Serie A

4ª rodada: Tom equilibrado

“O que posso fazer?” Palacio, tão pedido por Gasperini na Inter, aproveitou bobeiras da defesa do Catania e foi o grande nome da vitória do Genoa (EFE)

Não tem mais time com 100% de aproveitamento no campeonato italiano. Após apenas três rodadas disputadas, o equilíbrio já é o grande destaque da temporada, e é provável que ele continue presente em grande parte da Serie A. Entre os grandes, quem vem bem é a Juventus, que lidera ao lado de Udinese e Genoa. Enquanto isso, as equipes de Milão ainda não conseguiram vencer jogo algum. Veja como foram os jogos de quarta e quinta.

Genoa 3-0 Catania
No dia em que Gian Piero Gasperini foi demitido da Inter, o jogador mais pedido por ele no mercado foi o destaque da rodada. O argentino Palacio, que já vinha de um gol e uma assistência nas duas primeiras rodadas, destruiu um frágil Catania, que sucumbiu a duas incríveis falhas da defesa ainda na primeira etapa. Além da boa forma de Palacio, o segredo do Genoa está no meio-campo, no qual Jorquera se encaixou como uma luva, mas que também tem a recuperação de forma de Miguel Veloso, outro fator fundamental para a vitória no Marassi.

Milan 1-1 Udinese
Mesmo jogando no San Siro, a Udinese parecia em pleno Friuli. Uma amostra de que o time de Francesco Guidolin consegue manter o padrão de jogo mesmo sem Inler, Zapata e Sánchez, enquanto o Milan tem um pouco mais de dificuldades, sem Ibrahimovic e Boateng. Na Udinese, Badu fez ótima partida na volância, e novamente Di Natale foi o maior causador de perigo para Abbiati, que falhou feio no terceiro gol do artilheiro na competição, mas que se redimiu com duas ótimas defesas no segundo tempo. Em dia ruim de Aquilani e Seedorf, quem chamou a responsabilidade no Milan foi Cassano, que fez boa partida e foi o autor do passe para El Shaarawy, substituto de Pato – o brasileiro se lesionou e para por um mês. Sem Ibrahimovic e Pato para as próximas rodadas, os rossoneri tentarão a recuperação no campeonato com um ataque mais leve. Quem pode ganhar oportunidade é o veterano Inzaghi.

Juventus 1-1 Bologna
A Juventus lidera o campeonato, mas ficou com a sensação de que poderia ter aberto mais vantagem sobre os adversários. O destaque juventino foi, mais uma vez, o maestro Pirlo, renascido em Turim: todas as bolas passam por ele. Saiu assim o gol (irregular) de Vucinic, que prejudicou seus companheiros com uma tola expulsão ainda na primeira etapa. O Bologna voltou a fazer uma partida digna e o ponto fora de casa, com a boa contribuição do goleiro Gillet, ajuda Bisoli a manter seu emprego, frente a uma sequência complicada. O técnico teve méritos pelo resultado, ao colocar Ramírez no time titular, coexisitindo com Diamanti, no 4-4-1-1. A nota negativa do jogo foi o tapa que um torcedor juventino deu na cabeça de Di Vaio, quando os jogadores do Bologna comemoravam o empate. Como fazer arquibancadas próximas aos gramados se existem atitudes assim?

Chievo 1-0 Napoli
O Chievo está se especializando em ser a asa negra de Walter Mazzarri e do Napoli. Nos últimos três jogos, os clivensi venceram todos. Ontem, o técnico napolitano utilizou seu bom banco de reservas e poupou sete titulares, incluindo o tridente ofensivo, indo de encontro à tendência da última temporada, quando pouco renovava o fôlego da equipe. Não deu certo. Inefetivo no ataque, mas por outro lado pouco testado na defesa, o Napoli se contentaria com o fraco empate, até que Fideleff, em sua estreia, falhou feio e permitiu que Moscardelli fizesse o gol da primeira vitória do clube de Verona no campeonato. Jogando em casa, contra a Fiorentina, os titulares do Napoli devem voltar a campo.

Fiorentina 3-0 Parma
Sem Gilardino, que se lesionou e só volta em seis semanas, o homem-gol é justamente um jogador que passou muito tempo lesionado. Jovetic, convertido em líder do time após passar um ano parado, voltou a marcar (e fez dois) pela primeira vez desde 28 de março de 2010. Quem também vem em momento muito positivo é Cerci, que foi bancado por Mihajlovic, mesmo mantendo algumas divergências com o treinador, e com o gol de ontem somou o nono nas últimas nove partidas. Mas nem tudo é festa na Fiorentina: Montolivo continua sendo perseguido pela torcida e pode deixar o time ainda em janeiro, enquanto De Silvestri fez partida muito tímida – os ataques apareciam apenas pelo lado esquerdo, com Vargas – e Cassani deve voltar ao time. O Parma, sem Giovinco, é quase nulo. Mas olho também na defesa, que já sofreu oito gols e é a pior do campeonato.

Cesena 1-2 Lazio
Em um momento turbulento, a Lazio voltou a vencer, embora isso não aplaque a raiva da torcida contra Edy Reja. O treinador aproximou Cissé e Klose, ao alterar o esquema tático, passando de um 4-2-3-1 para um 4-3-1-2, e conseguiu a virada, no segundo tempo, amplamente dominado pela equipe romana. O Cesena, por sua vez, ainda não somou um único ponto e Giampaolo já começa a ser contestado. Assim que abriu o placar, no início do jogo, com Mutu, os cavalos-marinhos recuaram demais e permitiram que os visitantes fossem para cima. Falta mais ousadia ao Cesena.

Lecce 1-2 Atalanta
Se não tivesse começado o campeonato com pontos negativos, a Atalanta estaria liderando o campeonato, juntamente com Genoa, Juve e Udinese. Os sete pontos somados pelos bergamascos – que já deixam a equipe com pontuação positiva – são uma bela amostra de que a sensação da temporada deve vir de Bérgamo. Bem arrumado taticamente por Colantuono e com um centroavante como Denis, que começou voando, o time tem potencial para fazer uma temporada tranquila. Principalmente se continuar conseguindo vitórias fora de casa contra concorrentes diretos na briga contra o rebaixamento.

Palermo 3-2 Cagliari
Um Palermo devastante no primeiro tempo foi suficiente para bater um Cagliari muito disperso. A vitória dos rosanero começou com menos de um minuto de jogo, quando Zahavi fez um golaço de fora da área. Miccoli foi o nome do jogo, com uma assistência para Bertolo e um gol de falta – este último com colaboração do inseguro Agazzi. O Palermo chegou a assustar sua torcida, ao cair muito de produção no segundo tempo e permitir uma reação cagliaritana nos minutos finais, com nova falha do goleiro Tzorvas, já contestado. Agora, Palermo e Cagliari tem a mesma pontuação na tabela: seis pontos.

Roma 1-1 Siena
Sob os olhares atentos do presidente DiBenedetto, a Roma não conseguiu mostrar o futebol que o técnico Luis Enrique planeja e, mais uma vez, “romou” jogando em casa. Como bem pontuou @footballitalia, no Twitter, “ver a Roma é como assistir ao Barcelona em câmera lenta e sem os gols”. A equipe até consegue tocar bastante (não à toa teve quase 70% da posse de bola), mas na hora de finalizar ainda é muito burocrática. Nem a notável melhora de Totti dentro de campo ajudou os giallorossi a serem mais verticais. O Siena entrou com estratégia bem definida e, mesmo com o rodízio realizado por Sannino, conseguiu cumprir bem sua função tática. Os bianconeri se defendiam com oito jogadores e apostavam nos contra-ataques, sempre com a velocidade de Brienza. De tanto insistirem, alcançaram o gol no final, depois que Vitiello aproveitou rebote de bola que Rossi chutou na trave. Resultado merecido para o Siena, que foi muito mais perigoso no segundo tempo e viu a Roma sair vaiada do Olímpico, mesmo com as mudanças vistas em campo. (Rodrigo Antonelli)

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Seleção da 4ª rodada
Gillet (Bologna); Vitiello (Siena), Kaladze (Genoa), Lisuzzo (Novara), Vargas (Fiorentina); Miguel Veloso (Genoa), Rigoni (Novara), Pirlo (Juventus); Palacio (Genoa), Denis (Atalanta), Jovetic (Fiorentina). Técnico: Attilio Tesser (Novara).

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