Serie A

As dez piores contratações da temporada

Felipe Melo e Diego no último bom momento da dupla: a vitória sobre a Roma, na segunda rodada.
Juntos, custaram à Juve 50 milhões de euros e muita dor de cabeça (AP)

Depois de falarmos das melhores contratações da temporada na postagem anterior, é hora dos flops, aquelas decepções que o mercado sempre acaba garantindo. Na lista, desde gente que chegou para resolver, como Diego e Huntelaar, até negociações inesperadas que acabaram realmente virando água, como a do alemão Hitzlsperger. Entre os dez, estão três nomes que naufragaram na Juventus e outros três no Napoli. Ainda há menções “honrosas” para Fiorentina, Genoa, Lazio e Milan – e sempre lembrando que é difícil escolher apenas dez entre as tantas contratações que deram errado. Sempre elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome, as cifras são do site Transfermarkt.

Marco Amelia, do Palermo para o Genoa, em troca com Rubinho
De reserva de Buffon na última Copa do Mundo, em 2006, a reserva do veterano Scarpi nas últimas rodadas do campeonato – a vida de Amelia já foi mais fácil, sem dúvidas. O goleiro romano chegou ao Genoa numa troca que não foi boa para ninguém. Os lígures perderam o titular Rubinho, o Palermo perdeu Amelia e os dois trocados mergulharam numa má fase inacreditável, tanto que o brasileiro foi emprestado ao agora rebaixado Livorno, apenas seis meses depois. Mas as expectativas maiores estavam sobre o goleiro da seleção italiana, que no Genoa sempre pareceu meio lento e fora de jogo, não conseguindo impor tranquilidade a uma defesa terrível: em seus 27 jogos pela Serie A, Amelia sofreu 42 gols, e pelo jeito já se despediu do clube. Recusou proposta do Fenerbahçe e é especulado em Tottenham, Fiorentina e Roma.

Luca Cigarini, da Atalanta para o Napoli, por €9,5 milhões
Para Roberto Donadoni, era a possível solução para o meio-campo partenopeu. Mas Cigarini não chegou a convencer e perdeu o status de intocável com a chegada de Walter Mazzarri, na oitava rodada. De lá pra cá, foram apenas cinco jogos como titular e nenhuma boa partida como aquela no empate heróico em 2 a 2 com o Milan, no qual marcou um dos gols já nos acréscimos. Jogando adiantado demais para seus padrões de regista, aquele que era apontado como o futuro Pirlo (e dele herdou até a camisa 21) sempre pareceu meio desligado, fazendo jogadas esporádicas. Não à toa, termina a temporada no banco, como reserva de Hamsík no 3-4-2-1 que deu os melhores resultados da gestão Mazzarri ao Napoli.

Diego, do Werder Bremen para a Juventus, por €24,5 milhões
Pelo Werder Bremen, a temporada de estreia de Diego foi marcada por 13 gols e 14 assistências em 33 partidas como titular absoluto. Em seu começo na Itália, só mesmo os passes para gol ameaçam salvar a temporada do brasileiro: foram 11, quase todos em bola parada, e mais cinco gols, em 31 jogos até então. Pouco demais para aquele que destruiu a Roma logo em sua segunda partida com a camisa da Juventus e depois naufragou junto do time. Diego merece a lista porque viu o time ser montado a seu redor, sendo um sonho da diretoria que exigiu sua presença ao ponto de demitir Claudio Ranieri antes mesmo do fim do campeonato passado, opositor ferrenho da contratação, nos bastidores do clube. Com o brasileiro em campo, o 4-3-1-2 com ele no centro das atenções era a obrigação de Ciro Ferrara, que morreu abraçado a um esquema que nunca funcionou, já que o ex-santista nem sempre correspondeu. E eis que o começo estrondoso deu espaço para vaias da torcida na pior temporada da Juventus nos últimos 50 anos.

Andrea Dossena, do Liverpool para o Napoli, por €4,25 milhões
A chegada de Dossena em janeiro, encostado no Liverpool, deveria resolver o eterno problema da lateral-esquerda no Napoli. Mas seu retorno à pátria, pelo menos até aqui, tem passado desatento. Só contra sua antiga Udinese é que Dossena jogou os 90 minutos. Em todas as outras sete partidas, entrou no decorrer do jogo. E quando entrou, a torcida já sabia o que esperar: um jogador disparando pela esquerda para fazer inúmeros cruzamentos longe do alvo. De resto, tornou-se figurinha carimbada no departamento médico partenopeu. Em pouco mais de três meses de clube, já foram quatro paradas por lesão, incluindo duas torções no tornozelo e o atual estiramento na coxa direita.

Fabio Grosso, do Lyon para a Juventus, por €2 milhões
Esqueça o lateral-esquerdo da seleção italiana campeã do mundo de 2006, com direito a gol histórico na semifinal contra a Alemanha. Desde então, o futebol de Grosso desapareceu. Depois de uma passagem ruim pela Inter e dois anos sem convencer pelo Lyon, chegou com moral na Juventus. E não deu certo, outra vez. Individualista, lento e fora de sintonia com o resto da defesa, nem no ataque conseguiu ser eficiente como em tempos cada vez mais distantes. Em suas costas, os adversários fizeram a festa e a torcida não perdoou, principalmente depois da falha que resultou no empate com o Livorno, na 23ª rodada. A temporada termina com De Ceglie titular e algumas inacreditáveis lamentações pela liberação de Molinaro para o Stuttgart. Ainda assim, Grosso continua na seleção italiana e deve ser o titular de Marcello Lippi no próximo Mundial. Mistério.

Thomas Hitzlsperger, do Stuttgart para a Lazio, por €550 mil
“O Martelo”, como é conhecido na Alemanha, foi protagonista da transferência mais inesperada do mês de janeiro. Ex-capitão do Stuttgart, vinha atuando pela Bundesliga até pedir a rescisão de seu contrato em circustâncias até agora inexplicáveis. Notável pelas bombas de canhota e passes muito bem realizados, a desculpa era ser titular para chegar com ritmo à Copa do Mundo. Pelos Roten, fez 11 dos 17 jogos do primeiro turno. Na Lazio, apenas três, nenhum deles por inteiro. E ainda conseguiu o feito de ser substituído apenas 32 minutos depois de entrar numa partida em casa, perdida por 2 a 0 para o Bari. Sem grandes problemas físicos, o ápice da humilhação de Hitzlsperger no cenário italiano foi a risada de Edy Reja quando um jornalista do Bild pronunciou seu nome corretamente: “então é assim que se diz?”. O diário alemão ainda explicou bem o impacto de seu compatriota na Itália. O mesmo de um fantasma.

Klaas-Jan Huntelaar, do Real Madrid para o Milan, por €15 milhões
Daquele atacante inteligente, decisivo, de boa finalização e cabeceio forte, sobraram apenas lampejos. Autor de 104 gols em 135 jogos nos seus três anos de Ajax (além de média de um gol a cada duas partidas pela seleção holandesa), Huntelaar demorou um bom tempo para desencantar com a camisa do Milan e só marcou na 14ª rodada, contra o Catania, três meses depois de sua estreia. Na ocasião, ficou seis minutos em campo e deixou dois gols. De lá pra cá, continuou entrando no final das partidas e só foi titular cinco vezes pela Serie A, geralmente perdido no jogo planejado por Leonardo, principalmente quando escalado pela direita do trio de ataque. A três rodadas do fim do campeonato, tem sete gols. Pouco demais para o homem que iria resolver os problemas do ataque rossonero.

Felipe Melo, da Fiorentina para a Juventus, por €25 milhões
Armador que saiu pelas portas do fundo do Grêmio rumo ao Mallorca, em 2005, Felipe Melo é um desses casos inesperados do futebol. Passou a jogar mais recuado na Espanha e chegou à Fiorentina fazendo o papel de um verdadeiro volante no 4-2-3-1 de Cesare Prandelli. O suficiente para garantir sua contratação pela Juventus a peso de ouro, preço exagerado por um jogador que ainda buscava a confirmação na Europa, apesar de já ser titular na seleção brasileira. Nesta temporada, arrumou encrenca com a torcida mais de uma vez e já saiu do Olímpico de Turim chorando e xingando, com um temperamento instável. “Um jogador que tanto dá cacetada quanto sai jogando de três dedos, com a mesma naturalidade”, nas palavras do amigo Mozart Maragno. Este é Felipe Melo, protagonista do terrível pesadelo da Juve.

Cesare Natali, do Torino para a Fiorentina, por €2,8 milhões
Bom nas bolas aéreas, forte para se bater com os atacantes na grande área… e param por aí as qualidades notáveis de Natali, 31 anos, um dos zagueiros mais insossos da Serie A na década. E que conseguiu, num dos piores negócios do diretor esportivo Pantaleo Corvino, se transferir para uma Fiorentina na disputa da Liga dos Campeões. Natali nunca fez mais que o feijão-com-arroz na zaga, e nem sempre muito bem feito. Com habilidade próxima de zero, suas falhas no Torino e na Udinese ficaram ainda mais escancaradas com a camisa viola: deixa os adversários mais velozes passaram com facilidade e tem uma categoria ímpar para errar passes na saída de bola. Na emergência defensiva que viveu a Fiorentina no ano, ter um zagueiro tão pouco confiável não contribuiu em nada: nas 14 partidas com ele em campo, o time só venceu quatro.

Juan Camilo Zúñiga, do Siena para o Napoli, por €8,5 milhões
O mais atento torcedor do São Paulo talvez se lembre de Zúñiga, promissor lateral-direito que estreou na seleção colombiana com apenas 19 anos. Na Libertadores de 2008, teve duas boas atuações contra o tricolor paulistano. Bastou uma temporada na Itália para mostrar seus dotes ofensivos. Forte fisicamente, habilidoso, driblador e de bons cruzamentos, chegou a negociar com Genoa e Lazio antes de acertar com o Napoli. Mas não fez bom negócio. O clube partenopeu já contava com Maggio na posição e o selecionável italiano não abriu espaço para que Zúñiga tivesse oportunidades reais. Assim, acabou jogando pela esquerda em várias partidas, pela falta de opções por aquele lado. Não foi nada bem e ainda espera para jogar em sua posição original. Nem que seja em outro lugar: já se fala de uma possível ida para a Udinese.

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