Liga dos Campeões

Adeus não tão sofrido

Por muito pouco Abbiati não defende o pênalti cobrado por Messi (Uefa)
Não deu para o Milan. Depois de um bom jogo no San Siro, dois vacilos, primeiro de Mexès e depois de Nesta, custaram aos rossoneri à vaga na semifinal depois de cinco anos. Ainda assim, nada que possa ser chamado de fracasso, afinal, a equipe perdeu para um dos principais times da Europa.
Depois de conseguir parar Messi, em Milão, os comandados por Allegri tentaram usar a mesma estratégia na Catalunha. Mas logo no início perceberam que seria diferente. Em menos de dez minutos o Barcelona criou duas claras chances de gol e justamente com o endiabrado argentino. Na primeira Abbiati fez boa defesa e na segunda contou com a sorte da bola ter caído no pé direito do camisa dez e ele mandado para fora.
Quando o Milan parecia se encontrar no jogo, Mexès foi sair jogando na frente de Messi, mas acabou se enrolado todo e perdendo a bola para o argentino. Cara a cara com o arqueiro milanista, Messi rolou para trás e na hora da finalização, Iniesta foi antecipado por Antonini. Ao invés de rifar a bola foi sair jogando, adiantou demais e cometeu pênalti em Messi. O argentino mesmo cobrou e respirou aliviado ao saber que a bola passara por Abbiati e balançava a rede.
Com placar adverso, o Milan precisava de ao menos um gol, porém sem dar descuidos na defesa. Ibrahimovic, que passou o jogo sumido devido à boa marcação, recebeu de Robinho e deu belo passe para Nocerino que entrava de surpresa. O volante que pouco fez na primeira partida, dessa vez não titubeou, chutou firme e igualou o placar. Ibra, até então, parecia decidir um jogo de Champions a favor de sua equipe.
Um empate que valia a vaga. Cabia ao Milan se defender como fizera na Itália que a vaga estava garantida. Já no final do primeiro tempo, Nesta segurou Busquets tolamente antes da cobrança de escanteio. Quando Iniesta bateu na bola, o volante barcelonista fez um carnaval e o fraco árbitro holandês Bjorn Kuipers assinalou uma contestada penalidade. De novo Messi e de novo gol. Dessa vez, sem chances para o arqueiro rossonero.
O segundo tempo prometia, mas estava condicionado pelo gol blaugrana no fim da etapa anterior. Ao Milan um gol bastava, mas o cauteloso técnico milanista resolveu retornar com o mesmo time. Ainda assim, o time tinha outra postura e dava certo sufoco no Barcelona. Mas, em um contra ataque a situação se complicou de vez. Messi foi travado no chute por Mexès, mas a bola sobrou para Iniesta que, sozinho na área, só teve o trabalho de deslocar Abbiati e marcar o terceiro tento.
Só um verdadeiro milagre para o Milan conseguir a vaga. Allegri trocou o apagado Seedorf por Aquilani e logo depois Boateng por Pato, que retornava dos Estados Unidos, onde se tratava de lesão há apenas uma semana, após ter sido liberado por médicos. Mas a fase do avante brasileiro não é nada boa. Nem mesmo a semana na América o ajudou e com poucos minutos em campo, saiu novamente lesionado, quinze minutos depois. A entrada de Maxi López pouco melhorou o time que, abatido, já não conseguia pressionar os blaugranas. No final do jogo, já sem nenhum ânimo, os milanistas perderam a cabeça e descambaram pontapés. Abbiati já não queria nem saber quantos jogadores formariam para a barreira.
Ao Milan sobraram lamentos, mas a equipe deixa a Champions League de cabeça erguida sabendo que enfrentou de igual para igual o Barcelona, melhor time do momento. Ao Milan, resta agora se concentrar na briga pelo scudetto, com a consciência de que até chegou a assustar a torcida barcelonista, num símbolo da redenção milanista no torneio em que nos últimos anos era mero coadjuvante. 

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