nos minutos iniciais, os dorianos acordaram para o jogo e partiram para cima, exigindo muito de Dida, que estava em bom dia. Porém, no segundo tempo, Cassano foi derrubado por Bonera dentro da área de maneira ingênua, que foi expulso com justiça. O mesmo Fantantonio cobrou e empatou tudo. Porém, a equipe blucerchiata não conseguia ir para cima e o Milan até passou a jogar melhor com um a menos, até que, no final do jogo, Mannini cruzou na medida para Pazzini fazer belo gol de cabeça e deixar a Sampdoria em posição mais confortável antes dos duelos decisivos contra Roma e Palermo.

Com o resultado, os dorianos ultrapassaram o Palermo (5º, 55), que conseguiu um empate suadíssimo contra o Cagliari (13º, 41) nos acréscimos. No primeiro jogo da dupla de treinadores Gianluca Festa e Giorgio Melis no comando dos rossoblù, Matri começou no banco. Sem muitas explicações, Delio Rossi também preferiu mandar Miccoli para o banco rosanero. Mesmo sem seu capitão e principal jogador, o Palermo assustava mais, obrigando Marchetti a fazer grandes defesas. O goleiro da seleção italiana foi muito bem em duas cabeçadas de Goian ainda no primeiro tempo, antes de Lazzari passar bem para Cossu chutar e, com o desvio em Migliaccio, abrir o placar para os donos da casa. Na segunda etapa, já com Matri e Miccoli em campo, o Cagliari aproveitou um contra-ataque para marcar seu segundo gol com Jeda, aos 87. O gol parecia decidir a partida, mas Miccoli, completamente desmarcad, empatou em seguida. Daí em diante, muitas emoções: Budan cabeceou uma bola na trave e obrigou Marchetti a fazer milagre em dois lances diferentes e Matri perdeu a chance de marcar o gol da vitória sarda, cara a cara com Sirigu. Porém, aos 50 minutos, o Palermo empatou e se manteve vivo na briga pela LC graças a Abel Hernández, que só empurrou para as redes um cruzamento de Miccoli desviado por Astori.

Já o Napoli (6º, 52) também segue vivo na luta pela classificação para a LC, após visitar o estádio San Nicola e vencer um Bari (11º, 41) dizimado pelas lesões por 2 a 1. O jogo entre as duas equipes do sul costuma trazer alguma rivalidade, mas a ausência de objetivos dos biancorossi nesta altura do campeonato limitou a partida a pressão quase constante do Napoli, que abriu o placar com golaço de Lavezzi no primeiro tempo. No segundo, El Pocho aproveitou confusão de Gazzi e Bonucci para marcar sua doppietta, que se mostraria importante já que Almirón, vindo do banco de reservas barese, entrou em campo com a postura de incendiar o jogo. Com raça, o volante argentino marcou um gol e até tentou animar seus companheiros, mas o jogo acabou com a vitória napolitana, primeira fora de casa desde 24 de janeiro e que enfim confirma os azzurri como candidatos à Europa. Quem também se candidata, mas vem mais atrás, é o Genoa (8º, 48), que soube lidar com a pressão do Tardini e passou pelo Parma (9º, 46). Os rossoblù abriram 2 a 0 com dois gols de Palacio: no primeiro, se aproveitou de erro de Zaccardo e bateu bem de fora da área para vencer Mirante; no segundo, aproveitou rebote do goleiro após boa jogada de Palladino. O empate parmiggiano não demorou muito para acontecer, com Zaccardo, após falha de Scarpi, e com Bocchetti, chutando a bola para as próprias redes num incrível gol contra – definido pela Gazzetta dello Sport como “capolavoro do absurdo”. Ainda houve tempo para Francesco Guidolin ser expulso por blasfêmia e por Fatic, ex-Inter, marcar um gol improvável para os visitantes.

A crise do Bologna (17º, 36) não acaba. Após se distanciar bastante da zona de rebaixamento, os felsinei entraram num momento muito ruim e contabilizam cinco derrotas e um empate nos últimos seis jogos. Quando enfim parecia que a equipe de Franco Colomba conquistaria os três pontos, a Udinese (15ª, 39) empatou nos minutos finais. O Bologna saiu na frente logo aos três minutos graças a gol contra de Zapata e logo se fechou, resistindo a pressão friulana graças a trave e a boa atuação de todo o conjunto defensivo, liderado por Viviano – que fez cinco boas defesas. Porém, nos acréscimos, o gol do artilheiro Totò Di Natale penalizou os rossoblù, que ainda terão que jogar fora de casa contra a Atalanta (17º, 34), concorrente direta, que comemorou muito o empate bianconero nos acréscimos. A equipe bergamasca, por sua vez, fez bonito em seus domínios e venceu a Fiorentina (10º, 46), chegando a quinta vitória consecutiva em casa. O brasileiro Ferreira Pinto abriu o placar de cabeça logo no início, após cruzamento de Valdés e tranquilizou os nerazzurri, que pressionaram o jogo inteiro. Na segunda etapa, Tiribocchi teve três ótimas chances antes de fazer o segundo, em belo voleio. Mais belo (e inútil) foi o gol de Montolivo, que completou cruzamento de Keirrison com um lindo sem pulo da entrada da área. O resultado praticamente tira as chances de classificação da equipe viola para a Liga Europa.

Ainda na luta pela salvezza, o Siena (19º, 30) conseguiu um empate por 2 a 2 fora de casa contra o Catania (14º, 40) e ainda acredita na improvável permanência na elite. Maxi López marcou seu oitavo gol em menos de quatro meses de Serie A e poderia ter feito o nono, caso não tivesse perdido o pênalti que praticamente decidiria a partida quando os etnei venciam por 2 a 1. Bom para o Siena, que empatou com Maccarone no segundo tempo, sofreu o gol de Biagianti (sempre com participação de La Barbie) logo em seguida, mas teve a frieza necessária para buscar o empte no fim do jogo, com o capitão Vergassola. Em Verona, o Chievo (12º, 41) não fez muito mais do que sua obrigação ao bater o fraco e quase rebaixado Livorno (20º, 26). No primeiro tempo, porém, os burros voadores perdiam muitas chances claras de gol, mas, no fim das contas, Pellissier e Abbruscato marcaram e deram a vitória ao time que tem a terceira melhor defesa do campeonato, que já conseguiu a salvezza, pelo menos teoricamente. O Livorno, por sua vez, já pode ser rebaixado matematicamente na próxima rodada.

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Seleção da 34ª rodada
Marchetti (Cagliari); Maicon (Inter), Lúcio (Inter), Capelli (Atalanta), Zúñiga (Napoli); Taddei (Roma), Sneijder (Inter), Valdés (Atalanta); Cassano (Sampdoria); Lavezzi (Napoli), Vucinic (Roma).

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