Serie A

900 minutos em 9: 36ª rodada

Samuel e Lúcio, outra vez em grande atuação decisiva para a líder Inter. O argentino abriu o placar contra a Lazio e praticamente definiu o campeonato, a duas rodadas do fim (Getty Images)

Ao fim do primeiro tempo do último jogo da rodada, a torcida do Olímpico de Roma ia ao delírio com um gol. A mesma que pedia: “Mourinho, vença por nós”. Ou seja, nada da Lazio (16ª colocada, 40 pontos), dona da casa, abrir o placar. Bem que Muslera se colocou como único da adversário da Inter (1ª, 76) durante os primeiros 45 minutos, fazendo grandes defesas em uma cabeçada de Maicon, num chute de Thiago Motta e numa falta de Sneijder. Quando Kolarov quase acertou o gol de Júlio César, acabou vaiado. E a torcida laziale implorava que seu goleiro deixasse a bola passar, mas se frustrou com as defesas sobre Sneijder e Eto’o. Já nos acréscimos, o holandês cruzou na segunda trave e Samuel se antecipou a André Dias para marcar e fazer explodir o Olímpico, que via a Roma ser ultrapassada na liderança numa partida de baixo ritmo. No segundo tempo, o jogo com cara de amistoso não saiu do meio-campo até um escanteio que Thiago Motta aproveitou para fechar o placar. A torcida da Lazio se lamentava ironicamente com um “oh, não”. Enquanto isso, Mourinho poupava Sneijder, Eto’o e Lúcio para a final da Coppa Italia, nesta quarta-feira. Na Serie A, só restam mais duas partidas na corrida pelo título nerazzurro – que agora se torna uma caminhada: Chievo e Siena.

Já a Roma (2ª, 74) dormiu de sábado para domingo aquela que provavelmente será sua última noite como líder, na atual temporada. Ao contrário da Inter, que passou fácil pela Lazio, os giallorossi encontraram um Parma (11º, 46) que lutou até o último instante por um resultado melhor que a derrota por 2 a 1 no Ennio Tardini. Os crociati quase abriram o placar com Bojinov, mas a Roma respondeu aos cinco minutos: De Rossi lançou, Totti dominou no peito e encobriu Mirante com um belo cucchiaio, um destes que não concretizava desde uma partida com o Lecce, em novembro de 2008. Nas corridas de Valiani pela direita e Biabiany por todo o ataque, a defesa romanista sofreu demais durante e foi novamente salva por Julio Sergio. Depois do intervalo, a Roma voltou no 3-4-1-2 e perdeu um pouco da superioridade, mas seu capitão continuou imarcável – primeiro com uma bola na trave e depois com um cruzamento na cabeça de Taddei para o 2 a 0. O Parma ainda diminuiu com Lanzafame em cruzamento do infernal Biabiany, mas se perdeu no nervosismo que culminou em Jiménez expulso – pela terceira vez em três meses. Depois da final da Coppa Italia, Ranieri e companhia encaram Cagliari e Chievo.

Ainda na parte de cima da tabela, o confronto da depressão pôs Milan (3ª, 67) e Fiorentina (9ª, 46) frente à frente, no San Siro. E os rossoneri saíram por cima, com um gol de pênalti de Ronaldinho, aos 33 minutos do segundo tempo. Em grande partida do goleiro Frey, o brasileiro já tinha perdido várias oportunidades, mas finalmente marcou ao se aproveitar da falta boba (e discutível) de Kroldrup em Borriello na grande área. Durante toda a semana, muito se falou sobre uma possível saída de Leonardo ao fim da temporada, resultado das fortes declarações de Silvio Berlusconi sobre o treinador – e também das respostas dele ao Cavaliere. Ao fim do jogo, a torcida o escolheu como herói do dia. Se Berlusconi criticava o esquema, Leonardo resolveu mantê-lo, novamente no 4-2-1-3 com Huntelaar, Borriello e Ronaldinho na frente, mas ainda com Favalli na zaga, na falta de alguma opção melhor. No fim da partida, Ambrosini acabou expulso com dois amarelos e Vargas (que havia começado no banco) quase marcou o empate. Mas, pelo menos por agora, a vaga direta da Liga dos Campeões parece definida.

Outra definição se deu na Sicília: a dois jogos para se livrar do campeonato, a Juventus (7ª, 55) não tem mais chances de classificação para a Liga dos Campeões, num desastre anunciado mesmo após o ótimo começo nas primeiras rodadas. Pelo menos o empate em 1 a 1 com o Catania (15ª, 41) serviu para confirmar a presença do time na próxima Liga Europa – o sétimo colocado disputará a terceira fase preliminar do torneio. Para os rossazzurri, é a permanência finalmente garantida na Serie A, ainda que a matemática exija mais um empate nos próximos dois jogos. Num primeiro tempo bom de se ver, com Marchisio armando pela esquerda de um quase 4-3-3 de Zaccheroni, Del Piero parece ter se esquecido como se faz gols, perdendo três boas chances. Ao contrário do zagueiro Silvestre, que teve o mesmo número de oportunidades e colocou uma para dentro. Depois do intervalo, o ritmo da partida caiu bastante com a entrada de Amauri, mas o empate chegou com Marchisio, um dos poucos destaques da terrível campanha bianconera. Sorte de Felipe Melo que o árbitro não viu sua mão acertar a bola na grande área. E sorte de Alberto Zaccheroni a defesaça de Buffon em Maxi López, no finalzinho. Por muito menos, Claudio Ranieri caiu há um ano.

Na busca pelo pote de ouro que representa a quarta vaga na Liga dos Campeões, a Sampdoria (4ª, 63) não teve muitos problemas para bater por 2 a 0 o lanterna e já rebaixado Livorno (20ª, 29), mesmo poupando esforços para a partida da próxima semana contra o Palermo (5ª, 61), que por sua vez confirmou o rebaixamento do Siena (19ª, 30) numa vitória fora de casa, mais apertada, por 2 a 1. No Luigi Ferraris, Cassano foi o protagonista de um show particular e decidiu a partida quase que sozinho, com o gol aos cinco minutos de jogo e várias belas jogadas dali para o fim. E a cinco minutos do apito final, Ziegler confirmou a boa fase cobrando uma falta com violência no canto do goleiro De Lucia. Na Toscana, o show foi de Miccoli, outro dos ignorados por Marcello Lippi, que se igualou a Dante De Rosa como o maior artilheiro do Palermo na Serie A. O Siena dominou todo o jogo e teve várias oportunidades, mas volta para a Serie B depois de sete anos. Além do baixinho, Cavani também marcou, e Calaiò descontou. Os planos para a segunda divisão já vão sendo feitos: o novo diretor esportivo deve ser o competente Giorgio Perinetti, do Bari.

Na única disputa aberta contra o rebaixamento, a Atalanta (18ª, 35) não passou de um empate em 1 a 1 com o Bologna (17ª, 40) e agora espera mais que um milagre para se salvar: vencer Napoli e Palermo nas rodadas finais e ainda torcer para que o próprio Bologna ou a Lazio percam suas duas partidas. De nada adiantou a vantagem nerazzurra (um belo gol feito por Guarente em chute de bem longe, pouco depois do pênalti de Valdés defendido por Viviano) por quase toda o jogo, com um homem a menos desde a expulsão de Pellegrino por reclamação a Paolo Tagliavento num lance polêmico. O árbitro havia marcado pênalti e dado o amarelo ao argentino, que falou demais e levou o segundo. Só depois é que viu que o auxiliar marcava a saída da bola desde o início do lance, invalidando o pênalti. Mas, ainda assim, manteve o vermelho. Mesmo com a Atalanta jogando muito melhor, um inacreditável gol contra de Peluso decretou o empate, colocando o zagueiro às lágrimas. Mas a água não apaga o rebaixamento que bate à porta. Hoje mesmo poderia ter se concretizado, caso o bandeira não tivesse marcado um absurdo impedimento de Di Vaio no fim do jogo.

Na zona que já pede pede o fim do campeonato sem qualquer nova ambição, o Bari (10ª, 46) goleou em casa o Genoa (8ª, 48), por 3 a 0. Para tentar motivar seus jogadores, Gian Piero Gasperini apelou, dizendo que a meta seria defender a oitava posição, para depois do resultado declarar que não teve elenco de nível para brigar por alguma competição europeia. Todos os gols foram muito parecidos, em lançamentos se aproveitando de uma defesa sonolenta que foi escalada emergencialmente com Tomovic, Sokratis e Criscito. Meggiorini, Castillo e Barreto garantiram uma vitória que não vinha há quase um mês. Mais emocionante foi o empate de 2 a 2 no Sant’Elia entre Cagliari (13ª, 43) e Udinese (14ª, 43), que confirmou a salvezza da dupla numa partida interessante do início ao fim. Lazzari marcou de cabeça, Di Natale e Sánchez viraram com assistências de Pepe e Jeda fechou o placar de cabeça, contra um Handanovic em tarde de gala em pelo menos três tentativas de Matri. Apesar da boa impressão na estreia de Giorgio Melis como treinador no time de cima, o Cagliari não vence há onze jogos.

Para fechar, outro jogo de fim de mercado se deu em Verona, onde o Napoli (6ª, 56) bateu o Chievo (12ª, 44) e ultrapassou a Juventus na luta por uma vaga direta na Liga Europa. Sem ter de passar pelas preliminares, o time estrearia na competição só três semanas depois, algo bem importante em termos logísticos para toda a próxima temporada. Em campo, o jogo demorou a esquentar e só nos acréscimos é que o Napoli marcou, com Denis, em cruzamento de Campagnaro. O empate clivense veio numa falha do bom De Sanctis, que deu rebote para Granoche em chute de Bentivoglio. Mas Lavezzi deixou o dele, cobrando falta no contra-pé de Sorrentino. Num dia em que o ataque azzurro até que funcionou, mas tarde demais para chegar à Liga dos Campeões.

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Seleção da 36ª rodada
Sirigu (Palermo); Belmonte (Bari), Samuel (Inter), Silvestre (Catania), Bellini (Atalanta); Thiago Motta (Inter), Palombo (Sampdoria), Pepe (Udinese); Miccoli (Palermo), Cassano (Sampdoria), Totti (Roma)

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