Serie A

3ª rodada: Cavanismo

Vem, gente: Cavani, já elevado a santo em Nápoles, comandou os azzurri na grande virada sobre o Milan e faz a cidade sonhar (Getty Images)

No fim de semana chuvoso, principalmente no norte da Itália, o Milan tomou um banho de água fria na visita ao San Paolo. Pela primeira vez em 30 anos, as equipes de Milão e Roma não vencem as duas primeiras partidas na Serie A. Atualmente, a atual campeã (assim como Inter, Lazio e Roma) estão cinco pontos atrás de Juventus e Napoli, concorrentes ao título, e também de Cagliari e Udinese, que também mantém os 100% de aproveitamento. Falar em inversão de tendência no futebol italiano é prematuro, mas milaneses e romanos precisarão de respostas rápidas para convencerem suas torcidas de que a Serie A 2011-12 não será decepcionante. Elas poderão ser dadas a partir desta terça-feira, quando a 4ª rodada do campeonato terá início.

Napoli 3-1 Milan
Três vezes Cavani. Muito se falou sobre o verdadeiro estado de graça que tomou conta do atacante uruguaio na última temporada e surgiram dúvidas sobre a repetição de uma temporada tão gloriosa. Contra o Milan, sua primeira tripletta da temporada – a quinta em sua carreira italiana – suprimiu os questionamentos. Adorado em Nápoles, Cavani é comparado a Maradona, já foi elevado a Messias e deve ser, mais uma vez, o ponto alto da equipe, que está ainda mais forte após a chegada de reforços como Inler e também Dzemaili, uma ótima opção para o segundo tempo. Mesmo tendo iniciado a partida sem uma postura correta e, até por isso, ter saído atrás no marcador, quando Aquilani fez de cabeça, o Napoli mostrou uma vontade “mazzarriana” e logo empatou o jogo. Daí para dominar a partida foi um passo, sobretudo por apostar na velocidade contra um meio-campo milanista bastante envelhecido. Na imprensa italiana já se questiona: o Milan voltou a sentir a Ibra-dependência?

Siena 0-1 Juventus
“Ano passado não teríamos vencido”. Foi com estas enfáticas palavras que Antonio Conte definiu a importância do resultado juventino na Toscana. O treinador está correto: sua Juventus tem dado mostras de que está muito mais organizada que as de Ranieri, Ferrara, Zaccheroni e Del Neri e já parece habituada com o projeto de recuperação da autoestima e do “estilo Juve”. O Siena não foi um adversário fácil. Com Mannini e D’Agostino, ofereceu dificuldades para a Juventus e equilibrou as ações na maior parte do jogo. Para a Juventus, foi preciso que uma jogada em velocidade pelo lado direito, bastante característica de seu 4-4-2, e a presença de um atacante “de raça” como Matri, selasse a vitória e colocasse a equipe na ponta da tabela. A se destacar, também, as ótimas partidas de Barzagli e Pepe, dois patinhos feios em meio a um mundo de jogadores contratados pela Juve nesta temporada.

Udinese 2-0 Fiorentina
Três vitórias em uma semana. Esse é o saldo da Udinese, que chegou até a ser contestada pela torcida quando perdia em casa, para o Rennes, na Liga Europa – antes de virar o jogo. Contra uma Fiorentina com poucas ideias, a equipe de Údine construiu o resultado logo no primeiro tempo, em duas jogadas fortuitas: primeiro com cobrança de pênalti de Di Natale, após um toque de mão de Gamberini, e depois quando Isla aproveitou tabela involuntária com Montolivo para chutar forte. Além da derrota, a Fiorentina também lamenta a contusão de Gilardino, que se chocou com Handanovic e ficará 6 semanas parado. Azar paara Mihajlovic, que teve pouco tempo para observar como a equipe se comportaria com Gilardino e Silva no comando do ataque de um 4-3-1-2, ao invés do 4-3-3 proposto ontem e na estreia, contra o Bologna. O atacante da seleção italiana deve voltar apenas depois da 11ª rodada e Silva terá boa chance para deixar para trás a primeira passagem, fracassada, pelo futebol italiano.

Lazio 1-2 Genoa
A Lazio, apesar de ter começado a temporada empolgando seu torcedor, pelo mercado que fez e pelo bom futebol apresentado, já apresenta sintomas de crise. A torcida, que nunca apoiou muito o técnico Edy Reja, vaiou muito a equipe após a derrota de virada para o Genoa e o treinador apresentou seu pedido de demissão – prontamente negado pelo presidente Claudio Lotito. Convém um pouco mais de paciência ao torcedor, já que a partida foi parelha e a Lazio teve chances, desperdiçadas por Cissé e Klose, mesmo em dia pouco brilhante de Hernanes. Do lado genoano, boa a mudança tática de Malesani logo após o intervalo, quando trocou Constant (mal em campo e protagonista de grande chance desperdiçada) pelo chileno Jorquera, mais um achado de mercado da equipe lígure. No 4-3-1-2, comandado pelo trequartista, o Genoa atacou com facilidade e aproveitou a má partida do lateral-esquerdo, ainda em adaptação, para construir as jogadas dos dois gols, marcados por Palacio e Kucka.

Bologna 0-2 Lecce
O confronto entre duas das equipes que mais demonstraram mau futebol na primeira rodada foi positivo para o Lecce, na medida em que conseguiu uma vitória improvável contra um concorrente direto na briga anti-rebaixamento. No campo molhado do Renato Dall’Ara, destacaram-se o lateral colombiano Cuadrado, que normalmente defende mal, mas que roubou muitas bolas e ainda participou bastante do ataque, tendo sido o responsável por iniciar as jogadas dos dois gols dos visitantes. No meio-campo, Obodo, Giacomazzi e Grossmüller não ofereceram a mínima chance de criação para o Bologna, também perdido mais atrás, com uma defesa lenta. Pierpaolo Bisoli, em sua segunda passagem por um clube da Serie A, já se vê em dificuldade: após as duas derrotas, terá de fazer sue Bologna arrancar pontos em uma sequência complicada, com adversários como Juventus, Inter e Udinese.

Atalanta 1-0 Palermo
Nas duas primeiras rodadas do campeonato italiano, poucos times jogaram com tanta vontade quanto a Atalanta. Movidos pela vontade de começar bem o campeonato e deixar para trás a punição de 6 pontos, por envolvimento no escândalo de manipulação de resultados, os jogadores nerazzurri multiplicam-se por dois. Contra o Palermo, em um jogo sem grandes emoções e atrapalhado pela chuva – o árbitro Andrea De Marco teve de interromper a partida por mais de 30 minutos no segundo tempo, por conta do dilúvio -, fez a diferença a presença de Denis, centroavante que faltava à equipe. O argentino aproveitou ótimo passe de Bonaventura e fez o que dele se espera, ainda que tenha contado como pequena falha de Tzorvas. No Palermo, não deu certo o 4-4-2 de Mangia, já que Ilicic e Zahavi – que substituiu um apagado Álvarez – têm como característica jogarem centralizados.

Parma 2-1 Chievo
Cada vez mais, este Parma é dependente de Giovinco. Os três gols dos crociati no campeonato foram marcados pelo Formiga Atômica e sua expulsão, por dois amarelos em menos de dez minutos, ambos por conduta antidesportiva, deve pesar na visita dos emilianos à Florença, nesta quarta. O restante do elenco tentará demonstrar que “Giovinco-depedência” é um termo forte demais, mas mesmo contra uma equipe mais limitada, como o Chievo, o Parma sofreu para conseguir o resultado. Os três pontos só foram consumados nos minutos finais, quando um empate parecia acontentar ambas as equipes e os visitantes eram até melhores no jogo, após a entrada de Paloschi e com inserimentos de Hetemaj.

Catania 1-0 Cesena
Jogando pela segunda vez consecutiva em casa, o Catania mais uma vez não realizou uma partida agradável para quem assistia, mas, ao contrário do empate contra o Siena, desta vez conseguiu um bom resultado. Em uma partida sem grandes emoções, a vitória dos rossoazzurri foi conquistada graças a gol de Maxi López em cobrança de pênalti discutível, sofrido por um personagem inusitado: o meia Delvecchio, que não iria ser aproveitado pela equipe da Sicília na temporada. Ele acabou ficando e entrou em campo substituindo o lesionado Sciacca, mesmo sob vaias da torcida. Além de conseguir o pênalti, não fez mais nada. Assim como o ataque do Cesena, praticamente inefetivo neste campeonato, mesmo com bons nomes no elenco. Marco Giampaolo, técnico dos bianconeri e ex-treinador do Catania, ainda reclamou de pênalti não marcado sobre Parolo no fim do jogo.

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Seleção da 3ª rodada
De Sanctis (Napoli); Isla (Udinese), Barzagli (Juventus), Kjaer (Roma), Agostini (Cagliari); De Rossi (Roma), Inler (Napoli); Cuadrado (Lecce), Cossu (Cagliari), Jorquera (Genoa); Cavani (Napoli). Técnico: Walter Mazzarri (Napoli).

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