Serie A

Finais parecidos

Da última vez, o título veio contra a Roma. A história vai se repetir neste sábado? (Libero.it)

A sala de troféus do Milan já poderia estar mais cheia, caso Pazzini não resolvesse, de última hora, estragar a festa do rival e virar o jogo da Inter contra o Cesena, no último sábado. Os dois gols do atacante já nos acréscimos da partida retardaram a conquista milanista, mas não devem fazer mais do que isso. Amanhã, contra a Roma, os rossoneri têm mais uma chance de garantir o scudetto, que não estampam na camisa há sete anos. Em caso de empate ou vitória contra os giallorossi, repetirão o ocorrido em 2004, ano do último título, quando levantaram a taça com duas rodadas de antecedência, também após duelo com a Roma.

Naquela temporada o time era consistente em todos os setores do campo e contava com grandes jogadores no auge de sua forma, como nos casos de Nesta, Pirlo, Kaká, Seedorf e Shevchenko. Agora, a equipe não é tão brilhante, mas também tem o mérito de conseguir equilibrar ataque e defesa, ponto essencial para o sucesso desta temporada.

Antes de qualquer análise, porém, é necessário lembrar que se tratam de dois momentos bastante distintos do futebol italiano, que podem ser divididos em antes e depois do Calciopoli. Antes do escândalo, o futebol da bota ainda era um dos mais fortes da Europa: disputava títulos continentais e tinha alguns dos jogadores mais caros do mundo. Depois da descoberta do esquema, os times italianos perderam a força no cenário internacional e passaram por um redimensionamento que até hoje não conseguiram superar. Prova disso é a perda da quarta vaga para a Liga dos Campeões 2012-13 para a Alemanha.

De qualquer maneira, a equipe que deve se sagrar campeã nas próximas rodadas tem suas qualidades. Primeiramente, é de se destacar a forte personalidade do técnico Massimiliano Allegri. Recém-chegado do Cagliari, ninguém esperava que o comandante se adaptasse tão rápido à forma de trabalhar em um clube grande. A decisão de excluir Ronaldinho do time, mesmo ele sendo um dos favoritos do presidente Berlusconi, mostrou que Allegri não estava ali para brincadeira e procurava o melhor para o equilíbrio de sua equipe.

Equilíbrio que, afinal, ele conseguiu. Se na primeira parte da temporada o time era muito dependente das boas atuações de Ibrahimovic, na segunda foi o jogo em equipe que prevaleceu. A defesa pode não ser tão forte como aquela de 2003-04, que tinha Cafu, Costacurta (Pancaro), Nesta e Maldini, mas consegue dar conta do recado, com Thiago Silva em grande momento e Nesta sempre seguro. Abate também inspira confiança pelo lado direito, algo que não acontece pelo lado esquerdo desde que Maldini se aposentou. Com a temporada regular de Abbiati sob as metas, o Milan é dono da melhor defesa do campeonato, tendo apenas 23 gols sofridos. A equipe campeã em 2003-04 sofreu 24.

Lá na frente, o desempenho dos dois times também é parecido. No ano do último título, foram 65 gols marcados, sendo que 24 deles foram do artilheiro Shevchenko e mais 12 de Tomasson. Na atual campanha, é um pouco mais distribuído: Ibrahimovic e Pato têm 14 cada, Robinho tem 12 e Cassano, oito. No total, são 61 gols até aqui. A principal diferença entre os dois times está no meio de campo. Dispondo de Gattuso, Pirlo, Seedorf e Rui Costa em grande forma, aquele time tinha um dinamismo surpreendente na faixa central. Gattuso desarmava, Seedorf puxava os contra-ataques e Pirlo colocava a bola no pé dos atacantes.

Na atual temporada, o meio demorou a se encontrar. Com Pirlo machucado na maior parte do tempo, foi Ibrahimovic quem se encarregou do papel de ligação entre meio e ataque durante boa parte do ano. O sueco tem o maior número de assistências no time, com 11 passes para gol. As chegadas de Van Bommel e Cassano, em janeiro, resolveram um pouco o problema de ligação dos rossoneri. Com o holandês na equipe, Seedorf pôde deixar um pouco de lado suas funções de marcação e ficou mais livre para criar. O holandês renasceu e foi essencial para o time na reta final do campeonato. A presença de Boateng também é de se notar. Sem ele, o time perde muito da força na faixa central.

Amanhã, no Olímpico de Roma, o Milan pode decidir o campeonato e acabar com uma supremacia interista que já dura cinco anos. O adversário é o mesmo daquele festivo dia 2 de maio de 2004, quando 23 jogadores escreveram seus nomes na história do clube e conquistaram o 17º título italiano da história do Milan. São sete os jogadores que levantaram a taça em 2004 e que estão no time atual: Abbiati, Nesta, Ambrosini, Gattuso, Pirlo, Seedorf e Inzaghi.

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