Serie A

Review da temporada: Milan

Sete anos depois, o Milan volta a conquistar um scudetto. Ibrahimovic foi bem, mas título passou pelo equilíbrio tático e forte defesa (Getty Images)

A campanha: Campeão, 82 pontos. 24 vitórias, 10 empates, 4 derrotas.

Ao final de 2010: 1ª colocação
Fora da Serie A: Eliminado nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Tottenham e eliminado nas semifinais da Coppa Italia pelo Palermo.
O ataque: 65 gols, o segundo melhor.
A defesa: 24 gols, a melhor.
Time-base: Abbiati; Abate, Thiago Silva, Nesta, Antonini (Zambrotta); Gattuso, van Bommel (Ambrosini), Seedorf (Flamini); Boateng (Seedorf, Robinho); Robinho (Alexandre Pato), Ibrahimovic.
Os artilheiros: Zlatan Ibrahimovic, Alexandre Pato e Robinho (todos com 14 gols).
Os onipresentes: Christian Abbiati (35 jogos), Robinho (34) e Thiago Silva (33).
O técnico: Massimiliano Allegri
O decisivo: Thiago Silva
A decepção: Andrea Pirlo
A revelação: Rodney Strasser
O sumido: Marek Jankulovski
Melhor contratação: Zlatan Ibrahimovic
Pior contratação: Sokratis Papasthatopoulos
Nota da temporada: 8,5

Nos últimos nove anos, ter Ibrahimovic no elenco significa ganhar o campeonato nacional. Dito e feito: com participação fundamental do sueco no primeiro turno, o Milan chegou a seu 18º scudetto. Porém, Ibra passou longe de ser o maior destaque do time. Ainda que seus 14 gols (pior marca desde os 8 pela Juventus, em 2005-06) e 11 assistências tenham valido muito, o sueco teve um segundo turno muito ruim, em que o cansaço e o destempero falaram mais alto – por cartões vermelhos, Ibrahimovic acabou desfalcando o Milan em cinco jogos cruciais. As lesões também atingiram Pato, que ficou muito tempo de fora, mas manteve a alta média de gls. No fim das contas, o triunfo do Milan foi absolutamente coletivo, de acordo com a gestão de Allegri neste ano. O treinador toscano privilegiou um jogo de equipe, em que até mesmo Robinho se encaixou bem, mostrando evolução. Em seu melhor ano na Europa, o brasileiro aproveitou aquela que poderia ser sua última chance em um clube de ponta.

Allegri chegou ao clube pressionado por Berlusconi e pela imprensa a escalar Ibrahimovic, Pato, Robinho e Ronaldinho juntos, mas não deu o braço a torcer. Corrigiu os problemas de uma equipe que chegou a ir a campo super ofensiva, barrou Ronaldinho e fez uma boa aposta, escalando Boateng como trequartista. Ao mesmo passo, Robinho sacrificava-se taticamente pelo time e Seedorf exibia sua classe e liderança no meio-campo. A rigor, o trio foi uma das chaves do sucesso rossonero, já que em algum momento um deles teve de jogar na ligação entre meio-campo e ataque – e o fizeram com competência, enquanto Pirlo esteve no estaleiro e, quando esteve bem fisicamente, não se encaixou bem ao esquema. O meio-campo milanista contou ainda com o apoio defensivo fundamental de Gattuso e, a partir do segundo turno, de van Bommel, outra aposta certeira de Allegri. Em alguns momentos até Thiago Silva, improvisado como volante, exerceu a função com a corriqueira elegância.

O brasileiro, a propósito, fez campeonato primoroso e não é nenhum exagero afirmar que foi o grande responsável pelo título. Ele foi líder da fortíssima defesa milanista, que sofreu apenas 24 gols ao longo de todo o campeonato e, hoje, está no rol dos grandes zagueiros do mundo. Destacaram-se ainda Nesta e, por incrível que pareça, Abate e Abbiati, gratas surpresas do time, retribuindo todo o apoio dado por Allegri quando toda a Itália lhes olhava de soslaio. O goleiro, aliás, é uma espécie de revelação tardia – vive melhor fase da carreira aos 33 anos – e teve papel decisivo ao fazer defesa espetacular em cabeçada de Thiago Motta no dérbi que praticamente definiu o campeonato a favor do lado vermelho e preto de Milão. Após o título nacional, o Milan quer voltar a fazer bonito na Liga dos Campeões, onde decepcionou. Para isso, esperando também pelo natural reforço das rivais em nível nacional, já assegurou as permanências de Amelia e Boateng, além das contratações de Mexès e Taiwo, para fortalecer mais ainda o sistema defensivo.

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