Serie A

O técnico Antonio Conte

Conte fez bons trabalhos na Serie B, com Bari e Siena. Será o suficiente para se sair bem na divisão de elite do futebol italiano? (Getty Images)
Em entrevista ao site Goal.com, em 2006, Antonio Conte deixou a modéstia de lado e afirmou: “A pergunta não é se eu vou treinar a Juventus, e sim quando isso acontecerá. Não tenho a menor dúvida de que isso ocorrerá. É só uma questão de tempo“. Dito e feito. Ídolo da última era de ouro da Juve, quando venceu tudo o que podia vestindo a faixa de capitão bianconero, Conte assinou com o clube e será apresentado nesta terça-feira, 31 de maio. O desafio não é simples: recolocar a Velha Senhora entre os grandes da Itália e da Europa, após a pior temporada do time nos últimos 20 anos.
Mas quem é o treinador Antonio Conte? O jogador nós já conhecemos: atuou pela Juventus entre 1992 e 2004, venceu cinco scudetti, uma Liga dos Campeões, uma Copa da Uefa, um Mundial, uma Coppa Italia, entre outros, e se tornou um dos maiores ídolos da história recente do clube. O técnico, porém, está em início de carreira e ainda desperta desconfiança. Ele começou sua carreira à frente do banco de reservas em julho de 2006, quando assumiu o Arezzo, na Serie B. Seus primeiros resultados foram muito ruins e já em outubro foi demitido. Em março de 2007, ainda na mesma temporada, ele voltou ao comando do clube e conseguiu emplacar uma série de cinco vitórias consecutivas e dois empates, que quase salvou o time do rebaixamento.
A boa arrancada despertou o interesse do Bari, que em dezembro de 2007 contratou o técnico para tirar o time da zona de rebaixamento da Serie B. No comando biancorosso, o sucesso foi meteórico: com facilidade, livrou o time da degola e, já no ano seguinte, sagrou-se campeão da segunda divisão. O acesso fez com que Conte recebesse propostas de times da Serie A e assinasse com a Atalanta, em setembro de 2009. Seu início no time ficou abaixo das expectativas e, por conta de problemas com a torcida organizada, deixou o comando da equipe em janeiro de 2010. Após três meses parado, então, foi contratado pelo Siena (já rebaixado naquela Serie A), para começar um trabalho que colocaria os bianconeri de volta na elite do futebol italiano.
Em três anos, Conte conseguiu um campeonato e um vice-campeonato da Serie B e são com essas credenciais que ele chega à Juventus. Para a maior parte da imprensa especializada, é a hora certa para o técnico dirigir um time de tradição da Serie A e mostrar se ele é realmente a revelação que muitos imaginam. Na segunda divisão, o segredo por trás de seus triunfos estava na tática hiperofensiva que gosta de usar.
O 4-4-2 de Conte é, na verdade, um 4-2-4. E ele não esconde isso: “Sou o único que joga com um 4-2-4. Eu quero quatro atacantes em linha. Comigo, os alas devem atuar muito à frente“, declarava ainda nos tempos de Arezzo. Uma tática muito ofensiva que, contudo, não deixa o setor defensivo desprotegido. Para que o esquema funcione, Conte escala a defesa em linha, com laterais plantados, e o miolo do meio-de-campo com dois homens centralizados (um fazendo o papel de cão de guarda e o outro como regista, distribuindo mais o jogo).
Foi assim no Bari, no Siena e até na Atalanta. Na campanha do título do Bari, em 2009, Lanzafame e Guberti eram os alas que subiam até a linha de fundo, enquanto Gazzi e De Vezze ficavam centralizados no meio-campo. No Siena que acabou de ser vice-campeão da Serie B, Vergassola e Bolzoni ocupavam o miolo do meio-de-campo e liberavam as alas para Reginaldo e Brienza ou Troianello atacarem. Até mesmo em sua curta passagem pela Atalanta, que durou apenas 13 jogos, Conte usou o esquema: Valdés ocupava o flanco esquerdo e Ceravolo (ou Madonna) subia pelo lado direito.
Uma provável escalação da Juve de Conte
A efetividade do sistema está na pressão constante sobre o adversário e na ocupação dos espaços do campo. Para isso, o bom condicionamento físico do time é essencial. Na Juventus, Conte já teria peças para montar o time nesse esquema mesmo sem muitas contratações (ver acima). No miolo da zaga, Chiellini e Bonucci (ou Barzagli) podem trazer bastante segurança, com Ziegler (ou De Ceglie) na lateral esquerda e Sorensen na direita. Uma opção seria escalar Bonucci e Barzagli no centro e colocar Chiellini na esquerda, para assegurar um lateral postado.
No meio-campo, Felipe Melo poderá ser um bom cão de guarda, caso repita as boas atuações da temporada que passou – ou então Inler, da Udinese, ou Fernando, do Porto, nomes especulados pela imprensa. Marchisio é a opção para deixar a faixa central mais solta. Pirlo deve ser o armador, mas a torcida espera que o ex-milanista reencontre seu bom futebol, perdido há algum tempo. Para as alas, Krasic é o nome perfeito para a direita. Na esquerda, porém, as fracas atuações de Pepe colocam um ponto de interrogação na posição. Fala-se na chegada de Sánchez, da Udinese, o que resolveria o problema. No ataque, há opções, apesar da incessante procura por nomes de maior peso por parte da diretoria. Del Piero, Matri, Quagliarella e Toni se encaixam bem na posição.
Não há garantia de que a escolha de Conte para o comando do time é a certa, mas que é uma boa aposta poucos negam. O ex-jogador sabe o tamanho da Juventus e carrega consigo uma mentalidade que falta ao clube há alguns anos. Ele já avisou: “Não suporto jogadores que sorriem após uma derrota“, lembrando de cenas comuns ao longo das últimas temporadas. Com a equipe fora das competições europeias, o treinador terá tempo para se dedicar exclusivamente ao campeonato italiano e o primeiro passo é exatamente este: recolocar a Velha Senhora entre os grandes do futebol da bota. É esperar para ver.

1 comentário

  • E aí, rapaziada!
    Parabéns pelo trabalho, o qual acompanho com frequência e com muito gosto. Depois dos posts relativos ao Conte, gostaria de ver dois antigos nomes da Juventus: Marocchi e De Agostini. Espero serem possíveis tais textos.
    Uma vez mais, parabéns pelo trabalho, Júnior

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