Serie A

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Vendedora ajeita camisas: Totti é imutável, mas muita coisa deve mudar; principalmente nas vendas (AP Photo)

A Roma comprou seu direito de sonhar. Com a venda do clube para o estadunidense Thomas DiBenedetto, concretizou-se o anseio pela negociação que há anos lateja na cabeça dos torcedores. Os Sensi poderão, enfim, encerrar seu ciclo. Este, como bem narra Braitner Moreira, passou pelo ápice do scudetto até o momento soturno de dívidas estrondosas, criadas junto ao desejo afoito de se montar um grande time. Muito do que se falou sobre o futuro romanista foi descrito na coluna de Leonardo Bertozzi. Nesse espaço, portanto, valem algumas observações quanto aos pontos que devem ser visados na nova administração.

Midiaticamente falando, a Roma é um time morto. Até mês passado, o site oficial do clube era jurassicamente vergonhoso, carregando o mesmo desenho e conteúdo do início do milênio. Ainda que tenha sido reformulado, as alterações necessárias para deixá-lo a par de um mundo digital que tanto mudou – para si e para o resto da comunicação – são insuficientes. A loja oficial segue com a mesma fraqueza – algo absurdo para qualquer marca de extensão global.

O marketing não se salva: nestes anos recentes, foram raríssimas as investidas, inovações ou boas ideias que propagassem a equipe – tal qual a festa de oitenta anos da Roma, que reuniu vários ex-atletas e os juntou numa celebração que recontou a história do time e da cidade. Roma é um dos lugares mais populares do planeta, conhecida por seu charme e conteúdo histórico. O quanto disso é aproveitado em favor dos times da capital? Não que a falta de merchandising seja inoperância meramente romanista, mas fugir da responsabilidade de melhorá-lo não afasta seus problemas de visibilidade.

O tom de DiBenedetto é bem claro: o novo capo pretende reestruturar toda a parte midiática do clube, dando-lhe uma visibilidade muito maior se comparada à atual. Já se falou em novo patrocínio, novo site, pacotes turísticos e até em excursões pela América. Ele sabe que a questão de remontagem romanista vai muito além do campo – e de seu marcante estádio.

Ao falar sobre o estádio Olímpico – que ele é antiquado, muito distante do campo, afastado dos torcedores e que, por isso, não passa a vibração que a torcida produz -, DiBenedetto arranjou sua primeira polêmica. Davide Petrucci e Claudio Lotito, presidentes do Coni – Comitê Olímpico Nacional Italiano – e da Lazio, respectivamente, já retrucaram. Há muito, todavia, fala-se na construção de um novo estádio romanista, algo que converge com as críticas sofridas pelo Olímpico. De fato, a distância entre público e campo reduz o potencial impacto de uma das torcidas mais vibrantes do país.

Começando pelos aspectos extracampo, há também a parte mais importante; aquela que certamente fará os torcedores emanarem esperança. Os reforços, essenciais e inevitáveis, serão um fator crucial na reconstrução da Roma, como seriam na de qualquer equipe. Diante da dificuldade em contratar, os giallorossi, hoje, são o time mais velho da Serie A, e arrastam jogadores saturados como Doni, Perrotta, Juan e Taddei, todos longe de boa fase e acima dos trinta anos.

O fator Totti também pesa: com 34 anos, não é preciso ser presidente para saber que um título com o camisa dez valeria, para a torcida, muito mais do que vencer após sua aposentadoria. É certo que a presença do capitano apressará os movimentos de uma Roma já ansiosa. Com medidas coerentes dentro e fora das quatro linhas, essa é a oportunidade tão aguardada pelos romanistas de se abandonar o segundo escalão europeu. Agora é bola para o americano.

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