Liga dos Campeões

Mais uma pelo caminho

Contrastes: no último minuto, Ayew arrancou uma vitória para o Marseille. Sneijder, melhor interista em campo, lamentou a quarta derrota consecutiva da Inter (Getty Images)

Mais dia, menos dia, o ciclo do atual elenco da Inter parece ter chegado ao fim. Não pelo jogo no Vélodrome de Marselha, que entre os últimos realizados pelo time nerazzurro, foi o menos problemático. No entanto, isso não significa que a equipe tenha apresentado melhoras tão significativas e tenha ganhado uma renovação instantânea. Ontem, a média de idade da equipe era de 31,3 anos, a maior da história de toda a fase moderna da Liga dos Campeões, batendo recorde da própria Inter, em jogo contra o Lille, nesta temporada. Apenas Sneijder e Zárate (este, uma surpresa e escolha contestável) tinham menos de 30 anos.

O time tem encontrado problemas em todos os setores, muito desconexos entre si e sem fôlego para combater ou superar os rivais. Ao menos a defesa, que vem sofrendo muitos gols, não teve tantos problemas na partida de ontem – mas isto aconteceu principalmente pela falta de profundidade do ataque marselhês. Quando se deparou com jogadas aéreas, padeceu: o gol do Olympique, de André Ayew, no último lance da partida, surgiu em um lance assim, quando Chivu se descuidou e permitiu que o ganês se antecipasse.

A partida, em si, foi bastante fraca tecnicamente. Tanto Inter quanto Marseille não chegaram a levar tanto perigo aos goleiros Mandanda e Júlio César. No primeiro tempo, a Inter foi melhor, mas teve uma única boa chance com Forlán, que obrigou o goleiro francês a colocar bola para escanteio depois de cruzamento de Cambiasso – que jogava mais solto pela esquerda, enquanto Stankovic fazia o vértice baixo do meio-campo italiano. Pelo lado do OM, Brandão (substituto de Rémy, titular da equipe e da seleção francesa) foi presa fácil para Samuel, que retornava de lesão, e Valbuena e Ayew enconstavam muito pouco no ataque, diminuindo o trabalho da envelhecida retaguarda de Milão. 

A falta de criatividade do Marseille e os poucos lampejos de Sneijder, que não eram aproveitados pelos companheiros, faziam crer que a partida acabaria sem gols. No ataque interista, Forlán corria bastante e Zárate, mais uma vez, era nulo. Ranieri tinha Pazzini e Milito no banco, mas preferiu não mexer – e desperdiçou uma substituição, já que fez apenas duas ao longo da partida. 

O técnico romano, que não é o principal culpado pela crise da equipe – inclusive, antes da série negativa, vinha bem, e tinha levado a Inter a oito vitórias consecutivas – parece ter perdido o controle da situação e começa a inventar bastante, quase como Gasperini. Ter escalado Zárate e não ter nem esboçado substitui-lo por Milito (o fez por Obi, um jogador que tem prezado pela inocuidade) ajudou ainda mais a cavar sua própria cova. Massimo Moratti, que assistiu o jogo no estádio, ainda lhe preserva o cargo. O mandatário nerazzurro talvez já tenha reconhecido sua enorme parcela de erros na condução das duas últimas temporadas da Inter e, por isso, espera mais tempo para não errar mais uma vez.

Após a derrota em Marselha, a Inter chegou a quatro jogos sem marcar um golzinho sequer – os últimos foram marcados no 4 a 4 contra o Palermo. Saiu derrotada de todas elas. Somando todas as competições, já são seis derrotas em sete jogos. Ao menos, na França a defesa levou só um gol, no último minuto de jogo – bem diferente dos 12 sofridos nas quatro partidas anteriores. Como ensinam os humoristas do grupo Monty Python, é necessário que sempre se olhe para o lado bom da vida.

3 comentários

  • Bom texto, Nelson. Mas na verdade Ranieri estava para colocar Milito, tanto que o mesmo já havia feito aquecimento. Porém o romano preteriu Obi ao argentino por "medo" das subidas de Azpilicueta, e para dar suporte a Chivu, que já não ganhava todas de Amalfitano. Milito fez falta no primeiro tempo. A Inter poderia ter matado o jogo em três boas chances que Zárate e Forlán perderam.

    Será que Ranieri cai se a Inter perder no San Paolo? Acho difícil, mas é possível. A verdade é que tem poucos nomes disponíveis no mercado.

    Abraço!

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