Jogadores Técnicos

Cesare Prandelli foi peça de reposição de uma Juventus vencedora nos anos 1980



Escalar a Juventus da primeira metade dos anos 1980 era fácil. A Velha Senhora, comandada por Giovanni Trapattoni, tinha um grupo coeso e cheio de titulares absolutos. Nove ou dez, a depender da temporada em questão: atletas consagrados, como Dino Zoff ou Stefano Tacconi, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli, Michel Platini, Zbigniew Boniek e Paolo Rossi. Entre as peças de rotação do elenco, tínhamos o bom volante Claudio Cesare Prandelli, que ainda nem sonhava em ser o técnico da seleção italiana na Euro 2012 e na Copa do Mundo de 2014.

Natural de Orzinuovi, na província de Bréscia, Prandelli começou a jogar futebol na vizinha Cremona. Em toda sua carreira como jogador, ficou conhecido como Claudio: só depois, quando técnico, passou a ser chamado de Claudio Cesare e, finalmente, Cesare. A confusão vinha do âmbito familiar. Seus progenitores concordaram em batizá-lo com em homenagem ao avô (Cesare), mas o pai – em segredo – registrou o filho com nome composto. O próprio menino só descobriu que tinha um primeiro nome ao ingressar na escola.

Claudio, portanto, foi juvenil da Cremonese e passou a se firmar no time profissional aos 18 anos, na temporada 1975-76, em que a equipe foi vice-campeã do Grupo A da Serie C. Prandelli já era titular absoluto na campanha seguinte, que culminou no título grigiorosso na terceirona, e manteve o posto na disputa da segunda divisão. A Cremo foi rebaixada, mas o volante teve ótimo desempenho e foi adquirido pela Atalanta, que estava na elite italiana.

A equipe de Bérgamo não vivia grande momento e passou todo o campeonato na rabeira. Os nerazzurri tiveram sua primeira vitória apenas na penúltima rodada do primeiro turno da Serie A 1978-79 e, embora tenham melhorado significativamente no returno, acabaram o torneio com apenas 24 pontos, como Vicenza e Bologna. Os bergamascos e os vicentinos, que tinham saldo de 13 gols negativos, terminaram rebaixados porque perdiam nesse critério de desempate para os rossoblù. Prandelli, porém, impressionou novamente. O jogador chegou à seleção italiana sub-21 e chamou a atenção da Juventus, que o adquiriu.

Na Juve, Prandelli teve média superior a um título por temporada: foram sete taças em seis anos (imago/Colorsport)

Prandelli passou seis temporadas em Turim, mas sempre como coadjuvante. A campanha em que teve mais minutos em campo foi justamente a primeira: revezava com Roberto Tavola e Vinicio Verza um posto ao lado de Giuseppe Furino e Tardelli no meio-campo bianconero. O lombardo levava vantagem e disputou 26 partidas num ano em que a Juventus foi vice-campeã italiana e caiu nas semifinais da Coppa Italia e da Recopa Uefa.

Em 1980-81, Prandelli ainda foi utilizado com regularidade por Trapattoni – teve 29 aparições – e deu sua contribuição ao título da Serie A. Depois, porém, a contratação e a afirmação de Massimo Bonini lhe relegaram definitivamente a um lugar no banco de reservas. Cesare manteve um número razoável de partidas nas temporadas seguintes (com exceção de 1981-82, quando só atuou 11 vezes), mas viu sua minutagem diminuir consideravelmente. O treinador passou a utilizá-lo sobretudo na Coppa Italia e como alternativa de segundo tempo, no intuito de descansar algum titular.

Mesmo fora do grupo de protagonistas da Velha Senhora, o volante lombardo continuou levantando taças: mais dois scudetti, uma Coppa Italia, uma Recopa Uefa, uma Supercopa Europeia e, por fim, a tão sonhada Copa dos Campeões. Prandelli não chegou a ter grande destaque em nenhuma dessas conquistas, mas atuou bem nas semifinais da Recopa, contra o Manchester United, e entrou em campo nos últimos minutos da triste decisão continental de Heysel, contra o Liverpool. Apesar da escassa utilização, Cesare se despediu da Juventus com dois jogos como titular, nas quartas de final da copa local, contra o Milan.

Em 1985, com 28 anos, Prandelli retornava a Bérgamo para ser um pilar da Atalanta. Na primeira temporada, o volante fez um ótimo quarteto de meio-campistas com Glenn Strömberg, Marino Magrin e Roberto Donadoni. O time treinado por Nedo Sonetti fez uma boa campanha e terminou na oitava posição da Serie A. Na seguinte, depois de Donadoni ter sido vendido ao Milan, a Dea surpreendeu na Coppa Italia (foi vice-campeã), mas caiu de rendimento no Italiano e acabou rebaixada. Foi a última vez em que Cesare teve destaque na carreira.

A última conquista do volante foi a Copa dos Campeões, em 1985 (imago)

No início de 1987-88, o volante de Orzinuovi sofreu uma lesão no joelho que o tirou dos gramados pelo restante da temporada e limitou suas aparições nas seguintes. A Atalanta voltou à elite de imediato e surpreendeu com campanhas semifinalistas na Recopa Uefa daquele ano e na Coppa Italia do posterior, mas Prandelli pouco pode contribuir.

Mesmo assim, a diretoria lhe ofereceu a renovação de contrato, em 1990. Ciente de que não tinha muito a oferecer em campo, por suas condições físicas, Cesare recusou: disse que não queria roubar dinheiro do clube. Os nerazzurri, então, lhe ofereceram a chance de virar treinador das categorias de base. Aos 33 anos, Prandelli dava início à sua nova trajetória no time sub-16 bergamasco.

Na condição de técnico, Cesare começou com títulos na base da Atalanta (os campeonatos nacionais sub-16 e sub-19, além de uma Copa Viareggio), mas só adicionou outro caneco a seu currículo quando faturou a Serie B de 1998-99, pelo Verona. Depois disso, nada de troféus – e ainda teve de superar a morte da esposa, Manuela. Ele deu a volta por cima e, ao longo de sua careira, se notabilizou por belos trabalhos em clubes médios, como Parma e Fiorentina, que lhe renderam diferentes prêmios, entre 2006 e 2011. Nesse período, chegou a ser eleito três vezes como melhor treinador do país.

Após classificar Parma e Fiorentina a torneios continentais, o lombardo levou seu futebol propositivo à seleção da Itália. Em seu último bom trabalho, Prandelli conquistou o vice-campeonato europeu em 2012 e o terceiro lugar na Copa das Confederações do ano seguinte, mas sucumbiu à eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2014. Hoje, almeja uma nova volta por cima.

Claudio Cesare Prandelli
Nascimento: 19 de agosto de 1957, em Orzinuovi, Itália
Posição: volante
Clubes: Cremonese (1974-78), Atalanta (1978-79 e 1985-90) e Juventus (1979-85)
Títulos: Serie C (1977), Serie A (1981, 1982 e 1984), Coppa Italia (1983), Recopa Uefa (1984), Supercopa Uefa (1984) e Copa dos Campeões (1985)



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