Serie A

29ª rodada: O fantasma de Ibrahimovic

Cartão vermelho para Ibrahimovic: sueco perde a cabeça, perde o dérbi e deixa Milan a ver navios em sequência de jogos complicados (Getty Image)

Depois do tropeço da Inter contra o Brescia, na sexta, boa parte dos que acompanham o campeonato italiano imaginaram que o Milan iria ter mais tranquilidade nas próximas rodadas. A vitória contra o Bari era dada como certa, mas o clube do sul da Itália atrapalhou o plano dos rossoneri e mantém a competição bastante aberta, sobretudo depois da suspensão de três jogos a Ibrahimovic, que o fará perder o dérbi decisivo contra a Inter.

Ainda no terreno dos dérbis, o de Roma teve as tradicionais rixas entre os jogadores e deve ser o último da Era Sensi na equipe giallorossa. Quem assistiu ao dérbi viu ainda Hernanes decepcionar pela terceira vez em uma partida entre Lazio e Roma na temporada, enquanto Totti voltou a marcar sobre a rival desde 2005 e decidiu a partida, colocando a Roma de volta à caça por uma vaga na Liga dos Campeões. Na briga pela vaga europeia, o Napoli voltou a vencer após dois passos em falso e, mesmo com poucas chances, continua vivo também entre os times que disputam o título. Na parte de baixo da tabela, enquanto o Cesena conseguiu deixar a zona da degola, Parma e Sampdoria continuam se aproximando perigosamente dela. Leia, abaixo o resumo da rodada.

Milan 1-1 Bari
Na coletiva que antecedeu a partida contra o Bari, Allegri disse que um tropeço do Milan depois do empate da Inter seria coisa de loucos. Queimando a língua do treinador, o líder do campeonato protagonizou o maior vexame da rodada ao empatar em casa com o lanterna, perdendo a chance de abrir sete pontos para a rival. Determinados a defender a todos os custos, os jogadores galletti praticamente não concediam espaços para os adversários. No San Siro, a partida do Bari não foi a de um time que é, de longe, o lanterna, com a pior defesa e o pior ataque da competição. Surpreendeu o ótimo posicionamento da primeira linha de quatro homens, enquanto uma defesaça de Gillet, em bomba de Ibrahimovic, aliados à boa partida de Almirón na gerência do meio-campo e o belo gol de Rudolf só mostraram as principais armas do time. Mesmo assim, os poucos talentos devem ser insuficientes para manterem o time na elite.

Ibrahimovic, principal jogador do Diavolo, por sua vez, parece cansado e frustrado por mais um fracasso pessoal na Liga dos Campeões. A atitude infantil do sueco de agredir o zagueiro Rossi, depois de o Milan ter tido dois gols bem anulados e antes do barês Cassano empatar para o Milan, pode ter sérias consequências no futuro rossonero no campeonato. As próximas partidas do clube de Via Turati são, além do decisivo dérbi de Milão, visitas a Palermo e Fiorentina. Jogos duros, em que o time terá de se acostumar a vencer sem o sueco, sempre titular desde que foi contratado. Sem Ibra, caberá a Allegri mudar a forma de jogo do Milan e a Cassano, Robinho e Pato, que nunca jogaram juntos sem o sueco, a tarefa de manter a Inter abaixo na tabela.

Roma 2-0 Lazio
O dérbi de Roma voltou a ser o dérbi de Totti. Se, tecnicamente, a partida não teve grandes momentos, valeu assistir a história sendo escrita. No último confronto capitolino com a família Sensi no comando da Roma, o capitão Totti presenteou Rosella Sensi com uma doppietta que deixou a Roma apenas dois pontos atrás da rival biancoceleste e dá o direito de voltar a sonhar com uma vaga na Liga dos Campeões. Er Pupone não marcava em um dérbi desde 2005 e “escolheu” voltar às redes justamente no que mais valia, nos últimos anos, e que tinha a Lazio como favorita. Nem mesmo o favoritismo laziale impediu que a Roma ditasse o tom da partida e impusesse a quinta derrota consecutiva da rival em um dérbi.

Hernanes ficou devendo novamente: nos três confrontos diretos da capital italiana, não jogou bem e acabou substituído. Não podia faltar, como de costume em dérbis de Roma, confusões que acabam em expulsões. Desta vez, Radu foi expulso por agredir Simplício e pegou gancho de três jogos, enquanto Ledesma parará por duas rodadas, por ter xingado o árbitro Tagliavento. Dizimada, a Lazio pode ver nas próximas semanas, a ultrapassagem (definitiva?) da sua maior rival, que, pelo menos por enquanto, pode se orgulhar de passar invicta pelos dérbis de 2010-11. Ainda é cedo para saber quem rirá por último e até mesmo se alguém rirá: Udinese e Napoli parecem ter mais condições de se classificarem para a Liga dos Campeões e deixariam a dupla de Roma chupando dedo e tendo que se contentar com a Liga Europa.

Cagliari 0-4 Udinese
Quando a Udinese dá show, é óbvio que Sánchez e Di Natale arrebentaram. Neste domingo, porém, a participação dos dois teve um gosto especial. O Niño Maravilla marcou um gol antológico, em que correu cerca de 80 metros, fintou Astori e Agazzi e só empurrou para as redes. Hoje, não há dúvidas de que o chileno é o melhor jogador jovem em atividade no mundo, com 22 anos recém-completados. Há quem arrisque dizer até que Sánchez é o melhor jogador em atividade na Itália e que tem potencial para ser melhor do mundo. Não é absurdo. O experiente Di Natale, por sua vez, marcou duas vezes e arrancou para incríveis 24 gols em 29 rodadas, ultrapassando a marca de 200 tentos como profissional.

O Cagliari, ao contrário do Palermo, não facilitou a vida da Udinese. Os sardos atacaram com bastante frequência, mas sofreram no contra-ataque, com os imparáveis Sánchez e Di Natale. A torcida, compreensiva com a grande fase do time, que chegou até a sonhar brevemente com a Liga Europa, teve comportamento exemplar e aplaudiu os friulanos após o jogo. O presidente Massimo Cellino recompensará os torcedores cagliaritanos que compareceram ao atropelo bianconero com ingressos gratuitos para a partida contra o Brescia. Enquanto o Cagliari começa a ter menos preocupações no campeonato, a Udinese só voa: em três meses de invencilidade, são 12 partidas com nove vitórias obtidas – cinco delas fora de casa. Para completar, o time não sofre gols desde 2 de fevereiro. Uma máquina, que seria líder do campeonato com sobras se fosse considerada apenas a pontuação obtida em 2011.

Parma 1-3 Napoli
Se a Udinese destrói adversários e cola nos calcanhares do Napoli em busca da terceira posição, os azzurri finalmente acordaram após a goleada sofrida diante do Milan e voltaram a vencer. Engana-se, porém, quem acha que o 3 a 1 no Tardini foi um resultado tranquilo. Durante todo o primeiro tempo, o Parma foi muito superior em campo, graças principalmente à ótima partida de Palladino, torcedor do Napoli que fez às vezes de cerébro do time na ausência de Giovinco e foi o autor do gol que abriu o placar logo no início do jogo, com um belo chute. Abatido em campo, sem contar com os gritos do suspenso Mazzarri à beira do gramado, o Napoli era time de um homem só: Lavezzi, que voltava de suspensão de quatro partidas, era o único que importunava a defesa parmiggiana, levemente apoiado por Maggio.

Na segunda etapa, os visitantes acordaram e viraram o jogo em menos de dez minutos. Primeiro, uma jogada individual do Pocho Lavezzi valeu o empate, assinalado por Hamsík, que estava impedido. Pouco depois, o eslovaco retribuiu o presente e realizou uma linda assistência para que Lavezzi virasse a partida. A expulsão de Galloppa, por um imprudente golpe de kung fu à Hernanes sobre o mesmo Hamsík, derrubou o Parma, que com um a menos teve menos volume de jogo. Mesmo assim, as entradas de Giovinco e Crespo, no decorrer do segundo tempo chegaram a dar um fôlego aos crociati, que ameaçaram De Sanctis até que uma lambança da defesa desse a oportunidade para que o Napoli matasse o jogo com Maggio. A volta de Lavezzi é fundamental para as pretensões futuras do Napoli, sobretudo quando Cavani tem desempenho muito aquém de seu nível neste ano. Renascido, o Napoli tem seis pontos a menos que o Milan.

Chievo 0-1 Fiorentina
O solitário gol do peruano Vargas não reflete o que foi a bela partida disputada em Verona. A volta do ex-esterno do Catania ao time titular deu uma nova mobilidade à equipe florentina, que teve domínio amplo do jogo e não pareceu aquele time modorrento de boa parte da temporada. Apresentando maior profundidade, boa variação de jogadas e opções distintas para chegar ao ataque, a Fiorentina poderia ter saído do Bentegodi com um placar mais elástico se Santana (três vezes) e Gilardino não tivessem esbarrado em Sorrentino ou errado a pontaria.

O fato de a viola não ter matado o jogo chegou a colocar o resultado em risco e exigiu de Boruc duas boas defesas. No final do jogo, Sorrentino foi para a área tentar o empate, mas o Chievo acabou sofrendo o contra-ataque. Marchionni não conseguiu marcar. Mesmo com o erro terrível do italiano, a Fiorentina não tem do que reclamar: chegou aos sete jogos de invencibilidade, com três vitórias, e chegou à casa de 40 pontos, dois a menos que a Juventus. Os clivensi vivem situação distinta e não vencem há um mês e meio. Alerta laranja ligado.

Lecce 0-1 Bologna
Os anos de crise vividos ao lado da família Menarini foram deixados para trás. O Bologna alcançou virtualmente seu objetivo traçado no início da temporada, ainda quando Francesca Menarini era a presidente do clube: garantiu a permanência na próxima Serie A – e com nove rodadas de antecedência. O trabalho de Malesani, o bom condicionamento físico dos jogadores, a repetição quase constante do mesmo onze inicial, as defesas de Viviano, os gols e a presença de Di Vaio: tudo isso faz do Bologna uma das sensações do campeonato.

Caso não houvesse sofrido penalização de três pontos, estaria empatada em 42 pontos com a Juventus. Ultrapassar a Velha Senhora é possível e já é meta interna em Bolonha. Mesmo com tantos pontos positivos, os felsinei não mereceram vencer no Via del Mare. O Lecce dominou a partida e teve pelo menos cinco chances muito claras de marcar, com Corvia, Olivera e Jeda, mas contou com falta de sorte e boas defesas de Viviano. O goleiro rossoblù, inclusive, pode desfalcar o time na próxima rodada, porque quebrou o nariz em choque com Vives.

Genoa 1-0 Palermo
Não foi desta vez que o Palermo quebrou o tabu de não vencer o Genoa em pleno Marassi, que dura 32 anos. Nadando de braçadas na crise, os rosanero já acumulam cinco derrotas consecutivas e não marcam um gol sequer há quatro partidas. Duas causas para o problema são facilmente identificáveis: primeiro, o sumiço de Pastore, que tem se arrastado em campo desde meados de janeiro – e, em menor grau, de Ilicic, que iniciou a pré-temporada antes dos demais. O outro fator, mais recente, tem a ver com a falta de ambientação de Cosmi ao time. Depois de tentar um 3-5-2, o técnico passou ao 3-4-1-2, sem sucesso.

O Palermo terá a difícil visita do Milan, na semana que vem, e, para tentar bater o líder, precisará mais do que ameaças do presidente Zamparini: o time precisa evoluir taticamente e encontrar alguma referência, seja em Pastore, Ilicic, Miccoli ou outro que chame a responsabilidade. O Genoa, que não tem nada com isso, fez sua partida baseada na boa dupla formada por Palacio e Floro Flores e perdeu muitas chances de fazer mais gols. Apenas para gerar polêmica, já que o Grifone merecia a vitória, o gol marcado pelo ex-bomber da Udinese, foi irregular: teve toque de mão de Rossi e impedimento de Palacio no mesmo lance.

Catania 1-0 Sampdoria
Com Di Carlo ou Cavasin, a Sampdoria continua disputando um futebol pálido. Palidez não foi bem um atributo que poderia ser dado aos uniformes, emporcalhados pela lama do pântano no Massimino, atacado pela forte chuva, ou ao volume de jogo do Catania, que fez boa partida. Consciente de que o jogo contra a Samp valeria seis pontos, a equipe rossoazzurra foi para cima, “ajudada” também pelas lesões de vários homens de marcação. Apenas Carboni ficou responsável pelo papel, enquanto Lodi, Gómez, Ricchiuti e Bergessio completavam o quarteto de apoiadores a Maxi López. Com esta formação, o Catania pressionou bastante, mas teve bastante azar. Faltando apenas 15 minutos, Llama, substituto do lateral Álvarez, marcou um dos gols mais bonitos da rodada, completando cobrança de escanteio com um sem pulo fantástico, que fez Simeone enlouquecer e levou o Catania aos 32 pontos, um a mais que a própria Samp.

A ingênua expulsão do fraco Tissone, aos 23 minutos do primeiro tempo, é verdade, condicionou a partida. Mas Cavasin escolheu um 3-5-2 altamente contestável, com Zauri improvisado na defesa e o húngaro Laczkó estreando como titular no lugar de Ziegler, um dos poucos que se salvam no time. Macheda não foi nem mesmo para o banco de reservas. A direção blucerchiata paga por seus erros: quando demitiu Di Carlo, já tarde demais, poderia ter escolhido um técnico que chacoalhasse o elenco, abatidíssimo. Walter Zenga, ex-jogador do clube, atenderia este perfil e também poderia oferecer algum futuro na próxima temporada, mas o presidente Riccardo Garrone e o diretor esportivo Sergio Gasparin preferiram Cavasin, para garantirem “só” a permanência. A escolha pode custar muito caro.

Seleção da 29ª rodada
Júlio César (Inter); Burdisso (Roma), Glik (Bari), Benatia (Udinese), Lauro (Cesena); Parolo (Cesena), Almirón (Bari), Pizarro (Roma); Sánchez (Udinese), Totti (Roma), Lavezzi (Napoli). Técnico: Francesco Guidolin (Udinese).

1 comentário

  • Francesco Totti é craque e poderia ser melhor do mundo fácil se tivesse ido para o Milan, Real Madrid, Barcelona e Chelsea(todos ele recusou).
    e não existe nenhum capitão mais reconhecido com a torcida do que Francesco Totti falo em todos os esportes! '-'

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